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Há 9 anos, morria George Solitário, último integrante da subespécie Chelonoidis nigra abingdoni

Estudos póstumos com a tartaruga gigante da Ilhas Galápagos lançaram uma luz sobre a longevidade das espécies

Fabio Previdelli Publicado em 24/06/2021, às 00h00

George Solitário, a tartaruga gigante das ilhas Galápagos
George Solitário, a tartaruga gigante das ilhas Galápagos - putneymark/Wikimedia Commons

Em 24 de junho de 2012, George Solitário, última tartaruga gigante integrante da subespécie Chelonoidis nigra abingdoni morreu com pouco mais de 100 anos. O réptil era um dos mais famosos da Ilhas Galápagos.  

Quatro anos depois, uma equipe de cientistas da Universidades de Yale, nos EUA, e de Oviedo, na Espanha, concluíram uma importante missão: sequenciar o genoma completo do animal — algo nunca feito antes. Mas o que isso revelou? 

Solitário e extraordinário 

Antes da morte de George, seus cuidadores passaram anos tentando fazê-lo acasalar com fêmeas de uma espécie parecida, segundo relata matéria da BBC. Porém, a tentativa de evitar a extinção da subespécie não teve sucesso.  

George Solitário, a tartaruga gigante das ilhas Galápagos/ Crédito: Arturo de Frias Marques/Wikimedia Commons

 

Apesar disso, estudar George trouxe resultados surpreendentes. Com o sequenciamento de seu genoma, descobriu-se que a tartaruga possuía, em um de seus genes variantes, relacionados com a reparação do DNA, algo que pudesse ajudar em estudos relativos à longevidade dos seres humanos.  

"George Solitário ainda nos dá lições", declarou a pesquisadora Adlagisa Caccone, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade de Yale e uma das autoras do estudo.  

"O genoma de George nos interessava basicamente por dois motivos. Primeiro, por seu caráter emblemático. Em segundo, porque ele pode nos dar dicas sobre o que ocorre em um organismo quando a longevidade aumenta, quais são as adaptações necessárias", explicou à BBC Mundo o professor de bioquímica da Universidade de Oviedo, Víctor Quesada — também autor do estudo. 

Além de sequenciarem os genomas de George, os pesquisadores fizeram o mesmo com outra subespécie de tartaruga gigante, a Aldabrachelys gigantea — a única espécie viva do Oceano Índico. Para chegarem as conclusões, porém, eles partiram de estudos anteriores, porém relacionados aos seres humanos.  

"Uma publicação que se chama The Hallmarks of Ageing [ou ‘Marcos do Envelhecimento’, em tradução livre’], traz nove características do envelhecimento. Usamos essa informação prévia sobre genes envolvidos nessas características para estudar como estão esses genes no George", explicou o docente.  

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Taxidermia de George Solitário em exposição no American Museum of Natural History, em dezembro de 2014/ Crédito: Alexander Kure/Wikimedia Commons

Resumindo, os estudiosos dizem: "usamos sequências humanas e procuramos as equivalentes no genoma de George. Pesquisadores jovens ficaram focados exclusivamente nessas sequências”.

Dessa maneira, a equipe foi capaz de identificar mais de 3 mil genes. 

Entretanto, apenas uma parcela foi usada, cerca de 500, já que estes “têm algum papel nas questões ligadas ao envelhecimento", disse Quesada.

Segundo o pesquisador, a intenção era descobrir se havia “algo diferente nos genes envolvidos na reposta imunológica”. 

Com essa comparação, notaram que haviam algumas diferenças, como o número de cópias dos genes. "Os mamíferos têm um certo número de cópias em alguns desses genes. Em tartarugas, o número é muitas vezes maior e isso nos dá pistas sobre como evoluiu o sistema imunológico das tartarugas no ambiente onde vivem”, explica. 

Além disso, uma análise mais profunda foi feita com relação ao câncer nessa categoria de espécie, já que, conforme a BBC afirmou, tumores são pouco frequentes nas tartarugas e esses genes poderiam estar ligados, de alguma forma, a isso. 

Porém, infelizmente, não foi possível tirar grandes conclusões da análise, diz Víctor. "Não há muita informação sobre a incidência de tumores em tartarugas gigantes e pequenas". De qualquer forma, o cientista prometeu que esse ponto “é algo que fica como hipótese para pesquisas futuras”. 

Ainda assim, a pesquisa rendeu frutos sobre estudos relacionados à longevidade, embora ainda não seja possível aplicar esses resultados em pesquisas sobre seres humanos, como aponta a BBC. 

"É preciso esclarecer que esse estudo vai nos dar informações básicas. Extrapolar dessa informação para outros organismos não é nada fácil porque são circunstâncias diferentes”, explica o bioquímico da Universidade de Oviedo. 

Sobre o estudo, Quesada diz que o envelhecimento é "enormemente complexo e não depende de um só fator, mas sim de vários”, o que também inclui aspectos ambientais. "O que estamos fazendo é desmembrar essas características tão complexas em partes menores. Nesse momento ainda não estamos planejando intervenções diretas sobre o envelhecimento humano”, concluiu. 

O estudo completo foi publicado em 2018 na revista Nature e pode ser lido aqui.


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