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Gravações intensas e referências: Os bastidores de ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, segundo livro

A reverenciada produção dos anos 1990 até hoje encanta gerações

Wallacy Ferrari Publicado em 15/05/2022, às 09h00

Elenco reunido com caracterizações de
Elenco reunido com caracterizações de - Divulgação / Fundação Padre Anchieta / TV Cultura

Transmitido pela TV Cultura durante a década de 1990 e reprisado nas décadas seguintes, o 'Castelo Rá-Tim-Bum' conquistou o público infanto-juvenil brasileiro ao misturar dinâmicas criativas com muita fantasia.

No ano de 2019, o jornalista Bruno Capelas reuniu uma série de entrevistas revelando as dinâmicas de gravação do seriado através do livro “Raios e Trovões: A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum”. O projeto, que surgiu enquanto o escritor cursava jornalismo na USP, foi desenvolvido ao longo de 5 anos com os principais envolvidos na obra.

Entrevistando elenco, produção e até o diretor Cao Hamburger, ele não apenas descobriu que a abertura, mostrando o castelo, era feita com uma maquete, mas também revelou referências que interferiram diretamente na elaboração dos personagens — uma delas envolvendo um dos maiores comunicadores da história do país.

Origem dos personagens

Um das inspirações do vilão da série, o Dr. Abobrinha, tem base em uma ocorrência que chamava atenção do intérprete do personagem, o ator Pascoal de Conceição, na época das gravações; o apresentador Silvio Santos tentava adquirir o Teatro Oficina, local onde o ator trabalhava, para construir um conjunto de prédios na região — desejo que, inclusive, o grupo imobiliário do empresário mobiliza na Justiça até os dias atuais.

Tal interesse era semelhante ao do vilão, cujo plano máximo era destruir o castelo para construir um "pequeno" shopping center de 100 andares, além de tentar forçar os moradores da residência a assinarem contratos de venda disfarçados de outros documentos.

Bastidores das gravações de 'Castelo Rá-Tim-Bum' / Crédito: Divulgação / Fundação Padre Anchieta / TV Cultura

Complicações nos bastidores

Se engana quem acredita que a elaborada produção era vista apenas como diversão aos artistas, que atravessaram desafios durante as filmagens. O elenco teve de lidar com a perda do ator Wagner Bello, intérprete de Etevaldo, ainda no ano de lançamento da produção, em 1994, que faleceu em decorrência do HIV.

Além disso, a saúde de Cassio Scapin, que interpretou Nino, se deteriorou em meio a rotina intensa de gravações, sofrendo de esgotamento nervoso e ficando paralisado de todo o lado esquerdo do corpo por um período. Com isso, o roteiro foi adaptado e, por alguns episódios, ele só apareceu na cama, como se tivesse adoecido de maneira fictícia.

Outra alteração no roteiro se deu após um acidente durante uma gravação com o pequeno Fredy Allan, que fazia Zequinha; ao tropeçar no pé de Cinthya Raquel, que interpretava a Biba, ele quebrou o braço e teve que usar uma tipoia nas gravações posteriores. Quando indagado em cena, no entanto, simplesmente revelava aos personagem que quebrou o braço.