Matérias » EUA

Há exatos 20 anos, os atentados de 11 de setembro abalavam o mundo

O episódio que matou cerca de 3 mil pessoas reorientou a geopolítica mundial e borrou as fronteiras entre realidade e ficção

Raphaela de Campos Mello Publicado em 11/09/2021, às 06h00

O momento do ataque
O momento do ataque - Getty Images

Na manhã de 11 de setembro de 2001, a cidade de Nova York estremeceu diante de um acontecimento sem precedentes, que abismou até mesmo um dos serviços de inteligência mais competentes do mundo.

Digno dos filmes hollywoodianos, experts em transformar catástrofes fictícias em espetáculos com duas horas de duração, o ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center, até hoje, parece inverossímel.

O episódio, que matou cerca de 3 mil pessoas e reorientou a geopolítica mundial, borrou as fronteiras entre realidade e ficção. Quem há de esquecer a cena dos dois aviões se chocando contra os espigões de aço? Os minúsculos corpos abandonados ao desespero em meio à fumaça escura, despencando rumo à morte certa? Pessoas correndo para escapar da monstruosa nuvem de poeira que devorava as ruas? A incredulidade e o pânico não só dos americanos como de todo o mundo ocidental: o que vem em seguida?

Após o ataque /Crédito: Getty Images

 

Em 2021, o evento que instaurou um novo conceito de guerra, a chamada Guerra ao Terror, completa duas décadas.

Nesse período, os Estados Unidos e seus aliados tiveram uma empreitada e tanto pela frente: descobrir como duelar contra um inimigo sem rosto e sem pátria, pulverizado em milhares de células terroristas que poderiam agir a qualquer momento, em qualquer lugar do planeta.

O desafio, até então inimaginável, lançou a América e forças de coalizão numa versão repaginada da caça às bruxas. Vinte anos depois, novos movimentos apontam para um possível desfecho desse trauma.

Crédito: Getty Images

 

Mas, antes de esmiuçarmos esse recente cenário, vale recapitularmos o fatídico dia em que o mundo conheceu a audácia somada ao potencial destrutivo dos radicais islâmicos pertencentes à Al-Qaeda, organização terrorista liderada por Osama bin Laden.

Efeito-surpresa em quatro atos

Os nova-iorquinos amanheceram em 11 de setembro de 2001 com o estrondo do avião Boeing 767 da American Airlines colidindo contra uma das Torres Gêmeas do World Trade Center. A explosão fatal ocorreu às 8h46 (9h46 em Brasília) com 92 pessoas a bordo, incluindo cinco sequestradores.

Minutos depois, às 9h03 (10h03), um avião Boeing 767 da United Airlines se chocou contra a outra Torre Gêmea do WTC. Desta vez, havia 65 pessoas a bordo, incluindo cinco sequestradores.

Crédito: Getty Images

 

O ataque orquestrado para atingir mais de um ponto prosseguiu e, às 9h43 (10h43), um avião Boeing 757 da American Airlines desabou sobre o Pentágono, em Washington, provocando duas explosões e a morte das 64 pessoas a bordo, entre elas, cinco sequestradores.

Por fim, às 10h10 (11h10), um avião Boeing 757 da United Airlines, que viajava de Newark (Nova Jersey, nordeste do país) para São Francisco (Califórnia, oeste), caiu em um campo no estado da Pennsylvania, aparentemente depois que os passageiros lutaram com os sequestradores. Nesse momento, 44 pessoas a bordo, incluindo quatro terroristas, perderam suas vidas

Vale lembrar que dos 19 protagonistas dos ataques, nove eram membros da Al-Qaeda que viviam legalmente nos Estados Unidos, enquanto os outros dez usavam documentos falsos. Minutos antes da tragédia, eles assumiram o controle dos quatro aviões civis e informaram aos passageiros que estavam armados com bombas.

Como os criminosos desligaram os localizadores das aeronaves, elas se tornaram invisíveis para as torres de controle americanas. Naqueles minutos, o terror deteve total soberania.

“As horripilantes atrocidades cometidas em 11 de setembro são algo inteiramente novo na política mundial, não em sua dimensão ou caráter, mas em relação ao alvo atingido. Para os Estados Unidos, é a primeira vez, desde a guerra de 1812, que o território nacional sofre um ataque, ou mesmo é ameaçado”, contextualizou o ativista político Noam Chomsky no livro 11 de Setembro (ed. Bertrand Brasil), obra que reúne uma série de entrevistas que o intelectual concedeu à imprensa internacional no período no período de um mês que se seguiu aos atentados.

Abaixo, confira uma linha cronológica do ataque. 

8H46 (9H46 em Brasília)

A primeira das Torres Gêmeas do World Trade Center (WTC) de Nova York é atingida pelo Boeing 767 da American Airlines. Noventa e duas pessoas a bordo, incluindo cinco sequestradores, são sacrificados.


9H03 (10H03)

A segunda Torre Gêmea do WTC recebe o impacto do Boeing 767 da United Airlines. Sessenta e cinco pessoas a bordo, incluindo cinco sequestradores, morrem na explosão.


9H30 (10H30)

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que estava em Sarasota (Flórida), admite a motivação terrorista dos ataques e ordena a abertura de uma investigação para capturar os responsáveis.


9H43 (10H43)

O Pentágono, em Washington, é alvo de duas explosões provocadas por um avião Boeing 757 da American Airlines com 64 pessoas a bordo, dentre elas, cinco sequestradores.


9H45 (10H45)

Todos os voos comerciais no país são cancelados e a Casa Branca esvaziada. O mesmo acontece com o Pentágono e com o Departamento de Estado pouco depois.


10H05 (11H05)

Uma das Torres Gêmeas do WTC desaba levantando uma gigantesca nuvem de poeira.


10H10 (11H10)

Um avião Boeing 757 da United Airlines, que fazia a rota Newark (Nova Jersey, nordeste) - São Francisco (Califórnia, oeste), cai em um campo no estado da Pennsylvania. 44 pessoas a bordo, incluindo quatro terroristas, morrem.


10H28 (11H28)

A segunda Torre Gêmea do WTC sucumbe, gerando milhares de toneladas de escombros pelas redondezas.


11H02 (12H02)

O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, pede aos nova-iorquinos que abandonem o sul da Ilha de Manhattan.


13H04 (14H04)

O presidente Bush declara estado de alerta máximo das Forças Armadas dos EUA.


13H50 (14H50)

O prefeito de Washington, Anthony Williams, decreta estado de emergência na capital federal por tempo indeterminado.


17H25 (18H25)

Um edifício de 47 andares, vizinho às Torres Gêmeas, vem abaixo após um longo incêndio.


20H30 (21H30)

Em pronunciamento transmitido pela televisão, Bush informa à população estarrecida que milhares de pessoas morreram em decorrência dos atentados e assegura que a punição será severa tanto dos terroristas autores dos ataques quanto daqueles que os protegem.