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De parceiro de Joana D'arc a brutal serial killer: A saga de Gilles de Rais

O Barão de Rais era um herói de guerra e após a perda de Joana assassinou brutalmente 200 crianças, tornando-se o primeiro pedófilo e serial killer da História

Alana Sousa Publicado em 27/05/2020, às 18h00

Gilles de Rais
Gilles de Rais - Wikimedia Commons

No século 15, viveu Gilles de Rais, parceiro de Joana D’arc e líder do exército francês durante a Guerra dos Cem Anos. Sua carreira militar foi de grande glória até que, após se aposentar dos campos de batalhas, se dedicou ao ocultismo, a morte e orgias. Enquanto sua parceira é lembrada como uma grande heroína e santa da França, Gilles ficou eternizado como o primeiro serial killer e pedófilo da História.

Nascido de família rica, Rais teve uma infância de privilégios, estudava latim, tinha uma inteligência acima da média e dividia seus estudos entre conhecimentos militares, morais e intelectuais. Aos 11 anos ficou órfão e foi morar com o avô. De uma vida tranquila, passou a sofrer com os abusos do guardião.

Aos 22 anos ingressou no exército, aonde realizou célebres feitos. Apesar de lutar ao lado de Joana, nunca tentou impedir sua morte perante a Inquisição, e acompanhou de perto o plano de traição tramado pelos franceses e pelo rei, Carlos VII.

Em meados de 1435, apenas três anos depois da morte de Joana D’arc, Gilles decidiu que era hora de se retirar dos serviços militares e dedicar-se aos seus planos pessoais. Os quais incluíam a construção da extravagante Capela dos Santos Inocentes e a produção da peça teatral intitulada Le Mistère du Siège d'Orléans.

Os projetos exigiram quase todo o dinheiro que Rais possuía, para manter seus desejos ele precisou vender diversas propriedades, preocupando os membros de sua família, que apelaram para que o rei impedisse que Gilles gastasse mais dinheiro. Com sucesso, Carlos VII proibiu que o Barão de Rais vendesse qualquer bem em nome da família.

Julgamento de Gilles / Crédito: Wikimedia Commons

 

O primeiro serial killer

Em 1438, Gilles encontrou uma nova obsessão: a alquimia. Incansavelmente, o Barão procurou por pessoas que pudessem convocar demônios. Dois anos depois, a família de Rais ainda revoltada por ter perdido a fortuna devido aos caprichos do ex-militar, decidiu que a melhor forma de fazê-lo pagar seria expondo suas atrocidades — supostamente conhecidas há quase uma década.

No ano de 1440, Gilles foi denunciado formalmente para a corte. João VI, Duque da Bretanha, iniciou um processo para condenar o Barão de Rais. Durante os julgamentos, descobriu-se que centenas de crianças foram assassinadas por ele, sendo que as primeiras mortes ocorreram em 1432.

Étienne Corrillaut, assistente de Rais, contou em julgamento que as vítimas eram mortas por Gilles, que antes de cometer o homicídio dizia para as crianças que queria brincar com elas, o sádico se masturbava e tocava nos órgãos genitais dos meninos ou meninas. Na maioria das vezes ele abusava dos jovens antes de mata-los, mas em algumas ocasiões, o Barão optava por violentar os adolescentes após cortar suas gargantas. Segundo Corrillaut, ele sentia “infinitamente mais prazer em se libertar dessa maneira”.

A capanga foi uma peça essencial no processo contra Gilles. A mulher ainda acusou outro criado, chamado apenas de Henriet. De acordo com Étienne, os três matavam as vítimas por decapitação, um corte na garganta ou quebra de pescoço.

Apesar das confissões terem sido feitos a base de tortura, prática comum na Idade Média, o próprio Gilles acabou admitindo seus crimes. O serial killer foi capturado e torturado, foi quando revelou que todas as acusações contra ele eram reais.

“Quando as crianças estavam mortas, ele as beijava e aquelas que tinham os membros e cabeças mais bonitas ele erguia para admirá-las. Elas também tinham seus corpos cruelmente abertos e Rais se deliciava ao ver seus órgãos internos e, muitas vezes, quando as crianças estavam morrendo, ele sentava-se de bruços e sentia prazer em vê-las morrer e ria”, dizia parte do depoimento de uma testemunha, o qual Gilles ouviu e admitiu ser verídico.

Execução de Gilles de Rais / Crédito: Wikimedia Commons

 

Concluiu-se que o macabro assassino matou entre 80 e 200 pessoas, em sua maioria meninos de seis a 18 anos. Em 25 de outubro de 1440, Gilles foi condenado à morte, assim como Henriet e Corrillaut.

“Gilles de Rais falou aberta e voluntariamente a todos os presentes e confessou que devido ao ardor e prazer ao satisfazer seus desejos carnais, havia matado um grande número de crianças. Às vezes, as havia submetido vários tipos de tortura”, dizia parte de veredito.

Ele foi morto em 26 de outubro de 1440 por enforcamento, seu corpo foi incinerado logo em seguida, na cidade de Nantes, na França. Acredita-se que sua história tenha servido de inspiração para o conto Barba Azul, de Charles Perrault.


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