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Há 76 anos, o campo de concentração de Dachau era libertado

Neste dia, em 1945, o primeiro campo projetado pelos nazistas era livrado dos horrores do Holocausto pelas tropas americanas

Alana Sousa Publicado em 29/04/2021, às 07h00

Entrada do campo de concentração de Dachau, em 1945
Entrada do campo de concentração de Dachau, em 1945 - Wikimedia Commons

"A fome matou a maioria; deixar morrer de fome era rotina aqui", escreveu Martha Gellhorn, uma das jornalistas e correspondentes de guerra mais relevantes do século 20, ao entrar no campo de concentração de Dachau. O lugar, que abrigava cerca de 32 mil prisioneiros, parecia vindo do inferno. 

Entre corpos empilhados e sem vida, doentes definhavam e sofriam com um mal recorrente: o tifo. Quando as tropas americanas chegaram para libertar Dachau, em 29 de abril de 1945, há exatos 76 anos, os soldados mal podiam acreditar no que viam. 

Junto aos combatentes Aliados, estava Gellhorn, que registrou a cena em palavras para que o mundo jamais esquecesse do terror nazista. "Atrás do arame farpado e da cerca elétrica, os esqueletos sentam ao sol e catam piolhos em si mesmos. Eles não têm idade nem rosto; são todos iguais." 10 mil, entre os poucos mais de 30 mil resgatados, estavam profundamente doentes. 

O campo, que funcionava desde 1933, havia sido o pioneiro para muitos outros que seriam inaugurados ao longo da Segunda Guerra, pela Alemanha Nazista — incluindo Auschwitz. O terrível local tinha sido planejado por Theodor Eicke, dirigente do partido de Hitler. 

Campo de concentração Dachau / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pouco tempo depois de ter sido introduzido por Heinrich Himmler, um dos maiores nomes do Terceiro Reich, Dachau foi transformado em um campo de trabalho forçado. Localizado perto de Munique, ao sul do país, o auge da ocupação do campo foi em 1941, quando existiam quase 200 mil presos. 

Os horrores de Dachau 

Passando a abrigar prisioneiro de mais de 30 países diferentes, Dachau não se diferenciava tanto assim de outros campos de concentração que vieram depois. As doenças e insetos enchiam os corpos esqueléticos de judeus e outras minorias. O tifo, que tirou a vida de Anne Frank, era avassalador; matando aos poucos cada pessoa que, no ambiente degradante, não podia escapar de tal destino. 

“Trabalhava-se inacreditavelmente muitas horas com essa alimentação escassa e vivia-se numa tal superlotação, os corpos jogados em barracões asfixiantes, e acordava-se um dia após ou outro mais fraco, à espera da morte”, relatou a correspondente, conforme repercutiu o site DW Brasil.

Aqueles que, por sorte, sobreviviam as infecções, mas estavam enfermos demais ao ponto de não conseguirem trabalhar, eram levados às temidas câmaras de gás. Lá, os prisioneiros eram expostos, na maioria das vezes, ao vapor do pesticida Zyklon-B. 

Encenação de como funcionava o crematório / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em segundos, as vítimas sofriam uma parada cardíaca, devido ao estrago direcionado ao cérebro e ao coração de cidadãos profundamente debilitados. Assim, milhares de pessoas foram mortas, quantidade que foi estimada pelos próprios nazistas em registros oficiais como sendo de 31.951. Todavia, para Gellhorn o número é bem maior: “Não se sabe quantas pessoas foram mortas nos 12 anos de existência deste campo, mas se sabe que, nos últimos três anos, foram ao menos 45 mil”. 

Saindo das câmaras de gás, os corpos eram destinados ao crematório, que segundo Martha, “expeliam uma fumaça interminável, saturada de cinzas humanas”. Dentre as vítimas, no começo, o lugar era destinado a prisioneiros de certa forma "importantes": opositores ao regime nazista, comunistas, sindicalistas e políticos social-democratas. 

No caos da guerra, já não havia mais essa distinção: eram levados judeus, criminosos, cristãos e, até mesmo, seguidores de Jeová para o campo. Desta forma continuou até que o destino do conflito estivesse selado. A Alemanha perdera finalmente e os Aliados avançavam em territórios nazistas de forma avassaladora. 

'O trabalho liberta', em alemão / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além de enfrentarem a cena perturbadora dos corpos e prisioneiros que não mais sabiam o que era liberdade, quase todos os soldados da SS e vigias do campo de Dachau haviam fugido. A Rainbow Division (Divisão Arco-Íris, em tradução para o português), mostrava que a sua chegada estava próxima por dias, o que deu tempo para que as forças armadas alemãs, a Wehrmacht, criasse uma estratégia para sair ilesa. 

Sobraram os aposentos abandonados dos seguidores de Hitler, como Gellhorn escreveu, as ruínas um dia abrigaram “as famílias dos oficiais da SS; suas mulheres e crianças viviam lá felizes e satisfeitas”. 

Seguindo a libertação de Dachau, outros campos foram invadidos e os prisioneiros resgatados nas semanas e meses seguintes, colocando um fim na Segunda Guerra e nos horrores do Holocausto. 


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