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Jimi Hendrix: Há 49 anos morria o maior guitarrista de todos os tempos

Em vida, Hendrix teve uma vida marcada por controvérsias, assim como o episódio de seu sequestro, que teve detalhes revelados por um traficante associado a Pablo Escobar

Fabio Previdelli Publicado em 18/09/2019, às 13h00

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- Reprodução

No dia 18 de setembro de 1970, há exatos 49 anos, morria Jimi Hendrix. Considerado por muitos o melhor guitarrista de todos os tempos e um dos mais influentes músicos de sua era, a morte do artista ainda hoje é motivo de muitas controvérsias.  

A autopsia diz que seu falecimento ocorreu devido a Jimi ter tomado nove tipos de soníferos e que ele teria se asfixiado em seu próprio vômito. Mas, de acordo com o cantor Eric Burdon, Hendrix deixou um bilhete de suicídio em forma de poema para sua namorada Monika Dannemann.

O corpo de Hendrix foi encontrado por Monika em seu apartamento, que em alguns depoimentos diz tê-lo visto ainda com vida e que ele teria morrido na ambulância.

Ela ainda afirma que os empresários Gerry Stickels e Eric Barrett estiveram no local antes da chegada dos médicos, eles teriam levado alguns pertences de Jimi. O músico faleceu aos 27 anos.

Jornal noticiando a morte / Crédito: Reprodução


Além da morte do guitarrista, outro episódio, em vida, ainda é alvo de mistério que intriga até mesmo os biógrafos de Hendrix.  Cerca de um ano antes de sua morte, logo após Woodstock, Jimi havia sido sequestrado por pistoleiros da Máfia e mantido em cativeiro no interior de Nova York.

Quem revelou detalhes inéditos desse caso foi Jon Roberts — notável traficante de drogas que era associado do Cartel de Medellín da Colômbia — durante uma série de conversas com o jornalista veterano Evan Wright. Esses encontros duraram três anos e dessa reunião surgiu o livro American Desperado.

Quando Jimi foi sequestrado, Jon Roberts ainda era conhecido por John Riccobono, nome com o qual atuou em uma operação bem-sucedida da máfia para assumir o controle da Salvation, uma das principais boates de Manhattan. Foi nesse período que ele conheceu o guitarrista.

 Jon Roberts / Crédito: Reprodução


Roberts explica que Hendrix normalmente tinha pessoas que compravam drogas para ele, mas que às vezes ele ficava tão eufórico que entrava sozinho na boate em busca de entorpecentes. “Certa noite, dois garotos italianos que estavam em nosso clube, viram Jimi lá em busca de drogas e decidiram: Ei, esse é Jimi Hendrix. Vamos agarrá-lo e ver o que podemos conseguir”.

“Esses caras eram idiotas. Eles prometeram a Jimi alguma droga e o levaram para uma casa fora da cidade. Não sei se eles queriam dinheiro ou uma parte do contrato dele, mas ligaram para o empresário dele exigindo algo. Em seguida, soube que o gerente do clube me ligou e disse que Jimi havia sido retirado do local por alguns italianos”.

Ele diz que levou alguns poucos telefonemas até obter os nomes das pessoas que levaram Hendrix. Após conseguir o contato, ele foi breve e ameaçador: “Você deixa Jimi ir, ou você está morto. Não toque no cabelo dele”. Assim, o guitarrista foi liberado.

O episódio durou uns dois dias, mas Jon acredita que Jimi estava tão chapado que provavelmente nem sabia que havia sido sequestrado. Depois de uma semana, ele e Andy Benfante, seu parceiro de máfia, encontraram os sequestradores e deram “uma surra que eles nunca esqueceriam”.

Após esse episódio de bom samaritano, como ele mesmo diz, algumas pessoas entraram em contato com o FBI, que começou a investigar a boate. Depois disso, a dupla começou a ser ligada ao assassinato de Robert Wood, o que levou Jon a fugir para Miami.

Jon acredita que Jimi estava tão chapado que provavelmente nem sabia que havia sido sequestrado / Crédito: Reprodução


“Essa boa ação para Jimi Hendrix resultou em eu ter que fugir de Nova York para Miami. Quem sabe? Se eu não tivesse salvado Jimi Hendrix talvez eu nunca tivesse entrado no Cartel de Medellín e Pablo Escobar iniciado o negócio de contrabando de cocaína em Miami. Onde quer que você esteja Jimi, obrigado”.

Jon trabalhou para Pablo Escobar durante a fase de crescimento do tráfico de cocaína nos Estados Unidos, de 1975 a 1986. Ele faleceu em 28 de dezembro de 2011, apenas um mês depois que o livro American Desperado foi publicado nos Estados Unidos. A obra nunca foi publicada em português.