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Giovanni de Agostini: O monge italiano que peregrinou pelas Américas

Vivendo em cavernas e montanhas, o religioso marcou os locais onde passou — chegando a ir para a cadeia por atrair muitos adeptos

Joseane Pereira Publicado em 27/11/2019, às 09h00

Giovanni Maria de Agostini, o monge que peregrinou pelas Américas
Giovanni Maria de Agostini, o monge que peregrinou pelas Américas - Reprodução/Youtube

Nascido em 1801 em Piemonte, Itália, Giovanni Agostini nunca fez parte de um mosteiro estabelecido. De acordo com seus escritos, ele teria "começado a se inclinar para uma vida solitária" na prematura idade de cinco anos. Entretanto, o isolamento característico dos mosteiros não fazia seu perfil — ele acabou passando toda a vida em longas peregrinações.

VIDA PEREGRINA

Segundo David Thomas, autor da biografia “Maravilha do Século: o surpreendente viajante do mundo que era eremita”, o monge teria se inspirado na ordem Maronita para realizar suas viagens. “Ele ia a algum lugar, escolhia uma caverna para morar e depois vivia uma vida exemplar por lá”, afirma o autor. Viajando para Roma, França e Espanha, ele acabou chegando às Américas em 1838 e atravessou os Andes duas vezes.

De 1843 a 1852, Agostini viajou para estados brasileiros como Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — onde atraiu tantos adeptos que acabou sendo preso pelo governo. Suas incursões pelo Brasil lhe renderam a fama de curandeiro, e muitas das cidades por onde ele passou guardam lembranças e devoção.

Giovanni Agostini / Crédito: Wikimedia Commons

 

No ano de 1861, já com 60 anos, Agostini viajou para o México, onde mais uma vez chamou a atenção de inúmeros seguidores. Dessa vez, as autoridades enviaram o monge para um manicômio. Sendo deportado para Cuba, ele acabou indo de navio a Nova York, caminhando quase 600 km até chegar em Montreal, no Canadá.

Sobre esse episódio, ele escreveria em seu diário: “O clima frio da Nova França parecia ter congelado o coração de seus habitantes. Minhas roupas esfarrapadas e aparência mesquinha não agradaram os canadenses, que desconfiavam e fugiam de mim. Foi o período mais triste da minha vida”.

CAVERNA NO NOVO MÉXICO

Após as decepções, Agostini decidiu explorar o Oeste americano. Chegando ao Novo México em 1863, ele instalou-se em uma pequena caverna, e caminhava a Las Vegas todos os domingos para ir à missa. Jornais da época relatavam que as “pessoas estavam tão impressionadas com o caráter religioso do recém-chegado que começaram a fazer peregrinações em grande número à sua morada solitária. Os visitantes voltavam com histórias sobre como o eremita havia curado suas doenças”.

Durante os últimos anos da década de 1860, a caverna foi seu local de descanso e orações. Até que em 1869 ele foi atacado por pessoas desconhecidas, sendo encontrado morto com um crucifixo na mão. Hoje em dia, milhares de pessoas viajam ao Pico do Eremita, no Novo México, para relembrar e fazer pedidos ao religioso que tanto viajou pelo continente Americano.


Saiba mais sobre essa história através das obras abaixo: 

Giovanni Maria de Agostini, Wonder of the Century: The Astonishing World Traveler Who Was a Hermit, David G. Thomas (2014)

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Por que monges vivem mais: A sabedoria dos mosteiros para corpo, alma e espírito, Manfred Bohm

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Caminho de Santiago, José Antonio Garcia Monge (2002)

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