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Frederick Fleet, o vigia que sobreviveu ao Titanic e as guerras mundiais

Sendo um dos responsáveis por avistar o iceberg, o homem teve uma vida de altos e baixos, encontrando um fim melancólico

Wallacy Ferrari Publicado em 10/05/2020, às 09h00

Uma fotografia do vigia, colorida digitalmente (à esq.) junto navio RMS Titanic (à dir.)
Uma fotografia do vigia, colorida digitalmente (à esq.) junto navio RMS Titanic (à dir.) - Wikimedia Commons / Dana Keller

Nascido em 1887, o jovem Frederick Fleet teria uma infância confusa, com diversas mudanças de guarda. Nascido em Liverpool, o inglês nunca conheceu o pai e mal se lembrava do rosto da mãe, que havia fugido aos Estados Unidos com um namorado, sem nunca retornar ao longo de sua vida.

Cresceu em internatos e passava os fins de semana com parentes distantes, até arranjar uma família adotiva. Chegou a ser devolvido a família e adotado novamente durante sua juventude, mas preferiu se emancipar o mais cedo possível para seguir um sonho.

Aos 16 anos, começou a trabalhar como orientador de convés, auxiliando os funcionários de navios e barcos, até se tornar um marinheiro. Contratado pela principal empresa de navegação marítima do mundo na época, a White Star Line, o jovem trabalhou quatro anos como vigia no RMS Oceanic.

Observando as atividades dos marinheiros e a situação do mar, o marinheiro conquistou a confiança da empresa, que decidiu colocar Frederick no mais novo e maior projeto já feito: o RMS Titanic.

Com 25 anos, o britânico atuava no Titanic com outros 5 vigias, que revezariam os turnos e ficariam responsáveis por monitorar qualquer anormalidade que pudesse causar riscos ao prosseguimento da viagem, 24 horas por dia.

O ninho de corvo — a plataforma no principal mastro para observação — Frederick avistou, junto ao seu companheiro de vigia Reginald Lee, uma pequena formação de gelo a olho nu. Apesar de parecer inofensiva, o vigia tocou os sinos de alarme e telefonou ao capitão, possibilitando a curva que retardaria o naufrágio por horas, salvando centenas de vidas.

Momento que Frederick avisa a torre, retratado no filme Titanic (1997) / Crédito: Divulgação

 

Quando o pânico estava instaurado pela tripulação, o britânico desceu ao convés e foi substituído por um vigia mais velho e experiente. Sendo um dos mais jovens, começou a ajudar nos deslocamentos de botes.

Relatos apontam, que aproximadamente, 28 pessoas foram carregadas do barco ao bote pelo jovem. Quando o oficial Charles Lightoller notou o rapaz cansado após ajudar as mulheres e crianças, ofereceu um lugar no sexto bote salva-vidas.

Sendo resgatado na manhã seguinte pelo RMS Carpathia, Frederick foi o principal responsável por descrever os primeiros momentos do navio em colisão, como a sua velocidade, orientações e características do iceberg para a imprensa e autoridades.

Por mais quatro meses, o britânico compôs o quadro de funcionários da White Star Line e chegou a ser escalado para vigiar no navio-irmão RMS Olympic, mas deixou a empresa por notar que havia um tratamento diferenciado com envolvidos em investigações sobre o naufrágio.

Após o Titanic

Sendo um dos principais observadores da movimentação do navio e dos passageiros, o vigia foi peça-chave para a investigação do governo estadunidense e do governo britânico.

No inquérito americano, foi interrogado por um senador e revelou que o desastre poderia ser evitado se os funcionários da plataforma estivessem munidos de binóculos, visto que a noite estava iluminada com a lua cheia e o mar estava calmo, possibilitando a curva muito antes do choque.

Nos anos seguintes, sua experiência e meticulosidade o proporcionou navegações por diversas empresas de diversos segmentos, desde viagens turísticas até embarcações comerciais.

Uma das ocasiões foi com a Union-Castle Line, que escalou Frederick em uma frota de navios mercantes durante a Primeira Guerra Mundial. Apesar das expedições importantes, o salário de Frederick era de 5 libras por mês, o que não proporcionou segurança financeira ao britânico.

Serviu como orientador naval pela Harland & Wolff trabalhando em seu estaleiro, na cidade de Southampton, sendo o que ele acreditava ser sua aposentadoria do mar, em 1936. Três anos depois, teve de retomar a vida sobre um navio, graças ao estouro da Segunda Guerra Mundial.

Com funcionários convocados para servir e com missões contradas pelo governo americano e britânico, o vigia teve de se desdobrar para realizar diversas funções de navios com poucos funcionários.

Frederick, usando um óculos, trabalhando como vendedor de jornais / Crédito: Titanic Voices

 

Com o fim da guerra, se demitiu e conseguiu um emprego de vendedor de jornais para conseguir se sustentar. Trabalou até os 77 anos e só parou após o falecimento de sua esposa, três dias após o Natal de 1964.

O cunhado, que compartilhava a casa com o casal, despejou o homem, que sem ter onde morar, ficou ainda mais deprimido em relação as conquistas de sua vida. Treze dias após o falecimento da companheira, Frederick se suicidou após um enforcamento.


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