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Há 78 anos, casal que enfureceu a Gestapo era executado: 'Guerra de Hitler é a morte dos trabalhadores'

Otto e Elise criaram uma maneira inteligente e sutil de protestar contra Hitler - todavia, o ato não foi bem aceito pelos vizinhos patriotas da época

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 11/03/2021, às 09h40

Fotografia que a Gestapo tirou da dupla quando os prendeu
Fotografia que a Gestapo tirou da dupla quando os prendeu - Wikimedia Commons

Otto e Elise Hampel fora um casal que decidiu protestar contra o Terceiro Reich no período entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, uma época em que o nazismo estava à toda na Alemanha. Eles criaram uma forma de resistência pacífica que era ao mesmo tempo simples e eficiente, sendo assim ideal para funcionar durante um governo tirânico e violento. 

A dupla começou a escrever panfletos em que falavam contra Hitler e seus associados, convocando a classe do operariado - do qual faziam parte - para revoltar-se contra o Partido Nazista. Para distribuir as mensagens, eles simplesmente as jogavam pelo chão de locais públicos em Berlim, a capital do país e cidade onde moravam. 

“A guerra deHitler é a morte dos trabalhadores!”, é, inclusive, a primeira linha de um dos panfletos distribuídos por eles, que foi repercutido pelo site britânico I News. 

Panfleto citado acima / Crédito: Divulgação 

 

Uma resistência breve 

Infelizmente, apesar da ideia criativa e inteligente de Otto e Elise, eles só conseguiram praticá-la dois anos antes de serem capturados pela Gestapo, polícia secreta nazista. O casal havia sido denunciado pelos próprios vizinhos, que encararam as mensagens de insurreição com ódio e repulsa. 

“A Gestapo não era nada sem o povo. Ela dependia dessas denúncias. Todos os que receberam um panfleto o enviaram para a Gestapo, em vez de espalhar a resistência. O ato dos dois não foi apenas considerado um desafio imperdoável para o Führer, foi algo que os nazistas chamaram de ‘crime contra o povo’”, contou o historiador alemão Nathan Stoltzfus em entrevista ao I News. 

De acordo com o profissional, o casal acabou escolhendo a época errada para se rebelar - uma em que o país passava por uma onda de orgulho nacional, e Hitler vivia o auge de sua popularidade. 

“O momento em que os Hampels protestavam não era o momento ideal para resistência.  Eles pediam a queda de Hitler, o que além de ser um desafio imperdoável na época, acho que foi um erro de cálculo trágico, porque Hitler era mais popular do que qualquer outra coisa na Alemanha nazista”, explicou Nathan ainda. 

Condenação 

Fotografias do casal tiradas pela Gestapo quando esta os prendeu / Crédito: Divulgação 

 

A dupla contrária ao Terceiro Reich acabou sendo acusada pela Gestapo de “Wehrkraftzersetzung”, que significa “preparação para alta traição”, e setenciada à morte por decapitação no ano de 1943. 

Ainda que, por estarem à frente da mentalidade de seu tempo, o casal tenha acabado por enfrentar um desfecho dramático, Stoltzfus também destacou o quão único foi o ato da dupla.

“Foi realmente uma espécie de resistência civil. Não porque eles eram civis, mas porque queriam mobilizar civis contra Hitler e foi exatamente assim que ele chegou ao poder, mobilizando a opinião. Isso foi muito diferente das tentativas conspiratórias de assassinar Hitler. Livrar-se do Führer não teria eliminado o nacional-socialismo”, concluiu o historiador, ainda de acordo com o que foi repercutido pelo site I News. 

De forma irônica, sabemos hoje sobre as manifestações de oposição ao governo nazista dos Hampels apenas porque eles foram pegos pela Gestapo: quando a Segunda Guerra chegou ao fim, a organização entregou os documentos referentes ao casal para o escritor Hans Fallada, que os usou para criar o livro “Alone in Berlim” (ou, em tradução livre, “Sozinho em Berlim”). A obra foi posteriormente adaptada para o cinema, resultando em um filme de mesmo nome lançado em 2016.


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