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Há 104 anos, Yuan Shikai abdicava do trono, dando início definitivo à República Chinesa

Antes de se declarar imperador, o singular general chinês foi presidente; e continuou no poder mesmo depois do fim da monarquia. Entenda o caso

André Nogueira Publicado em 22/03/2020, às 06h00

Yuan Shikai
Yuan Shikai - Wikimedia Commons

O Império Chinês teve um dos fins mais conturbados da história recente, cujo princípio esteve relacionado a uma série de confrontos pelo poder já no final do século 19, envolvendo os principais protagonistas da formação da República da China em 1916. Principal personagem desse episódio, o militar Yuan Shikai exemplifica a dubiedade do processo, por pender entre o republicanismo e a monarquia em uma querela pelo comando da nação asiática.

Shikai era de origem abastada e foi o grande responsável pela reconstrução das Forças Armadas chinesas durante a retomada do poder da Imperatriz Cixi nos anos 1890, logo após a derrota do país contra o Japão. As tropas de Yuan eram as mais fortes do Império, o que possibilitou o grande protagonismo político do general, chegando a se tornar conselheiro da monarquia.

No entanto, quando Cixi morreu, forças da oposição conseguiram afastar Shikai de Pequim até a Revolução de 1911, que instaurou a primeira república no país. Com a queda da Dinastia Qing, o militar foi novamente convocado à capital, empreendendo importantes vitórias contra os revoltosos republicanos de Wuhan, forçando negociações pela paz política.

Shikai assume pela primeira vez como presidente da China / Crédito: Wikimedia Commons

 

Senhor das negociações

Mestre da política institucional, Yuan convenceu os republicanos a diminuírem os ataques contra a capital e, ao mesmo tempo, provou a Longyu, mãe de Pu Yi, que o melhor para a manutenção de seu poder era uma associação com o novo regime. Ela, então, emitiu um documento em apoio ao governo em ascensão e abdicou o trono, deixando-o ao filho de seis anos.

Em meio ao caos político, o líder da Aliança Revolucionária, que comandava o movimento republicano (esse poder alternativo que sediava seu comando em Nanjing), Sun Yat-sen, também renunciou. A solução para essa querela foi a proclamação de uma nova China unificada, de matriz republicana, e Yuan Shikai tornou-se o primeiro presidente.

O movimento não diminuiu os conflitos internos pelo poder da China. Yuan demonstrava-se bastante autoritário, empreendendo fortes repressões contra o Kuomintang (Partido Nacionalista), que crescia e fazia oposição ao presidente. Yat-sen fugiu para o Japão e, de lá, comandou outra revolta. O levante foi esmagado.

Sun Yat-sen, presidente da China Republicana antes da unificação / Crédito: Wikimedia Commons

 

Então, num golpe institucional pela manutenção de seu poder, o presidente tomou uma ação inesperada: diante da ineficácia do parlamento, anunciou a restauração da monarquia, a criação de uma nova dinastia, a Hongxian, e a sua posse como novo Imperador da China, em 1915.

Governo monárquico e restauração da República

O ato foi tão despótico que uniu diversos opositores anteriormente em conflito, incluindo ex-apoiadores da ala conservadora. Seu maior apoio internacional, a Inglaterra, se ausentava pela Primeira Guerra. Shikai estava encurralado em sua tentativa de ter poder absoluto e, ao fim, seu governo monárquico durou apenas 83 dias.

O quadro nacional de seu governo forçou Yuan a, finalmente, em 22 de março de 1916, declarar o fim definitivo do Império Chinês, cuja monarquia foi novamente substituída pela República, mas o imperador manteve-se no poder, como presidente.

Cada vez mais, o mandato de Yuan Shikai tornava-se inviável, mas o presidente se manteve resistente. As exigências de sua renúncia vinham dos mais diversos polos. Yuan estava velho e doente, o que fez com que seu governo republicano durasse apenas mais três meses. Após muita luta, o militar só deixou o poder devido à sua morte, aos 56 anos, estando ainda no cargo.

Chiang Kai-shek, líder do Kuomintang / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com sua morte, a presidência da república tornou-se vaga e teve início uma era de 12 anos de guerras senhoriais numa disputa pelo poder regional contra as autoridades de Pequim, que tinham pouquíssimo poder para resistir.

A Era do Senhor da Guerra, como é chamado o período, teve fim em 1928, com a reunificação da China e a Década de Nanquim, que logo se converteu num conflito civil entre os nacionalistas do Kuomintang e os comunistas liderados por Mao Zedong.


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