Matérias » EUA

Há 107 anos, Theodore Roosevelt continuava um discurso de 84 minutos após ser baleado

Mesmo tendo sofrido um tiro no peito, o ex-presidente dos Estados Unidos foi implacável em sua fala

Joseane Pereira Publicado em 14/10/2019, às 12h00

Roosevelt discursando em 1912
Roosevelt discursando em 1912 - Wikimedia Commons

No ano de 1912, Theodore Roosevelt participava da corrida pela presidência dos EUA com um forte apoio popular. Entretanto, apesar de adorado por grande parte dos votantes, Roosevelt também tinha inimigos perigosos - como John Schrank, um proprietário de bar que acabaria marcando a sua trajetória com um episódio curioso.

Inimigo de Roosevelt

Como afirma o pesquisador Gerard Helferich em sua obra "Theodore Roosevelt and the Assassin", John Schrank era obcecado pelo ex-presidente e cultivava por ele uma raiva mortal. Tal ódio resultou em um ataque no dia 14 de outubro daquele ano, durante campanha no estado norte-americano de Wisconsin.

Enquanto o candidato saía do hotel onde estava hospedado para dirigir-se ao Auditório de Milwaukee onde faria um discurso, o suposto assassino atingiu-o com um tiro no peito. Graças aos óculos de metal e às 50 páginas de discurso que tinha no bolso, o tiro acabou não sendo fatal.

John Schrank / Crédito: Wikimedia Commons

 

Como Roosevelt estava determinado a discursar em sua campanha, nem uma tentativa de assassinato o afastaria de seu objetivo. Após tossir nas mãos para checar se não havia sangue no cuspe, ele se direcionou para o auditório.

O discurso

A fala teve duração de 84 minutos, se iniciando de maneira sincera: "Amigos, vou pedir para vocês ficarem o mais quietos possível. Não sei se vocês entendem completamente que acabei de levar um tiro. Mas é preciso mais do que isso para matar um Bull Moose”.

“Felizmente eu tinha meu manuscrito, e vocês podem ver que eu ia fazer um discurso longo. Há nele um buraco por onde a bala passou, que provavelmente me salvou. A bala está em mim agora, para que eu não possa fazer uma discurso muito longo, mas vou tentar o meu melhor", completou ele.

Segundo afirma Clay S. Jenkinson, pesquisador do Centro Theodore Roosevelt na Universidade Estadual de Dickinson, o presidente teria compreendido bem o teatro político. "Como Ronald Reagan, que respondeu ao seu quase assassinato da mesma maneira, Roosevelt sabia que o discurso ajudaria a consolidar sua lenda. Como se costuma dizer sobre a morte de Elvis no início dos anos 40, pode-se dizer que essa foi uma grande jogada de carreira”.

Mais tarde, os médicos determinaram ser mais arriscado remover a bala do que deixá-la no peito. E assim Roosevelt terminou o resto da campanha, com uma bala nas costelas que permaneceu lá até sua morte, em 1919.


Saiba mais com a obra The Rise of Theodore Roosevelt, de Edmund Morris (2001) - https://amzn.to/2VK0rkx

Vale lembrar que os preços e quantidade disponível das obras condizem com os da data de publicação deste post. Além disso, a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.