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Há 72 anos, era instituída a primeira lista negra de Hollywood

Com discurso anti-comunista, inúmeros artistas e diretores de cinema americanos sofreram boicotes durante a Guerra Fria

Caio Tortamano Publicado em 25/11/2019, às 15h00

Charles Chaplin em cena do filme Tempos Modernos
Charles Chaplin em cena do filme Tempos Modernos - Getty Images

Logo no começo da Guerra Fria, em 25 de novembro de 1947, 10 roteiristas e diretores foram acusados de obstruir a justiça americana por negarem-se a testemunhar perante o comitê de atividades antiamericanas.

Na realidade esses cineastas estavam sob julgamento por, supostamente, serem simpatizantes do Partido Comunista Americano.  Isso, em um período de conflitos ideológicos com a União Soviética, era extremamente problemático.

O Congresso dos Estados Unidos moveu um pedido para a Associação de Produtores Americanos demitir os dez artistas, ao passo que a Associação respondeu formulando a Declaração de Waldorf, no qual abominavam as ações dos cineastas em apoiar os comunistas.

Os cineastas receberam a sentença de um ano, foram eles: Alvah Bessie, Herbert Biberman, Lester Cole, Edward Dmytryk (que recebeu diminuição de pena após delatar outros membros do Partido Comunista), Ring Lardner Jr., John Howard Lawson, Albert Maltz, Samuel Ornitz, Adrian Scott, Dalton Trumbo (cuja vida inspirou o filme Trumbo: Lista Negra).

Em junho de 1950, um panfleto intitulado Canais Vermelhos foi publicado. Nele constavam 151 pessoas relacionadas ao show business, que, teoricamente, teriam relação ou simpatizariam com o comunismo. Nessa lista, constava ninguém menos que Charles Chaplin.

Chaplin teve a sua vida investigada e, mesmo com a parceria entre a CIA e o MI5 (agência de espionagem britânica) nada foi descoberto sobre vida do ator que o pudesse ligar com comunistas, ou mesmo constatar alguma simpatia do ator para com a esquerda.

Charles Chaplin em cena do filme O Grande Ditador / Crédito: Getty Images

 

Mesmo assim, Chaplin foi banido dos Estados Unidos, e não fez muita questão de retornar para o país, e passou a residir na Suíça. Na época, ele fez uma declaração dizendo que o momento nos Estados Unidos não era para pessoas de pensamento liberal, e que o governo reacionário não aceitava o trabalho dele.

A lista negra durou até 1960, quando Dalton Trumbo foi creditado como roteirista do bem-sucedido filme Exodus, e reconhecido pelo ator Kirk Douglas por ter escrito o roteiro do filme Spartacus.

Dalton Trumbo em foto descontráida com o seu pássaro de estimação / Crédito: Getty Images

 

Mesmo assim, alguns artistas presentes na lista demoraram a conseguir reconhecimento e voltar a trabalhar ativamente no meio.


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