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Hélène Jégado, a cruel envenenadora do século 19

Responsável pela morte de mais de 20 pessoas, a criminosa trabalhava como cozinheira e colocava certa quantidade de arsênio nas refeições de suas vítimas

Nicoli Raveli Publicado em 30/05/2020, às 09h00

Hélene Jégado, a envenenadora do século 19
Hélene Jégado, a envenenadora do século 19 - Divulgação

Hélene Jégado teve sua infância marcada por uma grande perda. Na comunidade francesa de Plohinec, foi abandonada por seu pai e, posteriormente, viu sua mãe falecer quando tinha apenas sete anos de idade.

Aquele seria o início de uma vida repleta de episódios conturbados. Sem uma figura materna, a jovem e sua irmã foram levadas à casa de suas tias, que as tratavam com certa severidade.

Aos 17 anos, os parentes a levaram a uma paróquia — conhecida como Curé — onde arrumou seu primeiro emprego como cozinheira em Bubry. A rotina era monótona: acordava, trabalhava e voltava para casa. Não demoraria para que Jégado encontrasse uma maneira bizarra de mudar o modo como vivia. 

Ilustração da serial killer Hélene Jégado / Crédito: Divulgação 

 

Envenenamentos

O clima era de mais um dia comum, quando Hélene foi acusada de um acidente que havia ocorrido em sua cozinha: acreditavam que ela era fora responsável por ter adicionado grãos de arsênico numa sopa.

Após a suspeita, a mulher — desesperada — decidiu se mudar para Guern, onde também trabalhou como cozinheira após ser contratada pelo padre François Le Drogo. A partir de então, Jégado mostrou sua verdadeira face: a de assassina em série.

Em questão de meses, sete pessoas morreram. Entre eles, estavam pessoas de sua família e também seu patrão. Na cidadezinha, porém, ninguém levantava qualquer suspeita contra ela, já que em 1832 muitas mortes eram atribuídas à cólera ou causas naturais.

Além disso, seu luto era muito convincente. Em meio às vitimas, estava sua própria irmã — que também trabalhava como cozinheira. Após o período da suposta reclusão, Hélene voltou à Bubry para substituí-la em seu trabalho de cozinheira.

Múltiplos assassinatos

Lá, causou a morte de mais três pessoas, incluindo a de sua tia. A fim de esconder qualquer suspeita, a envenenadora mudou-se para Locmine, onde passou a morar com Marie-Jeanne Leboucher e seus filhos.

Na cidade, ninguém sabia sobre suas atrocidades. Portanto, quando preparava uma refeição, todos os moradores aceitavam e agradeciam pelo ato tão bondoso. Com muita frieza, decidiu adicionar uma quantidade de arsênico em um dos alimentos. Uma senhora e sua filha morreram em poucos dias. O garoto — que nunca havia degustado um alimento preparado por Hélene — sobreviveu.

Após as mortes, a criminosa decidiu procurar outro lar. Acreditava que seria a melhor maneira de fugir de novas suspeitas. E assim viveu até 1841: se acomodava em uma residência e envenenava os moradores. Em seguida, saída em busca das próximas vítimas.

Seus assassinatos, porém, diminuíram em torno de dez anos, mas algumas mortes ainda ocorriam. Durante esse tempo, foi demitida de diversos empregos após provocar vandalismo e roubar seus próprios locais de trabalho.

Crimes posteriores

Sem uma profissão fixa, mudou-se para Rennes e sua rotina de assassinatos voltou à tona em 1849. Em dois anos, causou a morte de duas empregadas na residência de Theophile Bidard — um homem que havia oferecido um quarto em sua casa para Jégado. Ignorando a hospitalidade do homem, não pensou duas vezes antes de também dar fim a sua vida. 

Devido à semelhança entre as mortes, autoridades decidiram averiguar se existia uma possível ligação. A partir da análise, realizaram um exame que alegou a causa da morte por envenenamento de arsênico.

Ilustraçaõ de Hélene Jégado, vestida com um avental, sendo acusada pela população / Crédito: Divulgação 

 

Sem ser questionada sobre os assassinatos, Hélene declarou que era inocente, o que despertou suspeitas nas autoridades locais. Mesmo sem qualquer prova — já que Jégado nunca foi encontrada portando qualquer quantidade do veneno —, a mulher foi acusada pelos três assassinatos e por diversos furtos em 1851.

Mesmo que a assassina negasse seu envolvimento, foi presa e condenada à morte. A defesa tentou recorrer ao alegar que sua cliente estava com uma grave doença e que, portanto, deveria ser poupada da guilhotina.

Seu pedido não foi atendido e, em 1862, a envenenadora foi decapitada. Nos momentos finais, alegou que assassinar aquelas pessoas lhe trazia a sensação de poder que ela tanto adorava.


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