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Heinrich Himmler: Há 74 anos morria um dos líderes do nazismo

Adepto do ocultismo, Himmler foi uma das figuras mais temidas da Alemanha Nazista. Afinal, ele morreu por suicídio ou assassinato?

Joseane Pereira Publicado em 23/05/2019, às 16h00

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- Reprodução

Heinrich Himmler, que nasceu em 1900 e morreu em 1945, é considerado um dos homens mais temidos e poderosos da Alemanha Nazista. Líder da SS (organização paramilitar de proteção ao Partido) e da Gestapo, Himmler liderou campos de concentração e organizou a morte de milhões de pessoas, convencido de que o futuro da Alemanha descansava nas estrelas.

A SS, ocultismo e pureza racial

Em 1929, Adolf Hitler selecionou pessoalmente Himmler para organizar sua unidade de guarda pessoal, a Schutzstaffel, ou Guarda de Proteção. Contando com 200 homens racialmente selecionados e disciplinados, a SS resguardava o chefe nazista em comícios, discursos e eventos públicos. Era o primeiro grande cargo destinado a Himmler, que o utilizaria em seus esforços de transformar a sociedade alemã.

Himmler investiu na expansão do grupo, que em 1933 já contava com mais de 52 mil homens. Nesse mesmo ano se dava a construção de Dachau, primeiro campo de concentração nazista, do qual ele participou ativamente.

Himmler observando prisioneiro soviético / Créditos: Reprodução

 

Astrólogo e cosmologista experiente, o líder da SS acreditava que o triunfo dos alemães perante o mundo estava escrito nas estrelas. Em sua mente, o grupo que ele liderava seria a nova aristocracia da Alemanha, formada por pessoas da mais alta estirpe: cada um dos soldados deveria ser um ótimo líder, administrador e intelectual.

Muitos dos encontros da SS eram realizados à noite, em castelos iluminados apenas por tochas. Seus oficiais deveriam se alimentar apenas com alho-poró e água mineral no café da manhã, e junto a Himmler se sentavam na mesa apenas 12 pessoas por vez — à moda do Rei Arthur.

À medida em que ganhava mais poder, o oficial não media esforços para purificar sua raça. Ele foi um dos responsáveis pela chamada solução final, uma política de aprisionamento em campos de concentração e eliminação em massa de judeus e outros grupos considerados inferiores, com uso de câmaras de gás.

Obtendo total controle dos sistemas de campos de concentração da Alemanha e da Europa Oriental, foi ele quem fez com que os trens de gado saíssem e chegassem na hora certa, maquinando o extermínio em seus mínimos detalhes.

Assassinato ou suicídio?

Após a rendição alemã, Himmler conseguiu fugir usando a identidade falsa de Heinrich Hitzinger, mas foi capturado por um soldado britânico enquanto tentava ir para a Suíça.

O ex-oficial nazista teria sido revistado, encontrando-se nele dois frascos de cianureto. Dois dias depois, em 23 de maio de 1945, ele teria morrido por suicídio, ingerindo uma cápsula de cianureto enquanto estava sob custódia dos britânicos.

Entretanto, uma pesquisa feita pelo historiador Martin Allen questiona essa história tradicional. Na verdade, Himmler teria sido morto pela própria Inteligência Britânica, para impedir que suas negociações clandestinas de paz com os Aliados, começadas em 1943, fossem a público – o que teria sido altamente embaraçoso para o governo britânico, que à época exigia a rendição incondicional da Alemanha nazista.

O fato de que ele foi enterrado em um túmulo sem identificação, de modo que nenhuma autópsia pôde ser realizada, também reforça a hipótese de Allen.


Saiba mais

Himmler's Secret War: The Covert Peace Negotiations of Heinrich Himmler, por Martin Allen. Editora Da Capo Press.