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‘Garganta Profunda’: O primeiro filme adulto exibido nos cinemas

Filme marcou época por sua ousadia e polêmicas: “Toda vez que alguém assiste a esse filme, está me vendo sendo estuprada” , declarou a atriz Linda Lovelace

Fabio Previdelli Publicado em 14/08/2021, às 11h00

A atriz Linda Lovelace
A atriz Linda Lovelace - Getty Images

Em 12 de junho de 1972, estreava nos cinemas norte-americanos o primeiro filme com cenas de sexo explícito: 'Garganta profunda', dirigido pelo ex-cabelereiro Gerard Damiano, como aponta matéria do Correio Braziliense.  

Por sua eroticidade e inovação, o longa acabou sendo um sucesso na época, o que contribuiu para que uma nova tendência chegasse ao mercado, o “pornô chic”, como se referiu Ralph Blumenthal em artigo publicado no The New York Post, 

O título do filme também se tornou uma referência dentro da cultura pop, principalmente depois que Howard Simons, então diretor do The Washington Post, o escolheu para se referir a fonte anônima que dava informações sobre o escândalo do caso Watergate.  

Na época, o filme arrecadou cerca de 1 milhão de dólares em suas sete primeiras semanas de lançamento, algo que hoje seria equivalente a U$s 6,2 milhões (ou 32 mi de reais) — um valor assombroso visto que orçamento para a produção girou em torno dos 25 mil dólares. 

Segundo lista da revista Variety, ‘Garganta profunda’ está entre os 10 filmes de maior bilheteria de todos os tempos, tendo arrecado cerca de 600 mil dólares na época, algo que chegaria na casa dos 3,7 bilhões hoje. 

Tamanho sucesso se deu por sua narrativa inovadora do filme, que tirou a figura do homem como protagonista do prazer, levantando discussões sobre as necessidades femininas na hora do sexo.

Além disso, o enredo mexeu muito com grupos conservadores, que passaram a se manifestar contra sua exibição. Por conta disso, ‘Garganta profunda’ foi proibido de ser exibido em 23 estados americanos. Mas o que causou esse alvoroço todo?  

O enredo 

No longa, Linda Lovelace vive a história de uma mulher frustrada sexualmente, que já não sabe mais como atingir o orgasmo, assim, pede conselhos para uma de suas amigas. Com isso, após uma experiência não muito satisfatória em uma sex party, a mulher passa a visitar um psiquiatra, dr. Young.  

Durante suas consultas, o médico descobre que Linda possui uma peculiaridade em seu corpo: seu clitóris está localizado, na verdade, em sua garganta. A partir daí, ele recomenda que a paciente comesse a desenvolver suas habilidades orais. 

A mulher logo se apaixona pelo médico, mas ele recusa qualquer laço afetivo, embora concorde continuar com seu trabalho terapêutico, lhe ensinando uma técnica particular conhecida como ‘garganta profunda’. 

Após inúmeras façanhas sexuais com YoungLinda finalmente conhece um homem que pode fazê-la feliz e os dois terminam juntos. No fim, o longa acaba com a frase; “Fim. E uma boa Garganta Profunda para todos vocês”. 

Estupro gravado? 

Mas não foi apenas o roteiro do filme que ainda gera polêmicas em torno do longa, os bastidores também são alvo de inúmeras e pesadas acusações. Em sua autobiografia 'Ordeal', Linda Lovelace diz que, durante as gravações, seu marido a forçou a atuar no filme. "Praticamente toda vez que alguém assiste a esse filme, está me vendo sendo estuprada", segundo aponta matéria do The Atlantic. 

Chuck Traynor teria a coagido “a fazer essas coisas apontando um rifle M16 para sua cabeça". A atriz também diz que quando esteve junto com ele, era possível ver em suas pernas hematomas provocados pelos constantes espancamentos que sofria.  

Linda também relatou que seu casamento foi marcado por violência, abuso sexual, prostituição forçada e pornografia privada. Chuck teria recebido um cachê de 1.250 dólares para a participação da esposa no longa.  

“Quando, em resposta às suas sugestões, eu o deixei saber que não me envolveria em prostituição de forma alguma e disse a ele que pretendia ir embora, [Traynor] me bateu e o abuso mental constante começou”, relata a atriz em seu livro.  

“Fiquei literalmente presa, não podia sair de sua vista, nem mesmo de usar o banheiro, onde ele me observava por um buraco na porta. Ele dormia em cima de mim à noite, ouvia meus telefonemas com uma .45 automática de oito tiros apontada para mim. Eu sofri abuso mental todos os dias depois disso. Ele minou meus laços com outras pessoas e me forçou a casar com ele a conselho de seu advogado”, continua.  

“Minha iniciação na prostituição foi um estupro coletivo por cinco homens, arranjados pelo Sr. Traynor. Foi o momento decisivo em minha vida. Ele ameaçou atirar em mim com a pistola se eu não prosseguisse. Eu nunca tinha experimentado sexo anal antes e isso me destruiu. Eles me trataram como uma boneca de plástico inflável, me pegando e me movendo aqui e ali. Eles abriram minhas pernas para um lado e para o outro, empurrando suas coisas para mim e para dentro de mim...  Nunca estive tão assustada, desgraçada e humilhada em minha vida. Eu me senti um lixo. Eu me envolvi em atos sexuais em pornografia contra minha vontade para evitar ser morta ... A vida de minha família foi ameaçada”, completa Lovelace.  

Apesar das fortes acusações, os relatos feitos pela atriz jamais foram comprovados e Chuck, consequentemente, nunca foi punido por tais atos. Segundo artigo da National Review, no entanto, Traynor chegou a admitir que tenha golpeado Linda certa vez, mas se defendeu e disse que aquilo era somente parte de um jogo sexual voluntário que ela havia topado participar. 


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