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Há 15 anos, Evo Morales assumia a presidência da Bolívia

Primeiro presidente indígena do país, Morales abandonou o cargo depois de 13 anos no poder devido a uma turbulenta crise

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 22/01/2021, às 00h00

O ex-presidente boliviano Evo Morales
O ex-presidente boliviano Evo Morales - Getty Images

Em 22 de janeiro de 2006, o primeiro presidente indígena da Bolívia tomou posse. Ativista, cocaleiro e sindicalista, Evo Morales se mostrava como parte da mudança de ares da América Latina. A Guinada à esquerda, também conhecida como onda rosa, tomou o continente entre as décadas de 1990 e 2010. 

Naquele período, inúmeros líderes ligados à esquerda e ao reformismo no geral foram eleitos em muitos países na América do Sul. No Brasil, Lula assumiu em 2003. Na Venezuela, isso aconteceu um pouco antes, com Hugo Chávez subindo ao poder em 1999. Na Bolívia, Evo foi a figura chave.

Ele surgiu como candidato a deputado nacional em 1995, sendo eleito para o Congresso dois anos depois. Como líder do partido Movimento pelo Socialismo (MAS), em 2002 se lançou à presidência pela primeira vez. Mas, na verdade, ele não era um desconhecido nos meios de luta política: por muito tempo, esteve no sindicalismo.

História política

Morales nasceu e cresceu em uma família de agricultores no pequeno vilarejo rural de Isallawi, no oeste da Bolívia. Desde muito novo, ele ajudou seus pais nas plantações, colhendo as safras, sendo também responsável por guardar o rebanho de lhamas e ovelhas da família.

Já em sua juventude, prestou o serviço militar obrigatório do país, mas, ao retornar para sua família, não voltou para Isallawi. Na década de 1980, o fenômeno El Niño estava assolando a região, causando estragos principalmente na área em que eles viviam. Para fugir da devastação causada pelo evento climático, eles se mudaram para o Trópico de Cochabamba.

A região é amplamente conhecida por sua produção de coca, uma planta medicinal nativa do país e do Peru. O maior problema foi a transformação dela em droga: quando a política da Guerra às Drogas do governo dos Estados Unidos passou a operar, com o aumento do envio de drogas ao país, quem sofreu mais foram os cocaleiros.

Eles enviavam tropas para queimar as plantações, acabando com a forma de sustento de inúmeras famílias. Em um ato anti-imperialista, ativistas passaram a afirmar: "Viva a coca! Morte aos ianques!". A partir daí, Evo passou a ter uma vida ligada à política, ligando-se ao sindicato de cocaleiros da região em que vivia. 

Presidência

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales / Crédito: Gettty Images

 

Evo foi secretário-geral de seu sindicato, deputado nacional e, enfim, presidente, depois de perder na primeira vez que se candidatou ao cargo, ficando em segundo lugar. Em 2006, ele se tornou o primeiro presidente indígena a assumir a presidência, e carregou consigo sua trajetória como ativista cocaleiro. Em sua campanha e seu governo, afirmava que lutaria pelos direitos dos plantadores de coca.

Durante seus anos na presidência, que continuaram após ele ser eleito novamente para o mandato de 2009 a 2014, ele estabeleceu uma nova constituição — que declarou a Bolívia como “plurinacional”, abarcando os grupos étnicos do país —, combateu a pobreza e propôs programas sociais.

Entre 2006 e 2018, período em que esteve no cargo de presidente, a pobreza extrema da Bolívia caiu de 38% para 17%. Um processo de renacionalização das indústrias de petróleo e gás também foi colocado à tona no país, seguindo o anti-imperialismo colocado como parte do socialismo de Morales.

Muitos consideraram as propostas do presidente como muito radical. Alguns escândalos de corrupção aconteceram. Mas o maior dos problemas veio em 2019, quando ele foi eleito para seu quarto mandato. Naquele momento, os questionamentos internacionais da validade das eleições determinaram um período conturbado no país.

Em apenas três semanas, o ex-presidente da Bolívia foi eleito, acusado de ter roubado as eleições, renunciou sua posição e afirmou a todos que seu país havia passado por um golpe de Estado. Após 13 anos no poder, Evo abandonou o cargo, foi para o México, onde ficou mais ou menos um mês e depois passou seu exílio político na Argentina.

Isso durou um ano. Em 2020, o partido de Morales, o MAS, venceu nas urnas, dessa vez com Luis Arce. Com isso, ele pôde voltar, finalmente, à Bolívia, assumindo a liderança do Movimento ao Socialismo assim que retornou, em novembro do ano passado. 


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