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Fortuna cruel: a conturbada trajetória dos filhos de Albert Einstein

O renomado cientista do século 20 teve uma filha secreta com um destino nebuloso e ainda um rapaz com graves problemas

Vanessa Centamori Publicado em 05/07/2020, às 08h00

Foto de Albert Einstein
Foto de Albert Einstein - Wikimedia Commons

Os filhos de Albert Einstein tiveram cada um uma trajetória bem diferente do outro, sendo que dois deles sofreram especialmente mais. A começar pela primeira filha, Elizabeth (mais conhecida como Lieserl), que era um fruto proibido, escondido a sete chaves.

Porém, a existência da menina se tornou pública em 1986, quando o Einstein Papers Project revelou que estavam escondidas 400 cartas de familiares do cientista em um cofre de banco na Califórnia.

Filha secreta

Em um dos documentos, o físico alemão falava sobre a primeira criança. Curiosamente, ele recomendava até que não a dessem leite de vaca, pois acreditava que isso poderia "torná-la estúpida”.

E o mais intrigante: o destino da filha permanece desconhecido até hoje. Ainda que haja suposições para um possível desfecho — uma delas diz que a bebê foi entregue às mãos de uma amiga íntima da mãe dela. Acontece que a adolescente grávida, Mileva Maric, namorava Einstein sem a permissão da família. Com receio do linchamento social, decidiu abandonar Lieserl.

Mileva Marić e Albert Einstein / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além disso, quando ela engravidou da menina, Albert era um jovem de 22 anos e estava prestes a conseguir um emprego renomado em um importante no escritório de patentes na Suíça. Com medo de perder a oportunidade, acabou ocultando o fato de seus familiares. 

Triste fim da criança abandonada

Uma hipótese para explicar o que ocorreu com Lieserl foi apontada por Michele Zackheim no livro Einstein's daughter (1999). Segundo a autora, a criança tinha Síndrome de Down, o que pode ter explicado em parte o abandono, uma vez que a condição genética era vista de modo preconceituoso na época. 

Além disso, entrevistas e dados levantados pela biógrafa apontam que a menina pode ter sido criada não pela amiga da mãe, mas sim pelos avós maternos, na Sérvia. Com eles, Lieserl teria ficado por pouco tempo, pois teve uma vida muito curta. A criança morreu aos 21 meses, quando sofreu um ataque de escarlatina, uma doença bacteriana aguda, em 1903. 

Albert Einstein/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Filho reconhecido

Apesar do relacionamento do cientista com Mileva ser alvo de perseguição, ele acabou se casando com a jovem em 6 de janeiro de 1903. No mês de maio do ano seguinte, nasceu o segundo filho, Hans Albert.

Embora em certo ponto de sua vida o relacionamento com o pai tenha sido ruim, no início, Hans foi muito amado pelo cientista. Enquanto Einstein trabalhava no Escritório de Patentes de Berna, ele cuidava bem do garoto. Mileva até descreveu a relação, em uma carta: "Meu marido passa o passatempo em casa brincando principalmente com o filho".

Hans Albert tornou-se um jovem independente, inteligente e decente. Teve um futuro brilhante, como professor de engenharia hidráulica na Universidade de Berkeley, Califórnia. No entanto, a filha de Hans — e neta de Einstein — sofreu muito ao longo da vida por exigências intelectuais depositadas sob ela, devido à fama do avô genial. 

Albert Einstein na velhice /Crédito: Wikimedia Commons 

 

Abandonado em um manicômio

O próximo filho homem de Einstein também não teria uma história tranquila. Nascido em 1910, em Zurique, Suíça, Eduard teve a má sorte de vir ao mundo logo quando as questões em casa ficavam tensas. O cientista começava a se desentender com a esposa Mileva.

Insatisfeito com a atual parceira, Albert Einstein ainda se comunicava com um antigo amor, Marie Winteler, com quem trocava cartas apaixonadas. Em 1914, ele, a cônjuge e os filhos se mudaram para Berlim. Pouco tempo depois, o casal se separou.

Anos depois, Eduard entrou na universidade para se tornar psiquiatra. No entanto, com 20 anos de idade foi diagnosticado com esquizofrenia, sendo internado em uma clínica em Zurique, de volta à Suíça. 

Eduard Einstein /Crédito: Divulgação 

 

Einstein tinha se casado com uma segunda mulher, sua prima Elsa Löwenthal, em 1919. Visitou apenas uma vez Eduard na clínica e, em 1933, conforme o nazismo se instaurava na Alemanha, se mudou para os Estados Unidos. Nunca mais viu o filho e chegou até a escrever em uma carta que ele era "o único problema que permanece sem solução". 

Por outro lado, o icônico físico também escreveu sobre Eduard em tom mais triste, em antigas cartas divulgadas em 2006: "O mais refinado dos meus filhos, aquele que eu considerava realmente de minha própria natureza, foi tomado por uma doença mental incurável", disse. 

E, infelizmente, foi justamente assim: a condição do jovem não melhorou. Os tratamentos agravaram cada vez mais a fala e as habilidades cognitivas de Eduard. Ele passou por 3 décadas angustiantes, sendo transferido de instituição e instituição, com o apoio da mãe. Até que morreu em 1948, aos 55 anos, na clínica psiquiátrica Burghölzli, em Zurique. 


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