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Da Revolução Francesa aos dias atuais: Há 226 anos, era inaugurado o Museu do Louvre

Impossível de ser visitado em apenas um dia, o museu mais famoso do mundo recebe mais de 10 milhões de pessoas por ano e abriga obras como a Mona Lisa e a Vênus de Milo

André Nogueira Publicado em 10/08/2019, às 07h00

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Wikimedia Commons

O Museu do Louvre é um verdadeiro monumento. Com um acervo repleto de materiais do mundo inteiro, incluindo grandes obras de relevância como o Código de Hammu-rabi, a Mona Lisa e a Vênus de Milo, a instituição só se tornou o que é devido às mudanças estruturais realizadas pela Revolução Francesa e seu projeto público de governo.

O museu foi instalado no interior do Palácio do Louvre, fortaleza importante construída no governo triunfante de Felipe II. Somente no século 16 que o local, após reformas urbanas, passou a ser a residência da coroa francesa, se mantendo como tal até a transferência para Versalhes em 1682 pelo Rei Sol. Nesse tempo, diversas obras ampliaram o complexo do palácio.

Quando Luís XIV transferiu a corte para Versalhes, o local se tornou espaço para a guarda e a exposição da coleção real, no entanto, ainda era considerado um museu (era mais um gabinete de curiosidades). Por anos, o espaço foi ocupado por diversas academias francesas, especializadas na produção cultural ilustrada na época.

Fachada do palácio / Crédito: Wikimedia Commons

 

Entretanto, com o fim do governo do trineto de Luís XIV e a instauração do regime revolucionário francês, o Louvre tornou-se um museu. Para a mentalidade ilustrada liberal dos revolucionários, o patrimônio e as instalações culturais deveriam ser fomentadas e administradas de maneira a guardarem o bem público.

Foi com a Revolução Francesa que começaram a nascer os museus públicos e as casas de fomento à cultura popular, com base nos princípios do patrimônio acessível e da universalidade dos direitos. Por isso, em 10 de agosto de 1793, a Assembleia Nacional Constituinte decretou a transformação do Louvre em museu, o principal da capital da Nação.

A inauguração ocorreu com uma exposição de 537 pinturas que pertenciam ao acervo pessoal de membros da corte e da igreja, expropriadas e transformadas em patrimônio público. Três anos depois, foi necessário fechá-lo até 1801, para reformas estruturais.

Lamassus apotropaicos no Salão Assírio do setor de Antiguidades Orientais / Crédito: Reprodução

 

Atualmente, o Louvre é dividido em oito departamentos: antiguidades egípcias, arte grega, romana e etrusca, pinturas, esculturas, antiguidades orientais, artes gráficas, decorações e, mais recentemente, arte islâmica.

A ultima grande incrementação no Louvre foi a construção da famosa Pirâmide de Vidro, obra de arte de pirâmides espelhadas de bases concêntricas. Como entrada do museu, a construção é de autoria de Ieoh Ming Pei, importante arquiteto do brutalismo pós-moderno, e gera, artisticamente, o confronto entre a transparência inovadora da arquitetura contemporânea com o burlesco memorialismo das obras modernas e medievais que formam o Palácio.