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6 anos de sequestro: a impactante saga do jornalista Terry Anderson

Atuando como correspondente na Guerra Civil Libanesa, Anderson foi raptado por militantes xiitas e passou anos em cativeiro

Joseane Pereira Publicado em 10/06/2020, às 16h59

Terry Anderson, chefe da Associated Press em Beirute, mantido em cativeiro por militantes islâmicos
Terry Anderson, chefe da Associated Press em Beirute, mantido em cativeiro por militantes islâmicos - Getty Images

Entre 1985 e 1991, o jornalista norte-americano Terry A. Anderson viveu anos de desespero. Sequestrado em uma rua de Beirute, capital do Líbano, ele foi o norte-americano a ficar mais tempo nas mãos dos militantes xiitas do Hezbollah, que durante a Guerra Civil Libanesa se esforçavam para expulsar os norte-americanos do território.

Nascido em Ohio, Anderson era um jornalista especializado em cobrir guerras e conflitos. Graduado em jornalismo e Ciência Política, ele atuou por seis anos como jornalista de combate no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, e também em duas missões de serviço durante a Guerra do Vietnã.

Após servir na Ásia e África junto à agência de notícias Associated Press, ele foi designado para o Líbano como correspondente-chefe do Oriente Médio no ano de 1983. Mas o que era para ser mais uma etapa de sua carreira acabou virando um marco traumatizante, que demorou anos para ser concluído.

Durante a guerra do Líbano, os Estados Unidos passaram a fornecer armas e auxílio militar a Israel. Isso fortaleceu as tropas israelenses nos ataques de 1982 e 1983, contra muçulmanos e drusos, levando esses grupos a abominar a intervenção norte-americana no conflito.

Bairro de Karantina, noroeste de Beirute, durante a guerra / Crédito: Getty Images

 

Apoiados pelo Irã, muçulmanos xiitas resolveram pressionar os norte-americanos através de ataques, sequestros e mortes. Nesse contexto, o jornalista e muitos outros norte-americanos foram feitos reféns.

O sequestro

Em 16 de março de 1985, Anderson foi retirado de seu carro em Beirute por três homens armados, que o enrolaram em um cobertor pesado e o forçaram a entrar em outro veículo. Levado para uma garagem, ele teve os pulsos e tornozelos amarrados e um capuz foi colocado em sua cabeça. Foi assim, vendado e sem ideia de onde estava, que ele passou os 6 anos e nove meses seguintes.

Chegada de Terry Anderson em Wiesbaden, Alemanha, após sua libertação / Crédito: Getty Images

 

Com pouca privacidade e vivendo na solidão, Anderson tinha a companhia ocasional de outros reféns que eram colocados junto a ele. Durante esse tempo, oficiais norte-americanos negociavam a soltura dos mais de cem prisioneiros sequestrados. Onze deles faleceram ou foram assassinados, e o jornalista acabou sendo o último que restou.

Libertado em 4 de dezembro de 1991, quando a guerra civil chegou ao fim, o jornalista foi recebido com celebrações e reconstruiu sua vida aos poucos. Trabalhando como professor universitário, Anderson se aposentou no ano de 2015.


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