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Há 81 anos, Hitler premiava mães que tivessem número recorde de filhos

A medida insana foi só mais uma entre muitas com o objetivo de multiplicar os membros da 'raça ariana'

Ingredi Brunato Publicado em 15/12/2020, às 00h00

Adolf Hitler em pintura
Adolf Hitler em pintura - Getty Images

Para que a Alemanha nazista se tornasse uma nação com condições de se expandir, ocupando outros territórios, um dos elementos fundamentais do qual precisava era de alemães. Não quaisquer alemães, todavia, e sim os arianos. 

Existia, todavia, um obstáculo a ser superado: o fato da população ariana estava diminuindo. 

Foi nesse cenário que acabaram sendo desenvolvidas diversas leis encorajando a formação e procriação de casais arianos, incluindo diversas recompensas financeiras. Uma delas, implantada 81 anos atrás, foi a premiação de mães que possuíam até quatro filhos, chamada de “Cruz de Honra das Mães Alemãs”. 

Contexto histórico 

Segundo a historiadora britânica Lisa Pine, autora do livro Nazi Family Policy (Ou “Política Familiar Nazista”, em tradução livre), em 1901, ocorriam 36 nascimentos a cada 1.000 habitantes. Contudo, 32 anos mais tarde, em 1933, o número de nascimentos havia caído para menos da metade anterior. 

O motivo disso era nada menos que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A morte da parcela masculina da população deixou muitas mulheres viúvas (e sem a possibilidade de casar-se, devido à falta de homens), precisando, portanto, buscar sustento financeiro de forma independente. 

Mulheres trabalhadoras, infelizmente para o governo nazista, não tinham tantos filhos quanto as donas de casa. Logo, foram criadas soluções para esse problema, como citado anteriormente. 

Uma delas foi justamente a elaborada por Gerhard Wagner, um médico que era chefe da Seção de Saúde Pública do Partido Nazista, que premiava as esposas arianas que tivessem muitos filhos. 

Ilustração de Gerhard Wagner feita por Billy I. Schroeder / Crédito: Divulgação/ Livraria da Universidade do Texas 

 

Execução 

“A prolífica mãe alemã merece o mesmo lugar de honra no povo que o soldado do Exército. A mãe arrisca tanto seu corpo quanto sua vida pela pátria, do mesmo jeito que o soldado faz numa batalha”, dizia um artigo escrito por Wagner no ano de 1938 em um jornal alemão relevante da época. 

Era apenas uma das peças de propaganda que precedia a implementação da Cruz das Mães. 

Para esposas com quatro filhos, o prêmio era uma medalha de bronze. Quando chegavam a seis, conquistavam a medalha de prata. Já alcançar a façanha de trazer 8 novos alemães arianos para o mundo resultava no prêmio máximo, feito de ouro. 

Fotografia de Joseph Goebbles, Ministro da Propaganda, esposa Magda e família. Uma curiosidade é que Magda foi a primeira mulher a receber o prêmio / Crédito: Divulgação 

 

Outros exemplos  

Uma das primeiras medidas para o aumento da taxa de natalidade dos alemães “racialmente puros” foi a Lei para a Redução do Desemprego, que veio logo depois do Partido Nazista assumir o poder. 

A ação determinava que cidadãos arianos receberiam uma recompensa financeira para que se casassem. A quantia era o equivalente a 20% do salário anual médio da época, e funcionava como um pontapé inicial para a vida em família desses alemães “puros”. 

Todavia, existia outro detalhe fundamental em jogo: os recém-casados precisavam garantir que o homem tomaria o papel de provedor, enquanto a mulher assumiria o papel de dona de casa. 

Mais tarde, ainda houve a criação da Lei de Incentivo ao Casamento, com a qual o governo alemão passou a conceder empréstimos para os casais que geravam um bebê. E quanto mais filhos, mais empréstimos. 

Repercussão

Aumentar a taxa de natalidade ariana significaria impedir uma “tragédia nacional” para os nazistas. E funcionou: a implementação da Cruz de Honra das Mães Alemãs, assim como outras medidas anteriores, tornaram frequente que casais brancos e de olhos azuis tivessem uma penca de filhos.

Enquanto isso, mães solteiras e casais sem filhos foram demonizados por não seguir a unidade familiar desejada pelo Partido Nazista. 

Para completar, ainda, os nazistas foram famosos por castrações de membros de pessoas consideradas "impuras". Dessa forma, pretendia-se que houvesse apenas a multiplicação da parcela da população alemã que o governo considerava legítima. 


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