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Gus Grissom, o astronauta que bateu de frente com a morte duas vezes — e não resistiu na segunda

Membro do Corpo de Astronautas da NASA, o piloto participou do Projeto Apollo, onde encontrou um trágico fim

Victória Gearini Publicado em 28/07/2020, às 21h55

O astronauta Gus Grissom com traje espacial
O astronauta Gus Grissom com traje espacial - Wikimedia Commons

Virgil Ivan Grissom, mais conhecido como por Gus Grissom, foi um piloto selecionado pela (NASA) para ser um dos primeiros estadunidenses a ir ao espaço sideral. Membro do Corpo de Astronautas da NASA, Grissom foi o segundo norte-americano a voar no espaço duas vezes. Em ambas, o astronauta bateu de frente com a morte, e acabou não resistindo na segunda. 

Nascido em 03 abril de 1926, o veterano da Segunda Guerra Mundial atuou como engenheiro mecânico e piloto de testes da USAF. Ao longo da sua vida, conquistou inúmeros prêmios, entre eles a Medalha Aérea, duas Medalhas de Serviço Distintas da NASA e a Medalha de Honra Espacial do Congresso.

Grissom casou-se em 6 de julho de 1945 na Primeira Igreja Batista em Mitchell, com Betty Lavonne Moore, com quem dois filhos: Scott e Mark— ambos seguiram carreiras relacionadas à aviação. Apaixonado por esportes, entre eles aquáticos e esqui, Grissom aperfeiçoou seu treinamento como piloto de teste na Base da Força Aérea de Edwards, na Califórnia e, posteriormente, foi designado para atuar na Base da Força Aérea Wright-Patterson, em Ohio.

Primeiro acidente 

Em 21 de julho de 1961, enquanto Grissom pilotava a nave do Project Mercury, Mercury-Redstone 4, ele sofreu um grave acidente que quase o matou. A sonda que ele chamou de Liberty Bell 7 foi lançada em Cape Canaveral, na Flórida, e o vôo sub-orbital durou cerca de 15 minutos.

Entretanto, os parafusos explosivos logo foram disparados com emergência, soprando a escotilha. Tal fato ocasionou uma inundação no interior da nave espacial. Grissom conseguiu sair a tempo por meio de uma escotilha aberta e mergulhou no oceano para se salvar. 

 Gus Grissom em 1964 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Enquanto esperava pelo resgate, seu traje espacial começou a perder flutuabilidade em decorrência de um furo na entrada de ar. Pouco tempo depois, um helicóptero o puxou para fora do oceano e o levou em segurança até o navio da Marinha dos Estados Unidos. A sonda Liberty Bell 7, no entanto, foi tomada pela inundação e afundou no oceano, sendo retirada de lá apenas em 1999.

Quando Grissom foi questionado pela mídia sobre o que poderia ter ocasionado o acidente, ele disse que não sabia, pois havia seguido todos os protocolos de segurança. O astronauta afirmou, ainda, que ao chegar na frente do cronograma da missão, retirou a tampa do detonador e puxou o pino de segurança. 

Na época, as autoridades da NASA concluíram que Grissom não iniciou o disparo da escotilha explosiva de forma correta. Posteriormente, quando trabalhou no Programa Apollo, Grissom recebeu o apelido de Gruff Gus por ser sincero sobre as deficiências técnicas da espaçonave

Acidente fatal 

No dia 27 de janeiro de 1967, durante um teste de pré-lançamento na Plataforma de Lançamento 34, em Cape Kennedy, o Módulo de Comando pegou fogo antes do lançamento planejado da Apollo 1. Na ocasião, Grissom e os especialistas White e Chaffee, trabalhavam no interior do Módulo de Comando.

Em decorrência do incêndio, os astronautas foram asfixiados até a morte. O caso foi atribuído à diversos riscos letais no projeto e às condições iniciais do teste de CSM, dentre elas atmosfera pressurizada, falhas na fiação elétrica, ineficiência dos trajes, entre outros. 

O enterro de Grissom aconteceu no dia 31 de janeiro de 1967, e o seu corpo foi enterrado no Cemitério Nacional de Arlington. O presidente Lyndon B. Johnson, membros do Congresso dos EUA e outros astronautas da NASA, compareceram ao funeral. Após o fatídico episódio, os problemas da Apollo foram corrigidos com a Apollo 7. Comandada por Wally Schirra, a espaçonave foi lançada em 11 de outubro de 1968, mais de um ano depois do acidente que tirou a vida de Grissom. 


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