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Há 130 anos, morria Dom Pedro II, o último imperador

Apesar da queda da monarquia e banimento no Brasil, Pedro foi honrado na França

Paola Orlovas, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 04/12/2021, às 00h00

Pintura de Dom Pedro II
Pintura de Dom Pedro II - Wikimedia Commons

Neste domingo, 5, fazem 130 anos que o imperador Dom Pedro II, que ficou conhecido por ter sido o governante que comandou o Brasil por mais tempo em toda a história, faleceu durante o seu exílio na Europa, no ano de 1891, tendo sucumbido a pneumonia, que surgiu após uma gripe.

A figura, segundo o depoimento do historiador Bruno de Cerqueira, que faz parte do Instituto Dona Isabel I, para a Agência Brasil em 2011, é considerada central para a manutenção da unidade territorial brasileira de sua época, mas isso não impediu que fosse deixado de lado com o Brasil República. Dom Pedro foi banido do Brasil em 1889, assim como o resto da família imperial.

Como o banimento, o antigo imperador passou seus últimos anos na Europa, vivendo entre hospedagens modestas de países como França e Império Austro-Húngaro, até morrer às 00:35 do dia 5 de dezembro de 1891, apenas três dias depois de seu aniversário de 66 anos, no hotel Bedford, em território francês.

A morte de Dom Pedro II se deu dias após um passeio de carruagem pelas margens do Rio Sena durante uma noite fria, que acabou lhe rendendo um resfriado.

Pouco tempo depois, o que aparentava ser apenas uma gripe evoluiria, e se tornaria uma pneumonia que piorou rapidamente e o levou até a sua morte.

O historiador Bruno de Cerqueira ainda explicou que o papel do imperador como um regente não foi importante apenas enquanto adulto, mas também durante a sua infância. 

Se não tivesse essa criança como centro do poder no Rio de Janeiro, não teria havido a continuidade do Brasil. O Brasil teria deixado de existir. Teriam sido criados diversos países aqui. Depois, em seu governo, foi ele que solidificou todas as instituições nacionais”, disse ele em reportagem da Agência Brasil.

Bruno de Cerqueira ainda se lembra dos eventos que se deram enquanto Dom Pedro II era imperador, cargo que ganhou ao ser coroado com 15 anos de idade em 1841: a instauração do parlamentarismo no Brasil durante o ano de 1847, a Guerra do Paraguai que se deu entre 1864 e 1870, e a abolição da escravatura em 1888. 

Em 1889, Dom Pedro saiu do poder com um golpe militar liderado por Deodoro da Fonseca, marechal que instaurou a República no dia 15 de novembro.

Com isso, passou o resto de sua vida banido do Brasil, com o banimento da Família Imperial sendo suspenso apenas em 1920, quase trinta anos após sua morte.

Ele também explica que Dom Pedro II estava debilitado por conta de sua diabetes quando contraiu pneumonia em Paris, e não deixou de contar para a Agência Brasil como que a sociedade francesa e o governo brasileiro da época lidaram com sua morte:

Ocorreu uma coisa extremamente interessante, porque a França deu honras de imperador. Cento e vinte mil pessoas assistiram ao funeral, mas a nossa República não permitiu que o embaixador do Brasil em Paris o assistisse”, afirma.

Os restos mortais do antigo imperador não veriam o Brasil até 1920, quando houve o fim do banimento da família imperial e eles foram levados para o Mausoléu Imperial, dentro da Catedral de Petrópolis, na serra do Rio de Janeiro, onde se encontram sepultados.