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Heinrich Severloh: o soldado do Dia D que afirmou ter usado 13.000 balas

O combatente foi responsável por centenas de baixas estadunidenses, mas chegou a fazer amizade com uma de suas vítimas anos depois

André Nogueira Publicado em 25/06/2020, às 11h31

Heinrich Severloh
Heinrich Severloh - Divulgação/Youtube/Mark Lola

No brutal Dia D, um banho de sangue marcou o episódio da Segunda Guerra, com um temeroso movimento de risco dos Aliados para entrarem na frente ocidental da Europa, ocupada pelo Terceiro Reich. Entre os militares da Wehrmacht responsáveis pela defesa das colunas alemãs contra o desembarque, estava Heinrich Severloh, que relatou sua participação na batalha em livro, em 2000.

Severloh atuou como atirador em Omaha, responsável pelo uso de uma metralhadora MG42 que levou à morte centenas de aliados, principalmente estadunidenses. Nascido em 1923, no interior da Alemanha, ele tinha certa experiência bélica, o que possibilitou o sucesso e a sobrevivência naquele cenário mortal.

O homem entrou nas forças armadas em 1942, quando tinha 19 anos, ingressando à 19ª Divisão de Artilharia Leve de Hanover. Após treinamento inicial, ele foi enviado para um regimento da França ocupada, onde não teve grande destaque, até ser novamente transferido, cinco meses depois, e enviado para Frente Oriental.

Na Rússia, o combatente demonstrou relevante posicionamento indisciplinado, sendo repreendido por um oficial por fazer “comentários dissidentes”, recebendo punições físicas. Essa represália foi tão violenta que ele acabou sendo hospitalizado e ficou seis meses inábil, até ser dispensado. Como consequência, voltou à fazenda da família, para trabalhar com agricultura.

Severloh / Crédito: Divulgação/Youtube/Mark Lolo

 

Porém, em 1943, com as fronteiras do Reich sendo ameaçadas, ele fez parte da nova convocação massiva para Wehrmacht, sendo dessa vez enviado para uma escola de suboficiais para treinamento. Passando quase um ano na base no interior da Alemanha, Severloh foi condicionado a luta no Frente Ocidental.

Por isso, foi novamente enviado para França, onde habitou uma base fixa da Normandia. Tornou-se manuseador da metralhadora MG42 a partir de um posto elevado, a 50 metros da altura da praia.

Sob comando de Bernhard Frerking, esteve na linha de frente em junho de 1944, quando a operação dos Aliados desembarcou tropas estadunidenses na praia onde estava arregimentado, entre as cidades de Sainte-Honorine-des-Prestes e Vierville-sur-Mer (no código operacional dos EUA, a sessão era tratada como Praia de Omaha), operou a arma na defesa da ocupação nazista.

A posição de Severloh foi atingida por bombardeios aéreos, que não gerou grande número de baixas, dando início a um tiroteio direto que chacinou diversas unidades dos EUA. A metralhadora automática permitiu que centenas de estadunidenses fossem baleadas consecutivamente, reduzindo a capacidade de ação das tropas.

Desembarque em Omaha / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo os relatos do militar, foram usadas 13.000 balas de metralhadora e 400 de rifle (que usava nos intervalos de esfriamento da arma principal) enquanto ele se manteve na posição. Porém, um novo bombardeio obrigou as tropas alemãs a recuarem. É bastante crível que a taxa de aproveitamento dessas munições foi alta, levando à morte de centenas (por mais que Severloh clame ter abatido milhares).

A tropa onde estava Severloh é considerada de grande relevância na defesa de Omaha; porém, não foi suficiente para impedir o sucesso da operação e a invasão aliada da França. Mesmo mobilizada, a equipe de alemães continuou a lutar, mas disparos realizados de navios dos inimigos atingiram o novo ponto de tiro do soldado, o fazendo seu rosto ser atingido.

Ele, então, foi obrigado a recuar e ser levado à assistência, enquanto os Aliados avançavam. Ele então abandonou a praia e passou a correr para o interior do continente, tentando se salvar, junto a mais dois sobreviventes. Porém, em Colleville-sur-Mer, ele foi capturado por tropas estrangeiras.

Severloh foi levado para um campo de prisioneiros de guerra em Boston, EUA, e colocado em regime de trabalho compulsório. Em 1946, foi transferido para outro campo, dessa vez na Inglaterra, até que foi solto no ano seguinte por clemencias da família.

Severloh e Silva em encontro / Crédito: Divulgação/YouTube/Channel 4 News

 

Heinrich passou a abordar sua experiência na defesa da Normandia em alguns documentos, participando da produção de livros e eventos sobre a data. Num desses movimentos, chegou a fazer uma grande amizade com um dos soldados que atingiu, o militar David Silva, com quem se encontrou inúmeras vezes. Em 200, finalmente, escreveu o livro WN6, em que relatou sua experiência na França.

Continuando a morar na Alemanha, Severloh morreu em 2006, aos 82 anos, após diversas demonstrações de arrependimento em relação ao regime que serviu e protegeu na Segunda Guerra. Nas poucas entrevistas que deu, sempre relatava o pesar da experiência que teve como soldado nazista.


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