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Há 194 anos ocorria a Revolta Dezembrista, que foi brutalmente reprimida pelo czar Nicolau I

Confuso e com muita desinformação, o protesto contra a autocracia czarista buscou inspiração no Iluminismo francês

Pamela Malva Publicado em 27/12/2019, às 10h00

Pintura dos dezembristas reunidos na Praça do Senado
Pintura dos dezembristas reunidos na Praça do Senado - Wikimedia Commons

Em 1825 a política do Império Russo passava por um momento intenso: seu czar, Constantino, acabara de abdicar o trono. Assumindo por seu direito, como irmão mais novo do antigo czar, Nicolau I foi coroado.

Os militares, todavia, não ficaram satisfeitos e sentiram a necessidade de manifestar esse sentimento. Então, no dia 14 de dezembro de 1825, 3 mil soldados, chefiados por oficiais do exército, ergueram a Revolta Dezembrista.

Eram esperados, na verdade, 20 mil soldados, que não se apresentaram em totalidade. Mesmo assim, o protesto contra a coroação de Nicolau I seguiu. O grupo se uniu na Praça do Senado, em São Petersburgo. Lá, com bandeiras tremulando e tambores tocando, se reunira, diante do Cavaleiro de Bronze.

A real estátua do Cavaleiro de Bronze, na Praça do Senado / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com o protesto, os dezembristas — como ficaram conhecidos —, pediam por uma Constituição e, como alternativa à autocracia czarista, sugeriram a monarquia constitucional. Além disso, exigiam que os camponeses fossem emancipados.

Nesse sentido, buscando apoio popular, os militares da Revolta Dezembrista andavam pelas ruas distribuindo folhetos. No entanto, os dezembristas começaram a perder sua credibilidade quando, nas páginas impressas, afirmavam que Nicolau havia usurpado o trono, o que se provou ser inverídico.

A popularidade e credibilidade dos protestantes diminuiu mais ainda quando percebeu-se que a maioria dos soldados não tinha conhecimento o suficiente. Muitos deles não sabiam o que era uma Constituição e só marcaram presença para atacar a hierarquia militar — alguns deles, inclusive, achavam que Constituição era a esposa de Constantino, e que queriam ela no poder, no lugar de Nicolau I.

Nicolau I, em frente ao seu Batalhão, no pátio do Palácio de Inverno / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em resposta ao protesto, o czar comandou confrontos violentos e reprimiu fortemente o movimento. Com os dezembristas em suas mãos, Nicolau mandou enforcar os principais conspiradores, enquanto outros 121 deles foram exilados para a Sibéria em 1826.

Os poucos dezembristas que sobreviveram ao exílio foram soltos anos mais tarde, pelo czar Alexandre II, em 1856. Por mais que pareça um ato carregado de uma leve esperança, apenas 19 dos 121 protestantes conseguiram voltar ao Império Russo.

Com o fim da Revolta Dezembrista, o governo de Nicolau I — que já não era bem visto pelo povo —, caiu no conceito geral. A forma como o czar reprimiu o movimento e tratou seus expoentes de forma dura e violenta fez com que a insatisfação e oposição aos czares russos apenas aumentassem.

Representação de protestante sendo morto e homenagem aos dezembristas, respectivamente / Crédito: Wikimedia Commons

 

De caráter progressista e liberal, os dezembristas se inspiraram no Iluminismo francês. E, anos mais tarde, serviu de modelo para o movimento populista que tomou as ruas da Rússia entre as décadas de 1860 e 1870.

Em homenagem aos militares da Revolta Dezembrista, a praça onde se encontraram foi renomeada, para marcar o centenário do protesto. Por isso, em 1925, a Praça do Senado passou a ser chamada de Praça Dezembrista — o nome, no entanto, voltou a ser o inicial em 2008.


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