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Fórmula de sucesso: Como surgiram os realitys shows?

Formato que se tornou grandioso no Brasil tem inspiração em obra de renomado escritor — e surgiu bem antes do que muitos imaginam

Fabio Previdelli Publicado em 15/01/2021, às 07h30

Cena do filme O Show de Truman (1998)
Cena do filme O Show de Truman (1998) - Divulgação

No próximo dia 25 de janeiro, boa parte das pessoas se reunirão em frente as suas televisões para assistir a 21ª temporada do reality show Big Brother Brasil. A edição desse ano continuará contando com celebridades entre a lista de participante e tem a previsão para durar 100 dias. 

Em quase duas décadas no ar, o programa atrai cada vez mais telespectadores. Apesar do sucesso que fazem aqui e de seus prêmios milionários, os reality shows nem sempre tiveram todo esse glamour. Mas como eles começaram? 

A origem do reality 

Em 1973, “Uma Família Americana” estrava na PBS, uma emissora pública dos Estados Unidos. O programa, que foi dividido em uma dúzia de episódios, acompanhava o cotidiano da família Loud, que vivia em um bairro de classe média da Califórnia.  

Apesar de nunca ter existido algo igual na televisão, o programa foi um sucesso logo de cara. A série agradou não só os produtores, por ser um programa de baixo orçamento, como gerou enorme repercussão entre o público. Uma explicação para tal triunfo é que as pessoas se sentiam representadas na tela, acompanhando diversos dilemas familiares, só que sob a ótica de outras pessoas.  

Na época, conforme explica uma matéria publicada pela Superinteressante, a antropóloga Margaret Mead descreveu que o gênero era “uma invenção tão depressa quanto a criação do drama ou do romance”. De certo ponto ela estava certa, a produção da PBS estava à frente do seu tempo, porém, outro reality só voltou a atrair multidões anos depois.  

Em 1992, a MTV criou o The Real World (ou “Na Real”, nome adaptado na versão nacional), onde — durante seis meses — um grupo de jovens que moravam juntos tinham suas vidas expostas na televisão.  

Dois sucessos ainda maiores surgiram no final daquela década: o Survivor (no Reino Unido), que levava os participantes até uma ilha, onde eram obrigados a se virarem sozinhos, tudo isso ao mesmo tempo em que evitavam ser eliminados da competição; e, o mais famoso entre eles: o Big Brother, lançado na Holanda em 1999. 

Na primeira edição, o programa confinou apenas nove pessoas, que passaram 106 dias dentro de uma casa pequena. Por mais simples que fosse, o formato acertou em cheio, já que 4 milhões de holandeses assistiram a final. O número pode parecer pouco para os padrões brasileiros, mas, naquela época, eles representavam um terço da população de todo o país. 

O reality chega ao Brasil 

No ano seguinte, o programa é oferecido a outros países. Aqui no Brasil, a proposta foi mostrada ao SBT, que teve acesso a todos os detalhes da produção: desde de como a casa deveria ser e onde as câmeras deveriam ficar colocadas até quais perfis de pessoas tinham que ser selecionadas.  

Porém, de última hora, Silvio Santos acabou desistindo do projeto, alegando que o mesmo seria acima do seu orçamento. Porém, o dono do SBT percebeu que ali estava um potencial sucesso para a televisão brasileira. 

Ele estava certo, tanto é que em 2001 a “Casa dos Artistas” estreou no SBT. O show tinha o mesmo padrão do Big Brother, no entanto, os participantes eram pessoas mais famosas: como Supla, Alexandre Frota e Bárbara Paz.  

O sucesso foi tão grande que a rede Globo não hesitou a fechar um acordo com Endemol — produtora idealizadora do Big Brother. Assim, em 2002, o BBB estreou por aqui. O sucesso de todos esses anos é comemorado por John de Mol, um dos fundadores da empresa, afinal, a fórmula fez com que seu patrimônio seja avaliado atualmente em mais de 1,7 bilhão de dólares. Vale ressaltar que Jonh também está por trás de outras grandes produções da TV, como o The Voice.  

Inspiração em Orwell? 

“O Grande Irmão está de olho em você”, essa frase estampa cartazes e slogans que mostram como um governo autoritário controla seus cidadãos na obra 1984, do escritor Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo seu pseudônimo: George Orwell.  

Publicado em 1949, o romance narra como seria um futuro distópico onde um governo totalitário supervisiona tudo. Na narrativa de Orwell, o Big Brother, ou Grande Irmão, é idolatrado. Como consequência, ele sabe de tudo o que as pessoas fazem e julga seus atos.

Notou alguma semelhança com o programa? Pois é, Jonh se inspirou na obra de Orwell para dessenvolver o formato do show. Tanto da TV como na distopia, as pessoas são observadas diariamente e julgadas por seus atos, porém, por sorte daquelas do mundo real, ao final de todo o processo, uma delas sai milionária.


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