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Há exatos 60 anos, as irmãs Mirabal eram assassinadas pela sua luta contra a ditadura dominicana

O crime impactou não apenas seu país, mas o mundo, fazendo com que o Dia Internacional de Não-Violência Contra a Mulher fosse criado como homenagem

Ingredi Brunato Publicado em 25/11/2020, às 17h00

Montagem com as três Irmãs Mirabal que foram assassinadas
Montagem com as três Irmãs Mirabal que foram assassinadas - Casa Museo Hermanas Mirabal

O ditador Rafael Leónidas Trujillo já estava no poder na República Dominicana fazia 30 anos quando saiu a notícia da morte das três irmãs Mirabal - Patria, Minerva e María Teresa -, que haviam sido encontradas em um jipe no fundo de um barranco. 

O cenário fora arranjado de forma a parecer um crime, porém a verdadeira causa da morte delas teria sido enforcamento seguido de espancamento para parecer que os corpos haviam sofrido com o impacto de um carro rolando morro abaixo. 

As ativistas, que eram muito conhecidas, tinham um histórico de resistência contra o regime trujillista, de forma que a versão da uma morte acidental não foi comprada pelo público. Inclusive, no início do ano das mortes, quando as alertaram sobre a possibilidade de assassinato, Minerva - a mais ativa das três - teria respondido: "Se me matam, levantarei os braços do túmulo e serei mais forte".

A frase, vista do futuro, tem ares de premonição, uma vez que a repercussão desse violento crime de motivações políticas foi decisiva para desmantelar o governo tirânico de Trujillo. Menos de um ano depois, em 1961, quando até os Estados Unidos já haviam retirado seu apoio à ditadura dominicana, ele próprio seria assassinado. 

Fotografia de Rafael Leónidas Trujillo / Crédito: Getty Images 

 

Quem eram as irmãs Mirabal 

Patria, a mais velha, abandonou o internato católico onde estudava aos 17 anos, para se casar com um fazendeiro que mais tarde engajaria na luta contra o regime trujillista junto dela. 

Minerva, a mais politizada, terminou o colégio e cursou Direito. Em 1949, para seu desgosto, conheceu Rafael Trujillo, que deu em cima dela. O fato da moça ter recusado resultou no cassação de sua licença para praticar a profissão, além de ter sido assediada e presa por oficiais diversas vezes por ordem direta do ditador. 

María Teresa, a mais nova, fez faculdade de matemática, e acabou entrando no ativismo por causa de Minerva, cujos pensamentos ela admirava muito. Seu envolvimento na luta de resistência acabou lhe rendendo prisões também. 

Segundo o Centro Cultural e Comunitário das Irmãs Mirabal, a irmã mais nova teria dito, em uma frase que também soa como premonição: "Talvez o que mais tenhamos perto seja a morte, mas essa ideia não me assusta. Continuaremos a lutar por aquilo que é justo."

"Elas tinham uma longa trajetória de conspiração e resistência, então muitas pessoas as conheciam", comentou Luisa de Peña Díaz, diretora do Museu Memorial da Resistência Dominicana, à BBC. 

O assassinato 

Dedé, a única Mirabal que não foi assassinada, pois, não se envolvia nas atividades clandestinas destinadas a sabotar a ditadura, falou sobre sua reação à morte das irmãs no documentário Las Mariposas (que é o título pelo qual as moças ficaram conhecidas no país): “Foi um dia terrível, porque apesar de sabermos [dos perigos], não pensávamos que o crime iria se concretizar. Eu agarrava os policiais e dizia: não foi um acidente, as assassinaram."

O crime político teria vindo em um momento de tensão social, em que o peso dos desaparecimentos e relatos sobre torturas se tornava muito grande, alcançando um ponto de erupção. A morte das três mulheres marcou essa virada, em que a população passou de uma etapa em que estava tentando aguentar a ditadura, para outra em que a indignação era grande demais para continuar. 

"O crime foi tão horroroso que as pessoas começaram a sentir-se totalmente inseguras, até mesmo aqueles que eram mais próximos do regime. Porque sequestrar três mulheres, matá-las e atirá-las em um barranco para fazer parecer um acidente é horroroso", explicou ainda De Peña Díaz ao portal da BBC Mundo. 

Legado 

Fotografia das irmãs Mirabal / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Foi em homenagem às irmãs Mirabal que, em 1999, a ONU declarou o dia 25 de novembro - em que os cadáveres delas haviam sido encontrados - como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher.


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