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Fragmentado da vida real: Billy Milligan, o criminoso de múltiplas personalidades

Com um distúrbio psicológico, os crimes cometidos pelo americano resultaram em uma decisão inédita na justiça estadunidense

Wallacy Ferrari Publicado em 02/06/2020, às 10h31

Billy em uma de suas mugshots (à esq.) e no tribunal (à dir.)
Billy em uma de suas mugshots (à esq.) e no tribunal (à dir.) - Divulgação

Nascido em Miami Beach em 1955, William Stanley Milligan, apelidado de Billy, já mostrava sinais de seus distúrbios psicológicos durante a infância, quando viajou pelos Estados Unidos após o divórcio de sua mãe. O pai do garoto cometeu suicídio quando o filho tinha apenas três anos de idade, vítima de um envenenamento voluntário por monóxido de carbono. 

Antes de concluir o colegial, a mãe do jovem casou e divorciou em mais duas ocasiões enquanto residiu em Ohio. Billy por sua vez, demonstrava uma bipolaridade extremamente específica, variando não apenas seu comportamento, mas também a forma como se apresentava e os trejeitos da personalidade que externava.

Durante a infância, personificou 3 figuras além de sua personalidade normal, dizendo ser Shawn, Christene e, às vezes, dizendo que não tinha um nome ou um lar. As características refletiam em confusões e reclusão no ambiente escolar, mas se tornou algo grave na segunda metade da década de 1970, quando o jovem entrou na Ohio State University.

Crimes violentos

Em 1975, Billy foi preso por assalto à mão armada e estupro sendo obrigado a se registrar como agressor sexual e realizar comparecimentos ao fórum após a sua liberdade condicional em 1977. No fim do mesmo ano, o homem ignorou as medidas que poderia sofrer com a advertência e foi acusado de mais três casos de estupro, todos dentro das imediações da universidade.

Foto de Billy tirada pela polícia em sua primeira captura / Crédito: Divulgação

 

Com o auxílio das três mulheres que relataram o caso, o homem foi identificado a partir do banco de fotos de agressores sexuais, junto com a compatibilidade de suas digitais com as impressões encontradas no carro de uma vítima. Em depoimento, uma das vítimas estranhou o comportamento do homem, afirmando que o mesmo "agia como uma menina de 3 anos de idade".

Após as denúncias, o homem foi encontrado em sua residência e manifestou surpresa no momento de sua prisão, sem apresentar resistência. Além de violar sua liberdade condicional, as armas encontradas em sua residência somaram em seus indiciamentos por roubo e estupro. O caso parecia ser fácil de concluído pelo excesso de provas, porém, mudou de rumo após os seus exames psicológicos.

Múltipla personalidade

Enquanto preparava sua defesa, foi diagnosticado com esquizofrenia aguda durante uma análise feita pelo doutor do caso. Sem a manifestação anterior, seus advogados buscaram uma segunda opinião, com a psicóloga Dorothy Turner, então responsável pelo Centro de Saúde Mental de Southwest Community, em Columbus.

Para a surpresa do próprio homem, foi possível concluir que Billy sofria de transtorno de personalidade múltipla. A constatação serviu como argumento de defesa para os defensores públicos do rapaz, que alegaram que o mesmo cometeu os crimes em uma personalidade que não o representava e que estava insano.

Algumas das personalidades registradas no hospital de Billy / Crédito: Divulgação

 

Durante as análises em hospitais psiquiátricos administrados pelo estado, o homem manifestou 14 personalidades distintas em 10 anos de tratamento. As figuras variavam entre uma garota lésbica de 19 anos chamada de Adalana até um comunista iugoslavo chamado Ragen, a qual atribui os assaltos como uma forma de dividir os bens com igualdade.

Loucura confirmada

Em 1988, Billy foi libertado, sendo a primeira pessoa absolvida de um crime grave alegando o transtorno de personalidade múltipla na história da justiça estadunidense. O rapaz foi acompanhado até agosto de 1991 como uma forma de observação do Estado para confirmar se poderia conviver em sociedade.

A partir de 1996, passou a morar na Califórnia, onde abriu uma produtora de vídeos e tentou negociar a produção de um curta-metragem sobre a direção criativa de uma de suas personalidades, sem sucesso. Milligan morreu aos 59 anos em 2014, vítima de um câncer.


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