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Formatos intrigantes: conheça a impressionante prática de remodelagem craniana

Diferentes povos antigos tinham o costume de fazer com que o crânio de seus filhos crescesse em formatos diferente, entenda como e o motivo

Ingredi Brunato Publicado em 10/10/2020, às 09h00

Fotografia de crânio alongado.
Fotografia de crânio alongado. - Divulgação/ Q. Wang

Uma das descobertas mais recentes de crânios deformados foi em 2019, na China. Pesquisadores da Texas A & M University encontraram 25 crânios em formato de cone, pertencentes a populações que viveram entre 5 e 12 mil anos atrás. Outro achado anterior, de 2009, havia sido na Patagônia, envolvendo 18 crânios de 2 mil anos atrás. 

É intrigante que lugares tão diferentes e de épocas distintas desenvolveram a mesma prática em algum momento, e esses nem são casos isolados, com crânios deformados tendo sido localizados também no Peru e na Bolívia.

Curiosamente, também, os pesquisadores trabalhando com cada grupo de crânios chegou a respostas diferentes que pudessem revelar o que levava a prática.  

O que explica o intrigante formato?

O que todos os casos têm em comum é que foram feitos logo após o nascimento, momento em que os crânios dos bebês ainda estão crescendo, de forma que os ossos também não são tão duros quanto os da cabeça de um adulto.

As técnicas de remodelagem craniana, portanto, sempre envolviam pressionar a cabeça desses bebês por longos períodos, de forma a alcançar determinado formato.

Fotografia de crânio alongado com desenho do lado mostrando como teria sido feito. Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo os arqueólogos da Texas A & M University, os crânios chineses alongados teriam pertencido a pessoas de origem nobre, indicando que a remodelagem poderia ser feita para marcar o status elevado daqueles indivíduos. 

Essa conclusão é semelhante à alcançada entre os pesquisadores que analisaram esqueletos pertencentes à tribo Oruru, que viveu na Bolívia. “Indivíduos de alta classe tinham cabeças mais eretas, enquanto que a classe média tinha formato mais oblíquo. O resto, cabeças mais achatadas”, explicou a carioca Mercedes Okumura, arqueóloga do Museu Histórico Nacional, em entrevista à BBC. 

O elemento da estética também não é descartado da interpretação dos especialistas, especialmente porque padrões de beleza também tem grande vínculo com elites, sendo frequentemente ditados por essas. 

Fotografia de crânio achatado. Crédito: American Journal of Physical Anthropology

 

Expansão territorial 

Já os povos da Patagônia não viviam em sociedades tão complexas e estruturadas, para que necessitassem desse tipo de diferença social. Segundo relatado no American Journal of Physical Anthropology em 2009, a função da deformação craniana era, portanto, muito mais prática. 

A explicação está relacionada ao nomadismo desses povos, que seria sua principal tática de sobrevivência, uma vez que as regiões da Patagônia habitadas por eles não possuíam muitos recursos naturais. 

E as migrações constantes, por sua vez, implicavam muitos encontros com indivíduos de outras tribos. Para marcar sua identidade como parte de um povo que não queria confrontos com os outros, disposto à colaboração, ocorria então a realização da deformação craniana. 

"Era uma estratégia social que permitia acesso a recursos em um território vasto e de condições por vezes imprevisíveis", contou Marta Alfonso-Durruty, que esteve envolvida no estudo. Essa mudança física seria também muito mais confiável que outras que podem ser feitas ao longo da vida. 

Pistas sobre como tudo começou  

Povos indígenas norte-americanos teriam o hábito, por exemplo, de amarrar seus bebês à berços de madeira enquanto seguiam com suas tarefas diárias. Essa ação teria provocado as primeiras deformações nos crânios dessas tribos, gerando cabeças achatadas na parte de trás. 

"Pelo menos em princípio, a deformação pode não ter sido intencional, mas, quando as pessoas descobriram a consequência para o crânio dos bebês, começaram a usar o sistema deliberadamente", concluiu Okumura.


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