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Hanoi Hilton, a câmara de tortura vietnamita para prisioneiros norte-americanos

Chamada pelos vietnamitas de Hoa Lò, a prisão com ganchos de carne e correntes de ferro serviu para torturar centenas de soldados

Joseane Pereira Publicado em 10/10/2019, às 09h00

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- Wikimedia Commons

A prisão de Hoa Lò, localizada na cidade norte-vietnamita de Hanói, foi o cativeiro de centenas de soldados norte-americanos durante a Guerra do Vietnã. Lá, os prisioneiros eram mantidos em isolamento por anos a fio, acorrentados a pisos infestados de ratos e pendurados em ganchos de metal enferrujados.

Com o fim da guerra, os soldados foram finalmente libertos. Mas nem todos tiveram essa sorte: cerca de 114 prisioneiros acabaram morrendo em cativeiro, muitos deles dentro dos muros de Hoa Lò.

Cativeiro implacável

Anteriormente, o Hanoi Hilton era uma prisão colonial francesa chamada La Maison Centrale. Os vietnamitas, no entanto, passaram a chamar o local de Hoa Lò, que se traduz como Forno Ardente. Durante quase uma década de guerra, mais de 700 prisioneiros foram mantidos em cativeiro, sofrendo anos de tortura e abuso diários.

Prisioneiros norte-americanos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além do confinamento solitário, os prisioneiros eram regularmente amarrados com objetos de ferro que restavam da era colonial francesa. Como eram feitos para pulsos e tornozelos menores, os grilhões acabavam cortando a pele dos homens e deixando suas mãos negras.

“Durante uma sessão de tortura de rotina com um gancho de ferro que pendia do teto, os vietnamitas amarravam as mãos e pés de um prisioneiro e depois ligavam-nas a seus tornozelos - às vezes atrás das costas, às vezes na frente. As cordas eram apertadas a tal ponto que impediam a respiração, e o prisioneiro era içado no gancho”, afirmou o ex-prisioneiro Sam Johnson.

“Os guardas voltavam a intervalos para apertá-los até que todos os sentimentos se acabassem, e os membros do prisioneiro ficaram roxos e incharam até o dobro do tamanho normal. Isso duraria horas, às vezes até dias a fio”.

Memorial de Hoa Lò / Crédito: Reprodução

 

Após a Guerra

No início de 1973, após o acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Vietnã do Norte, 591 prisioneiros de guerra americanos ainda em cativeiro foram libertados. Décadas depois, o ex-prisioneiro John McCain retornou ao local para descobrir que a maior parte dele se tornara apartamentos de luxo, e o restante se tornou um museu chamado Memorial da Prisão de Hoa Lò.

"Quarenta anos depois, quando relembro essa experiência, acredite ou não, tenho emoções um tanto confusas por ter sido um período muito difícil”, afirmou McCain em 2013. "Mas, ao mesmo tempo, os laços de amizade e amor com meus companheiros de prisão serão a lembrança mais duradoura dos meus cinco anos e meio de encarceramento."


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