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Crueldade mórbida: as guardas dos campos de extermínio nazistas

Na Alemanha nazista, essas mulheres serviram como responsáveis pelos campos de morte

Joseane Pereira Publicado em 24/09/2019, às 10h00

Guardas femininas de Auschwitz (colorizado)
Guardas femininas de Auschwitz (colorizado) - Reprodução

Em 1945, após os prisioneiros de Auschwitz serem libertos, muitos dos ex-guardas e organizadores do campo foram executados pelos Aliados. Mas a execução preocupava mais os funcionários do sexo masculino, pois as mulheres eram vistas como simples auxiliares que não tinham papel real nos crimes.

Rostos femininos

Dos 55 mil guardas que serviam no campo, 3.700 eram mulheres. Quando as tropas norte-americanas chegaram, cerca de mil delas foram detidas e o restante ganhou a liberdade, pois nenhuma evidência substancial de crime foi encontrada. Entretanto, mais tarde ficou claro que as mulheres participavam ativamente das mortes.

Hilde Liesewitz, sentenciada a 1 ano de prisão / Crédito: Reprodução

 

Com apenas 23 anos, Liesewitz trabalhou durante poucos meses no campo de Bergen-Belsen, e foi lembrada pelos prisioneiros como assumindo sua tarefa com prazer: dizia-se que ela havia espancado dois homens perto da morte como punição por roubarem um nabo. Liesewitz serviu um ano por seus crimes, vivendo até a velhice em Hamburgo.

Durante o serviço no campo, essas funcionárias ficaram conhecidas como Aufseherin, ou Atendentes. Muitas eram de classe social baixa e não possuíam experiência profissional, tendo se instalado no posto para demonstrar seu amor pelo Terceiro Reich.

Elizabeth Volkenrath, sentenciada a morte / Crédito: Reprodução

 

Descrita como uma das mulheres mais cruéis da história, a diretora-chefe Volkenrath selecionava pessoalmente prisioneiros para as câmaras de gás. Ela trabalhou em campos de concentração durante cinco anos, sendo executada por crimes contra a humanidade com apenas 26 anos.

Algumas das moças foram recrutadas em organizações patrocinadas pelos nazistas, como a Liga das Garotas Alemãs, onde se doutrinaram na ideologia do Partido. E, por serem do grupo voluntário SS-Gefolge, não vinculado formalmente ao nazismo, muitas alegaram não fazer parte do regime, quando colocadas em julgamento.

Johana Borman, sentenciada a morte / Crédito: Reprodução

 

Tendo trabalhado em um manicômio antes da guerra e conhecida como a Mulher com Cães, Johana Bormann tinha um sadismo que chocou até os oficiais da SS: em várias ocasiões, ela matou prisioneiros atirando seus cães neles. Bormann foi condenada à morte pelo Tribunal Militar Britânico, enforcada em dezembro de 1945, com 52 anos.

As mulheres passaram a ser recrutadas nos campos de extermínio devido à escassez de mão de obra masculina, pois os homens cada vez mais se dedicavam às frentes de batalha. Em sua maioria, elas foram retiradas do trabalho nas fábricas.

Uma figura conhecida por seu sadismo e crueldade com os detentos foi Ilsa Koch, esposa do comandante Karl-Otto Koch, que dirigia acampamentos em Buchenwald e Sachsenhausen. Segundo relatos de ex-prisioneiros, Ilsa colecionava pedaços de pele tatuada de vítimas dos campos, e era conhecida como A Bruxa de Buchenwald.