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Fora da 'gaveta' 53 anos depois: A canção rejeitada pelo diretor Stanley Kubrick para ‘2001’

Desafiado, Mike Kaplan compôs uma música para a trilha sonora de 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas ela acabou sendo descartada; agora é possível ouvir a faixa

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 17/03/2021, às 08h00

Cena do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968)
Cena do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) - Divulgação

Revolucionando a maneira de se fazer cinema e gerando incógnitas que continuam mais de 50 anos depois, 2001: Uma Odisseia no Espaço se tornou um clássico. Enigmático por si só, o filme conta muito mais que uma viagem espacial de astronautas a Júpiter.

Mas, para se tornar um clássico, o longa-metragem passou por um longo processo de produção. Ao longo desse caminho, ideias foram deixadas para trás, rejeitadas e ainda modificadas. A trajetória criativa do filme foi de fritar o cérebro.

Além de gravações de cenas e efeitos especiais impressionantes, a produção também precisava de uma trilha sonora que conseguisse representar a magnitude da trama. O diretor Stanley Kubrick tentava encontrar a música perfeita para ajudar a promover o filme.

Cena do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) / Crédito: Divulgação

 

Ele já tinha escutado algumas possíveis canções, mas não encontrava o que procurava. Durante uma reunião, os responsáveis pelo longa-metragem estavam ouvindo mais uma fita demo para a promoção de 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas Kubricknão gostou da melodia: ele a considerou muito pessimista.

Nesse encontro, estavam representantes da MGM Records, o diretor e Mike Kaplan, um veterano da indústria cinematográfica e ex-publicitário de Kubrick. Foi quando o cineasta lançou um desafio para o último: “Ouvi dizer que você escreve música. Por que você não escreve algo?”, perguntou, segundo relatou o próprio Kaplan ao jornal The Observer.

Para o diretor, Kaplan entendia qual era a proposta do filme e o que ele representava, então talvez pudesse demonstrar essas ideias em uma música original. Ele aceitou o desafio e começou a produzir a melodia mesmo durante suas horas de trabalho, investindo na oportunidade.

Trilha sonora rejeitada

Com essa aventura na composição, o publicitário criou a música 2001: A Garden of Personal Mirrors. Ele foi responsável pela parte da composição, do piano e da mixagem. A voz foi da artista folk Naomi Gardner, que completou a música.

“A intenção era capturar as diferentes reações que o filme havia acordado do público e da mídia, os diversos níveis de interpretação e apreciação, dos visuais hipnóticos às projeções metafísicas”, disse ao jornal The Guardian. “Também queríamos atiçar a curiosidade entre os fãs do cinema que ainda estavam para ver o que se tornaria um fenômeno cultural", acrescentou.

“Fomos confrontados com um drama metafísico envolvendo evolução, reencarnação, a beleza do espaço, o terror da ciência e o mistério da humanidade que exigia que os críticos e o público se rendessem a seus ritmos únicos. Com uma narrativa visual que saltou milênios, o épico de 161 minutos [tempo de execução original] continha apenas 22 minutos de diálogo”, explicou Kaplan.

Crédito: Divulgação

 

Kubrick elogiou o título da música, escutou, mas não acreditou em seu potencial: ele não sentiu que a melodia pudesse promover o filme de forma a torná-lo um sucesso. Com a negativa, a faixa foi guardada na gaveta. Os dois, inclusive, nunca mais falaram sobre ela.

Não foi fácil agradar o diretor em relação à trilha sonora. O compositor Alex North também produziu uma melodia para o longa-metragem, mas ela também foi rejeitada. No final, ele escolheu o poema sinfônico Also Sprach Zarathustra, composto por Richard Strauss em 1896.

Se não fosse a pequena gravadora britânica Wave Theory Records, não teríamos acesso a essa música que acabou ficando de fora do filme. Em janeiro deste ano, 53 anos depois de 2001: Uma Odisseia no Espaço ter sido lançado, a label disponibilizou a faixa de Kaplan na internet para que todos pudessem ouvi-la.

A música nunca chegou a fazer parte da trilha sonora do filme, mas, agora, podemos avaliar se ela seria uma boa divulgação do longa ou não. “Eu sei que não soa como nenhuma outra coisa, e eu não tenho certeza de como eu consegui. Eu nunca conseguiria fazer isso de novo. Mas é ótimo ouvir isso sendo tocado”, disse Kaplan

Você pode escutá-la aqui:


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