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Frustração, melancolia e surtos: 5 fatos impressionantes sobre o exílio da Família Imperial

Depois de ter o trono abolido, os familiares de Dom Pedro II viajaram rumo à Europa, iniciando um angustiante asilo longe do Brasil

André Nogueira Publicado em 22/06/2020, às 11h40

Família Imperial
Família Imperial - Getty Images

Após o Golpe de Estado que deu fim ao regime monárquico brasileiro e deu início ao Período Republicano, Dom Pedro II e sua família não resistiram foram para a Europa rumo ao exílio. Frustrados e abalados com o distanciamento da terra natal, descreve-se que a saudade era o sentimento principal desde a viagem de navio.

A antiga Família Imperial só retornaria ao Brasil depois de décadas, quando os já descendentes de Pedro II pisariam novamente em terras brasileiras. Hoje se intitulam herdeiros do trono, que atualmente não existe, mas desde o século 19 já sentiam na pele a distância do poder.

Conheça 5 fatos importantes sobre esse período da Família Bragança.

1. Diário

Barco Alagoas / Crédito: Domínio Público

 

A viagem da Família para a França foi bem documentada, principalmente pelo diário da nobre Maria Amanda Paranaguá Dória, a baronesa de Loreto. Seus escritos, arquivados no IHGB, descrevem a passagem dos familiares da aristocracia brasileira do embarque, numa madrugada chuvosa, até a chegada à Europa. Com 120 páginas, mostrando as reações de Dom Pedro com a morte da esposa, com a melancolia do asilo, com as incertezas e as angústias.

O relato é resultado do acompanhamento que a baronesa e seu marido deram à família de Dom Pedro, no navio a vapor Alagoas. A viagem durou 20 dias, em que “o mar estava um pouco agitado e, temendo enjoo, que me é inevitável”, segundo a aristocrata. Os escritos descrevem claramente um sentimento de conformidade e forte saudade entre os ex-mandatários do Brasil.

2. Hábitos da viagem

Família Real / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao contrário do cotidiano da família no Palácio de São Cristóvão, não se discutia política no barco Alagoas, sendo a única pauta das conversas a literatura. Dom Pedro fazia rodas de leitura noturna, mas nada mais extravagante que isso: não havia banquetes ou festividades luxuosas. No aniversário de Dom Pedro, apenas houve a abertura de um champanhe.

Segundo o diário de Maria Amanda, Dom Pedro tinha desistido de qualquer liturgia ou rituais clássicos da nobreza, sendo a única lembrança da vida na corte a bem arrumada mesa de almoço e jantar, em que os objetos eram devidamente aparelhados. Além disso, Dona Isabel não abriu mão de suas criadas.

3. Neto assustado

Dom Pedro Augusto / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um das pessoas mais prejudicadas pelo exilio, tanto a vigem quanto a permanência na Europa, foi o neto mais velho do imperador restituído, Pedro Augusto. Isso porque o garoto tinha problemas psicológicos, com tendências paranoicas e surtos psicóticos que ocorreram no interior do navio.

Muitos dos ataques que teve na viagem foram causados pela turbulência da embarcação. Ele acreditava que a família não chegaria a Lisboa e que estava perdida. O abalo gerado pelo exílio em Pedro o levou a ser internado e ser, inclusive, tratado pelo psicanalista Sigmund Freud. “O seu estado é lastimável”, descreveu Maria Amanda.

4. Mortes que abalaram

Dona Isabel e Dom Pedro / Crédito: Getty Images

 

Na França, o abalo psicológico dos familiares do monarca os deixou bastante abatidos. Isabel, por exemplo, passou a ter uma grande angústia, o que aumentou em peso com a morte de dois de seus filhos que, exilados, integraram exércitos de outros países, que lutaram na Primeira Guerra. Antônio e Luís de Bragança morreram na linha de frente do conflito.

Outra morte que teve forte peso para, principalmente, Dom Pedro II, foi a da ex-imperatriz Teresa Cristina, que veio a falecer poucas semanas depois da chegada dos exilados na Europa, ainda em Porto, cidade portuguesa. Relata-se que o monarca, que não costumava expressar seus sentimentos, caiu aos prantos, abalado, chorando enquanto abraçava a esposa, declarando saudades.

 5. Imperador frustrado

Dom Pedro no funeral / Crédito: Domínio Público

 

Os dias finais de Dom Pedro II foram marcados pela angústia e pela saudade da terra natal. Vivendo os anos últimos sem luxo no Hotel Bedford em Paris, ele já sofria com o luto da morte de diversos parentes, quando, com a saúde abalada, morreu em 1891. Ainda se discute a origem da morte, ligada a uma patologia que teria contraído no fim da vida, mas muitos defendem que se tratava da sífilis.

Dona Isabel queria enterrar o pai discretamente, apenas entre amigos e familiares, mas o governo francês solicitou um evento público para aquele que era considerado o maior monarca do século. Ele teve um grande velório, em que repousava sobre um livro e com urnas de terras vindas do Brasil ao redor. Enterrado na França, depois seu corpo foi transladado e hoje repousa num mausoléu em Petrópolis, no Brasil.


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