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Há 16 anos, Shoko Asahara, líder da seita que envenenou um metrô inteiro no Japão, era condenado à morte

Movido pela fé e por profecias apocalípticas, o Aum Shinrikyo matou 13 pessoas e feriu outras milhares

Fabio Previdelli Publicado em 27/02/2020, às 10h00

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Crédito: Reprodução

Os períodos pós-Guerras causaram grandes inseguranças em diversos países. Depois de todo o sofrimento e destruição, os rumos da humanidade permaneceram incertos nos anos seguintes. Muitas pessoas tinham medo de que uma grande Terceira Guerra Mundial pudesse estar próxima e, por consequência, isso acabaria pondo um fim à existência humana na Terra.

Seguindo esse preceito, Shoko Asahara criou a Aum Shinrikyo, que ficou popularmente conhecida como Culto da Verdade Suprema. Asahara e seus seguidores acreditavam, entre outras coisas, que o mundo acabaria em um futuro confronto global entre nações e somente seus integrantes iriam sobreviver. O grupo foi responsável por diversas mortes nos anos 1990.

Mas o início da organização foi totalmente diferente do seu trágico fim. Criado no começo dos anos de 1980, a seita misturava crenças budistas e hinduístas. Em 1989, a Aum ganhou grande prestígio no Japão, e foi ganhando milhares de adeptos por diversas regiões do globo. Shoko, inclusive, publicou livros e palestrou em grandes universidades — o que fez com que grande parte de seus entusiastas fossem estudantes japoneses de renomadas instituições.

Shoko Asahara meditando / Crédito: Creative Commons

 

No entanto, a radicalização do grupo tornou seus participantes perigosos. Eles passaram a sequestrar, perseguir e matar oponentes. Com a inclusão de profecias cristãs em sua doutrina, Asahara passou a se declarar, ao mesmo tempo, Jesus Cristo e o primeiro iluminado a chegar a Terra depois de Buda.

Logo em seguida, os integrantes começaram a realizar ataques terroristas pelo país. Os primeiros atentados foram tentativas frustradas de liberar cianeto de hidrogênio — gás letal — em diversas estações metroviárias do Japão.

Em 20 de março de 1995, o pior aconteceu. Liderados por Asahara, cinco membros da seita lançaram coordenadamente diversas bolsas com gás de sarin — líquido transparente e inodoro — em diversos trens na cidade de Tóquio. Ao todo, foram 13 vítimas fatais e 6 mil feridos. Diversos deles ficaram em estado vegetativo após inalarem o gás.

Mais de 150 pessoas acabaram presas por envolvimento na ação. Em 16 de maio daquele ano, foi a vez de Shoko ser levada atrás das grades. Foi só após a prisão de seu líder que as autoridades tiveram evidências o suficiente para provar o envolvimento do culto com o atentado.

Médicos socorrendo as vítimas do atentado / Crédito: Creative Commons

 

Em 27 de fevereiro de 2004, há exatos 16 anos, Shoko Asahara e outros 13 membros do grupo foram condenados à morte. No entanto, Asahara só foi executado após um longo processo com 27 acusações de homicídio — sendo executado por enforcamento em um centro de detenção em Tóquio em 6 de julho de 2018, aos 63 anos.

Após o episódio, a Aum Shinkyo passou a ser considerada uma organização terrorista nos Estados Unidos e em diversos países. Em 2000, a seita passou a adotar o nome de Aleph. Apesar de descartarem influência de Asahara, o grupo permanece em constante vigília das autoridades locais, e são considerados como uma organização perigosa até hoje.


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