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Há 75 anos, morria Mário de Andrade, um dos mais importantes escritores do país

Autor de Macunaíma e líder da Semana de Arte Moderna, o paulistano multifacetado foi responsável por trazer transformações significativas à arte brasileira

Isabela Barreiros Publicado em 25/02/2020, às 13h15

O escritor Mário de Andrade
O escritor Mário de Andrade - Domínio Público

Originário da capital paulista, o escritor Mário de Andrade está enterrado no Cemitério da Consolação, em São Paulo. Há exatos 75 anos, no dia 25 de fevereiro de 1945, ele morria na sua cidade natal, deixando um enorme legado literário e cultural para o país.

Dono de uma personalidade multifacetada, o paulistano foi, além de escritor, poeta, ensaísta e musicólogo — não faltando habilidades criativas para ele. Além disso, atuou durante muito tempo no setor de políticas públicas, tanto em São Paulo quanto em outras localidades.

No comando do Departamento de Cultura do Município de São Paulo, desenvolveu o projeto para a Biblioteca Municipal, que hoje leva seu nome em sua homenagem. Criou também a Discoteca Pública e vários parques ao redor da cidade. Também foi diretor do Instituto de Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Crédito: Wikimedia Commons

 

Iniciou sua carreira literária com a publicação de Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, livro de 1917. Suas principais obras são Macunaíma, Pauliceia Desvairada, Amar, Verbo Intransitivo, Ensaios sobre a Música Brasileira e Lira Paulistana.

Mas sua atuação mais marcante e relembrada até os dias de hoje foi sua participação na Semana de Arte moderna, que aconteceu em 1922, e tentou renovar a arte do país por meio de críticas e polêmicas.

O movimento modernista foi organizado principalmente pelo que ficou conhecido como Grupo dos Cinco, Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. Inspirados pelo modernismo europeu, os artistas criticavam a arte que estava sendo feita no Brasil na época e buscavam trazer transformações à área.

A renovação proposta por eles não foi tão bem aceita pelo público quanto se imagina. No final das apresentações, muitos dos artistas foram vaiados e tiveram que lidar com críticas brutais vindas de muitos especialistas da época.

Cândido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco / Crédito: Wikimedia Commons

 

No entanto, algumas experimentações tornaram-se comuns com o tempo, como declamar poesias, que antes eram apenas escritas, músicas por meio de concertos, anteriormente apenas cantores sem acompanhamento musical, e artes plásticas em diferentes moldes além do quadro, como por exemplo, esculturas, maquetes e até mesmo performances artísticas.

Mas Mário também participou de outros movimentos que estavam rondando e transformando o Brasil do período. O Movimento Antropofágico, desenvolvido principalmente por ele e Oswald de Andrade, trazia discordâncias com a dependência cultural do país com artes de outros países — Estados Unidos e Europa.

Um ponto importante para analisar a personalidade do autor é o pouco que se sabe sobre sua vida pessoal. Muitos de seus amigos o descreveriam como casto, porém, as especulações sobre sua homossexualidade sempre foram presentes na vida do escritor.

A famosa escritora, e amiga de Mário, Rachel de Queiroz afirmou que ele sofria muito preconceito devido a sua sexualidade, ainda que reprimida por toda a sua vida. Cartas em que o artista também descrevia sua situação foram divulgadas apenas em 2015 pela Fundação Casa de Rui Barbosa.

Crédito: Domínio Público

 

"Mas em que podia ajuntar em grandeza ou milhoria para nós ambos, para você, ou pra mim, comentarmos e eu elucidar você sobre a minha tão falada (pelos outros) homossexualidade? Em nada. Valia de alguma coisa eu mostrar o muito de exagero que há nessas contínuas conversas sociais?”, escreveu o autor em uma dessas correspondências.

E continua: “mas si agora toco neste assunto em que me porto com absoluta e elegante discrição social, tão absoluta que sou incapaz de convidar um companheiro daqui, a sair sozinho comigo na rua (veja como eu tenho a minha vida mais regulada que máquina de previsão) e si saio com alguém é porquê se poderia tirar dele um argumento para explicar minhas amizades platônicas, só minhas”.

De acordo com o escritor Jason Tércio, em sua biografia Em busca da alma brasileira – biografia de Mário de Andrade, Mário era, na verdade, bissexual. “As cartas demonstram que Mário era bissexual. Ele se envolveu com homens e mulheres e deu vazão a seus desejos nos lupanares da rua Líbero Badaró, em São Paulo, e na zona do mangue, no Rio”, afirma Tércio.


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Em busca da alma brasileira – biografia de Mário de Andrade, Jason Tércio (2019) - https://amzn.to/2HRboe3

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