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Há 75 anos, Heinrich Himmler, um dos idealizadores do Terceiro Reich, tirava a própria vida

Em 1945, o eugenista da Gestapo morreu enquanto era prisioneiro da Inteligência Britânica, no entanto, a causa do óbito é motivo de discussão

André Nogueira Publicado em 23/05/2020, às 00h00

Reichsführer Himmler
Reichsführer Himmler - Getty Images

Um dos maiores adeptos ideológicos do nazismo, Heinrich Himmler passou seus últimos dias num frenesi devido à busca pela fuga daquele cenário de morte certa: a completa derrota da Alemanha e a caça aos líderes do regime genocida. Com os britânicos tomando o sul do país, Himmler tentou ultrapassar o front para fugir à clandestinidade pela Baviera.

O nazista tirou o bigode, vestiu trajes civis e conseguiu documentos falsos para não ser reconhecido como membro da Gestapo, se apresentando como Hitzinger. Junto a mais doze fugitivos, ele colocou um tapa-olho e saiu rumo ao sul, com o objetivo de deixar a Alemanha. Chegando ao posto de Meistadt, foi preso pelos Aliados e interrogado.

Nervoso, foi encurralado pelo Capitão Selvester que conseguiu a confissão de que se tratava de Himmler. O nazista, então, exigiu falar com o General Montgomery. Para confirmar a identidade do nazista, foi feita uma polêmica comparação de assinaturas, assim como uma revista dos pertences do Reichsführer. Temendo um suicídio por cianureto, o corpo de Himmler foi revistado e ele, então, foi direcionado às instâncias competentes no Quartel General do Segundo Exército britânico.

Himmler em um dos muitos campos de concentração / Crédito: Domínio Público

 

Se recusando a vestir uma farda britânica para a condução (um plano dos ingleses para conduzi-lo sigilosamente), o nazista relutou; porém, ameaçado de ser levado nu, cedeu à vontade dos vitoriosos. Então, ele foi direcionado até o coronel Michael Murphy e entregue ao Serviço de Inteligência Britânico.

Himmler foi preso e ficou sob constante vigilância, principalmente porque os Aliados não queriam que os principais líderes tirassem a própria vida antes de um julgamento. Queriam eles mesmos enforcar os nazistas, num gesto de vitória e superioridade moral. Na responsabilidade de Edwin Austin, sargento que vigiou o alemão, ele ficou encarcerado.

Austin ordenou que Himmler novamente se despisse, para uma análise médica pelo capitão Wells. Relutando inicialmente (pois o Reichsführer queria ser tratado como Alto Escalão), ele foi revistado novamente, num exame minucioso em busca de cápsulas de cianureto. Todavia, foi em vão: no mesmo dia o genocida foi encontrado sem vida. 

Polêmica

A versão dos ingleses é clara e detalhada. Segundo as investigações, o fato ocorreu durante a revista do corpo de Himmler. O médico responsável pelo exame teria perdido para que o Reichsführer abrisse a boca, para a busca da cápsula de veneno. O alemão se recusou.

Adolf Hitler e Heinrich Himmler / Crédito: Getty Images

 

Ficou claro que ele escondia a cápsula, que estaria entre a gengiva e a bochecha. Então, Himmler teria retirado o item do esconderijo para mordê-la. Wells teria tentado impedir o suicídio, enfiando a mão na boca de Himmler, que o mordeu com força, a ponto de chegar no osso.

Jogando a cabeça para trás, ele rompeu a cápsula de cianureto e a engoliu, e o ato estaria consumado. Os médicos, então, o deitaram para que ele vomitasse o veneno, e chegaram até a entubá-lo para que não morresse, realizando uma lavagem estomacal. Porém, minutos depois, estava claro: o chefe da brutal Gestapo já estava sem vida. 

Porém, essa não é a versão defendida pelo historiador Martin Allen, que afirma que a morte não foi causada por um suicídio. De acordo com a autoridade, Himmler teria sido assassinado durante a revista realizada pelos médicos britânicos na prisão. Para ele, o ato ocorreu com o objetivo de que o Reichsführer não tentasse divulgar ao público as tentativas de tratado de paz com os Aliados que realizara desde 1943.

Himmler / Crédito: Wikimedia Commons

 

O ato teria sido uma forma de a Inteligência Britânica impedir um constrangimento do governo Churchill, que exigia uma rendição incondicional dos nazistas. Essa teoria foi fortalecida com o fato de que nunca houve uma autópsia no corpo de Himmler, que foi enterrado sem identificação.

Fato é que não há comprovações dessa hipótese, que é plenamente plausível. O que nos resta hoje são dúvidas sobre a morte de um dos maiores responsáveis pela hegemonia nazista.


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