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Geisel na praia: A política por trás de um presidente da ditadura com um calção de banho

Em 1975, Geisel foi fotografado caminhando pela praia do Meio, no Rio Grande do Norte

Fabio Marton Publicado em 17/07/2019, às 00h00

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- Ernesto Geisel caminhando pela praia do Meio, no Rio Grande do Norte / Crédito: Reprodução/ Orlando Brito

Ernesto Geisel, que substituiu Emílio Garrastazu Médici na presidência em 1974, deu início ao processo de abertura política no Brasil.

Responsável pelo Pacote de Abril, que em 1977 fechou o Congresso e cassou deputados, Geisel, por outro lado, enquadrou militares linha-dura (demitiu seu ministro do Exército, Sylvio Frota, por exemplo) e acabou com o AI-5.

Em 1975, o fotógrafo Orlando Brito, do jornal O Globo, acompanhava o presidente em uma viagem oficial ao Rio Grande do Norte quando o viu passeando de calção pela praia. Disparou a clicar, mas achava que as fotos seriam censuradas — generais em roupa de banho não costumavam ser fotografados no Brasil da ditadura.

À revista Poder, Brito contou: “Fotografei dois rolos. Um escondi e outro ficou na câmera, pronto para ser tomado pelos militares”. No café da manha, um general perguntou o que estava fotografando na praia.

Humberto Esmeraldo Barreto, secretário de Comunicação da Presidência, interveio: “Não há problema. O presidente foi à praia, um lugar público, e pode ser fotografado sem a farda. Os tempos são outros”.

Para Brito (e para o país) foi um divisor de águas. “Quando ele disse ‘os tempos são outros’, entendi que a partir dali a ditadura iria viver o princípio do fim”.