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Há 93 anos, o anarquista Gino Lucetti tentava explodir Benito Mussolini

O atentado foi o segundo entre os três que o líder fascista sofreu em 1926. Após o episódio, Benito declarou: “as balas passam, Mussolini permanece”

Fabio Previdelli Publicado em 11/09/2019, às 14h00

O Dulce
O Dulce - Reprodução

“Ataque contra Mussolini”, essa manchete estampou as capas dos jornais italianos em três ocasiões durante 1926. Naquele ano, o ditador italiano fascista sofreu três tentativas de assassinato e saiu ileso em todas.

O segundo ato aconteceu há exatos 93 anos, no dia 11 de setembro, na praça de Porta Pia, em Roma. O responsável pela ação foi o anarquista italiano Gino Lucetti.

Gino Lucetti e o plano de execução

Nascido em 1901 na Carrara, Itália, ele lutou nas tropas de assalto italianas durante a Primeira Guerra Mundial. Logo em seguida foi exilado e se mudou para França, e anos mais tarde retornou à Itália para tentar matar o líder do partido fascista.

Gino Lucetti tentou assassinar Mussolini em 1926 / Crédito: Reprodução


As primeiras reuniões para o atentado ocorreram com um grupo de exilados italianos antifascistas que se abrigavam no sul da França. Todos estavam convencidos da necessidade de eliminar fisicamente Mussolini. Embora exilado, Gino nunca perdeu contato com antigos colegas em Carrara, retornando duas vezes para reuniões clandestinas.

Porém, o encontro que resultou no atentado ocorreu meses depois em Livorno, do qual foi mantido o máximo sigilo possível da trama. De volta à França, acertou os últimos detalhes de seu plano ante de retornar em definitivo para Roma. Na capital italiana se encontrou com Stefano Vatteroni, que trabalhava em uma pequena loja como ourives.

Stefano foi crucial para o sucesso do complô, ele era amigo de longa data do secretário da biblioteca de Mussolini, e colheu detalhes essenciais para uma rota que chegaria ao carro do Duce.

Vatteroni chegou a vender um terreno pertencente a sua mãe para financiar o que estava sendo elaborado. Além do ourives, Gino também teve o apoio de Leandro Sorio, garçom de uma pousada local que ficou responsável pela organização logística do plano.

No dia de por o esquema em prática, Lucetti ficou perto de Porto Pia esperando o veículo que transportava Benito Mussolini passar. Ao avistá-lo, arremessou uma bomba manual, que bateu no para-brisa do carro e só explodiu perto de uma calçada, quando o automóvel já havia passado. O ditador saiu ileso, mas oito pessoas acabaram feridas. Depois da tentativa, Benito declarou: “As balas passam, Mussolini permanece”.

A bomba manual bateu no para-brisa do carro e só explodiu perto da calçada / Crédito: Reprodução

 

Prisão do grupo

Gino foi julgado em junho de 1927 e sentenciado a prisão perpétua, na época tinha apenas 26 anos. Seus outros comparsas também foram presos e condenados: Leandro Sorio pegou 20 anos de pena e Stefano Vatteroni 19 anos e 9 meses.

Lucetti foi alojado na prisão de Santo Stefano, onde passou quase 17 anos preso. Em uma tentativa de fuga, foi morto durante um bombardeio na Ilha de Ísquia, no golfo de Nápoles. Já Benito Mussolini acabou morto em 28 de abril de 1945, executado pela resistência italiana após a Segunda Guerra.