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Há 48 anos, um lunático vandalizava a Pietá de Michelangelo

"Eu sou Cristo", gritava Laszlo Toth enquanto era retirado de cima da relíquia histórica

Victória Gearini Publicado em 21/05/2020, às 07h35 - Atualizado às 08h35

Laszlo Toth após vandalizar a Pietá de Michelangelo
Laszlo Toth após vandalizar a Pietá de Michelangelo - Wikimedia Commons

Laszlo Toth foi um geólogo australiano de origem húngara, que ficou mundialmente famoso no dia 21 de maio de 1972, após vandalizar a estátua de Pietà de Michelangelo, localizada na Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano.

Nascido no dia 1 de julho de 1938, em Pilisvörösvár, na Hungria, Laszlo Toth é provindo de uma família católica romana. Em 1965, o rapaz se mudou para a Austrália, após se formar no curso de Geologia. No entanto, como não possuía inglês fluente, não conseguiu ingressar em sua área profissional, o que o levou a trabalhar inicialmente em uma fábrica de sabão. 

Ataque a Pietà de Michelangelo

Frustrado com a falta de oportunidades e com a sua própria vida, Laszlo Toth passou a acreditar que era a reencarnação de Jesus Cristo, mudando-se para Roma, em junho de 1971. Mesmo sem saber falar o idioma italiano, Toth enviou dezenas de cartas ao papa Paulo VI, na tentativa sem sucesso de informá-lo que seria o próprio Espírito Santo. 

Laszlo Toth, geólogo australiano / Crédito: Wikimedia Commons

 

Grande admirador da arte e da Literatura, desde a universidade, Toth tinha o hábito de carregar a Bíblia consigo. Conforme os anos se passaram, a sua obsessão pela palavra de Deus o teriam levado a acreditar que ele tinha uma missão divina na Terra. Portanto, no dia 21 de maio de 1972, aos 33 anos — coincidentemente a mesma idade que Jesus teria sido morto — o rapaz invadiu a Basílica de São Pedro.

Nesta ocasião, acontecia a tradicional Festa de Pentecostes, que reunia diversos fiéis à Cidade do Vaticano. Segurando um martelo, Toth se dirigiu até a famosa estátua de Pietà de Michelangelo, onde removeu o braço de Mary, arrancou uma parte do nariz e danificou uma das pálpebras da escultura.

Enquanto acertava o monumento com 15 golpes, o geólogo gritava: "Eu sou Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos". Todo o episódio foi acompanhado por uma platéia enfurecida e assustada com tal ato de violência. Quem não gostou nada disso foi o escultor americano Bob Cassilly, que imediatamente bateu em Toth, com o objetivo de contê-lo. 

Estátua de Pietà de Michelangelo, localizada na Basílica de São Pedro / Crédito: Wikimedia Commons

 

De vândalo a inspiração artística  

Visto o seu ataque de fúria, Laszlo Toth nunca foi acusado pelo crime, pois teria sido diagnosticado com insanidade mental. No entanto, o geólogo foi internado em um hospital psiquiátrico na Itália, onde ficou sob custódia do Estado entre janeiro de 1973 a fevereiro de 1975. 

Laszlo Toth posteriormente foi deportado para a Austrália, mas as autoridades australianas não o mantiveram preso. A história de Toth se tornou referência artística e literária, servindo de inspiração para o escritor Don Novello, que se baseou no ataque da Pietà para escrever uma série de livros homônimos. 

Pouco tempo depois, em 1975, o cartunista australiano Michael Leunig publicou duas charges na Nation Review, para o especial de Natal, em que intitulou as obras com o nome de Laszlo Toth. Já em 1992, o artista Steve Ditko utilizou o ataque de fúria de Toth para criticar questões relacionadas à criação e destruição.


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