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Há 18 mil anos, ave mais perigosa do mundo foi domesticada por humanos, afirma estudo

A análise chamou atenção ao método espertinho dos antepassados para criar afinidade com a violenta ave

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/09/2021, às 10h17 - Atualizado às 13h36

Imagem ilustrativa de um casuar
Imagem ilustrativa de um casuar - Wikimedia Commons / Summerdrought

Utilizando mais de mil fragmentos de cascas de ovos fossilizadas, localizadas em abrigos de rocha feitos por caçadores há 18 mil anos na Nova Guiné, um novo estudo concluiu que o ser humano conseguiu domesticar um casuar, ave conhecida como a mais perigosa já visto, como classificou a CNN Brasil.

Com longas garras e comportamento agressivo, a descoberta surpreende por ser um comportamento de milhares de anos antes da domesticação da galinha, mas é explicada pela relação afetiva do animal violento; de acordo com os pesquisadores, os domesticadores antigos coletavam o ovo do animal, se aproveitando do fato de que o casuar se apega à primeira coisa que vê após sair da casca.

Apesar do método inteligente, a principal autora do estudo, Kristina Douglass, professora-assistente de antropologia e estudos africanos na Penn State University, enalteceu que os humanos podem ter enfrentado resistência do animal: "Esta não é uma ave pequena. É uma ave enorme, teimosa e incapaz de voar que pode eviscerar você”.

As cascas de ovos fossilizadas localizadas no local passaram por escaneamentos 3D de alta resolução para analisar a espessura, buscando compreender se eram usadas como alimentos ou se estavam maduras a ponto de eclodirem e liberarem o filhote com vida. Com a segunda opção sendo a mais provável, as cascas foram datadas com carbono e suas idades variam entre 18 mil e 6 mil anos.

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