Matérias » Personagem

Princesa nazista e espiã alemã: Gudrun Burwitz, a filha de Heinrich Himmler

Recendo o apelido de "Princesa nazista" pela mídia, Burwitz nada aprendeu com os atos brutais do próprio pai

Daniela Bazi Publicado em 07/08/2020, às 09h47

Gudrun Burwitz ao lado do pai
Gudrun Burwitz ao lado do pai - Domínio Público

Gudrun Burwitz era a filha mais velha do comandante da SS e braço direito de Adolf Hitler, Heinrich Himmler. Até a sua morte aos 88 anos, em maio de 2018, ela defendeu a imagem do pai e compareceu frequentemente em eventos e manifestações neonazistas, o que levou parte da imprensa a chamá-la de princesa nazista.

Durante as décadas de 1930 e 1940, Gudrun Burwitz costumava acompanhar frequentemente o pai em aparições públicas. Aos 12 anos, Heinrich a levou até o campo de concentração de Dachau onde, de acordo com o Washington Post, descreveu o seguinte em seu diário: "Hoje fomos ao campo de concentração das SS em Dachau. Vimos o trabalho de jardinagem. Vimos as árvores de fruta. Vimos todos os desenhos pintados pelos prisioneiros. Maravilhoso. E depois tivemos imensas coisas para comer. Foi muito agradável".

Em sua única entrevista, em 1959, ao jornalista Norbert Leber, Gudrun revelou que tinha o desejo de mudar a reputação no pai na história. "Meu pai é visto hoje como o maior genocida da história. Quero mudar essa imagem”.

Gudrun Burwitz e seu pai Heinrich Himmler em 1938 / Créditos: Getty Images

 

Himmler cometeu suicídio em 1945 após ser capturado junto de sua família por tropas britânicas, quando Burwitz tinha apenas 15 anos. A garota e sua mãe Margarete só foram soltas um ano depois.

De acordo com o livro Espanhóis no Holocausto: Vida e Morte dos Republicanos em Mathausen, a filha de Himmler além de ser dona de casa, também era integrante do grupo secreto Stille Hilfe, que ajudava ex-integrantes da SS de forma legal e financeira, e era membro ativa da organização Juventude Viking, fundada em 1950, que seguia o modelo da Juventude Hitlerista.

Gudrun também teria ajudado um ex-guarda de um campo de concentração ao arranjá-lo um apartapento em um asilo perto de Munique, no final dos anos 1980, e costumava visitá-lo duas vezes por semana. 

Entretanto, em julho de 2018, segundo uma reportagem da revista alemã Bild, foi descoberto que na década de 1960, Burwitz teria sido contratada pelo Serviço Federal de Inteligência (BDN, na sigla em alemão), agência que praticava espionagem para a Alemanha Ocidental.

O chefe do departamento de história da BDN Bodo Hechelhammer, confirmou que a princesa nazista integrou a organização até 1963, trabalhando como secretária, utilizando um nome falso. O líder da agência na época era Reinhard Gehlen, ex-comandante nazista, que com a queda do Terceiro Reich passou a ajudar os Estados Unidos.

Segundo Hechelhammer, a organização não tem o costume de revelar seus funcionários antigos ou atuais, mas que, com a morte de Gudrun foi aberta uma exceção já que "o momento (da morte de Gudrun Burwitz) coincidiu com um começo de mudança na compreensão sobre empregados públicos que estiveram envolvidos com o nazismo".


++Saiba mais sobre a Grande Guerra através de grandes obras disponíveis na Amazon Brasil

A Segunda Guerra Mundial: Os 2.174 dias que mudaram o mundo, de Martin Gilbert (2014) - https://amzn.to/2RdWQeu

A Segunda Guerra Mundial, de Antony Beevor (2015) - https://amzn.to/2Lgur3l

Guerra: O horror da guerra e seu legado para a humanidade, de Ian Morris (2015) - https://amzn.to/37RGL3M

Box Memórias da Segunda Guerra Mundial (2017) - https://amzn.to/2LgFw4z

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp 

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W