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Escândalo na Corte: o plano para roubar um colar que manchou a reputação de Maria Antonieta

Saiba como uma Condessa bolou um plano para roubar um dos colares mais caros do mundo; e como isso afetou a trajetória da Revolução Francesa

Giovanna de Matteo Publicado em 20/09/2020, às 09h00

Maria Antonieta e o colar de diamantes
Maria Antonieta e o colar de diamantes - Divulgação

Maria Antonieta nasceu arquiduquesa da Áustria e ganhou o título de Delfina da França aos 14 anos em maio de 1770 por conta do seu casamento com Louis-Auguste, que quatro anos depois herdaria o trono da França, tornando-se Luís XVI, que geralmente é confudido com o polêmico Rei Sol. Desse modo, Antonieta também se tornara rainha.

Registro da Rainha Maria Antonieta / Wikimedia Commons

 

Entre muitos boatos, guerras e revoltas populares, sendo o reinado marcado pela Revolução Francesa e o fim da monarquia, um escândalo em particular envolvendo Maria Antonieta se tornou muito famoso: o "caso do colar de diamantes".

A história começa muito tempo antes de Antonieta subir ao trono, durante a ascensão de Luís XV da França, em 1772. O monarca decidira neste ano presentar sua paixão Madame du Barry com um colar de diamantes caríssimo.

Os joalheiros parisienses Charles Auguste Boehmer e Paul Bassange foram os escolhidos para criação da peça luxuosa, que deveria superar todos os outros acessórios em beleza e grandeza, um bem único e exclusivo para sua amada.

O processo de fabricação da joia levou vários anos e necessitou de muito dinheiro, já que demandou a procura de uma coleção de diamantes perfeitos. Nesse meio tempo, no entanto, Luís XV acabou falecendo e du Barry foi banida da corte.

A recusa

Para que o projeto não ficasse abandonado, os joalheiros acreditavam que o artefato seria presenteado à nova rainha da França, porém, os fatos não se seguiram como esperavam.

Luís XVI chegou a oferecer o colar à sua esposa em dois períodos diferentes: primeiro em 1778, mas ela recusou afirmando que, naquele momento, o rei deveria investir seu dinheiro em navios ao invés de objetos. A segunda vez, quem tentou convencer Antonieta a comprar o acessório foram os próprios joalheiros, como um presente ao nascimento do filho dela, Luís José, Delfim da França, em 1781, mas novamente não aceitou a proposta.

Alguns estudiosos acreditam que um dos fatos que fez com que a rainha recusasse o colar foi sua rivalidade com madame du Barry, a correspondente inicial do presente.

A confusão então começou quando Jeanne de la Motte, uma condessa que havia entrado na corte real através de um amante chamado Rétaux de Villette, tramou um plano para conseguir a tão esbelta joia de diamantes.

Registro de Jeanne de la Motte / Wikimedia Commons

 

Em março de 1785, Jeanne tornou-se amante do cardeal de Rohan, um ex-embaixador francês na corte de Viena, da qual Antonieta não suportava, tendo ele sido responsável por espalhar rumores sobre para sua mãe, a imperatriz romana Maria Teresa.

Polêmica na corte

Desde então, o cardeal tentava reconquistar a rainha, pois isso era necessário para que ele conseguisse se tornar um ministro do rei. Jeanne de la Motte, diante da situação, executou seu plano persuadindo Rohan ao afirmar que ela havia sido recebida pela rainha e agora trabalhava a seu favor. Sabendo disso, ele resolveu fazer de Jeanne uma ponte para que restaurasse sua amizade com a rainha.

Desse modo, Jeanne começou a se passar por Maria Antonieta entre as correspondências que trocava supostamente com o cardeal, mas com o tempo as cartas atingiram pontos muito românticos, apaixonando-se pela rainha. Após implorar por um encontro secreto com Antonieta, Jeanne arranjou um jeito: em agosto de 1784 entre a escuridão da noite, nos jardins do Palácio de Versalhes, o Rohan encontrou-se com Nicole Le Guay d'Oliva, uma prostituta que se passava por Maria Antonieta, devido a sua semelhança com ela. 

Jeanne de la Motte aproveitou a ilusão do cardeal para lhe pedir emprestado grandes quantidades de dinheiro, justificando que seriam usados no trabalho de caridade da corte. Fingindo ser a rainha, enviou várias cartas ao cardeal, inclusive uma ordem de compra do colar de diamantes. Assim, o pedido foi bem sucedido, dizendo que seria pago em prestações. A desgraça estava feita.

A peça “foi prontamente escolhida e as gemas vendidas nos mercados negros de Paris e Londres” por de la Motte, afirma Sarah C. Maza em seu livro Vidas privadas e assuntos públicos.

O escândalo começou quando chegou a hora de pagar. Jeanne apresentou as notas do cardeal aos joalheiros, mas não foram suficientes. Boehmer então reclamou com a rainha, revelando as negociações, Maria Antonieta ficou espantada, pois afirmava não ter pedido e nem recebido o colar.

O caso resultou em grande polêmica na corte e entre o povo, surgindo boatos de que a monarca teria participado de um crime para fraudar os joalheiros.

Mistério desvendado

Em decorrência dos fatos, o cardeal Rohan foi preso no salão dos espelhos do Palácio de Versalhes. Em seu julgamento Rohan apresentou uma carta assinada por "Marie Antoinette de France", o que desmascarou toda a farsa, pois a realeza francesa assinava apenas com seus nomes de batismo, fato esse esquecido por Rohan, que foi preso e levado à Bastilha, mas tempos depois foi absolvido.

A prostituta Nicole Le Guay e também Rétaux de Villette, que confessou ter escrito as cartas e falsificado a assinatura de Maria Antonieta, foram presas. Já Jeanne de la Motte teve outro fim, sendo condenada a condenada à prisão perpétua.

Execução de Maria Antonieta / Wikimedia Commons

 

Esse caso fez com que a opinião pública a respeito da monarquia, que já estava decadente, ficasse cada vez pior e a reputação de Maria Antonieta nunca se recuperasse, tendo ela morrido tragicamente guilhotinada tempos mais tarde, nas mãos dos jacobinos.


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