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Heley de Abreu Silva Batista, a professora que deu a própria vida para salvar os alunos

Pedagoga em uma creche de Minas Gerais, ela não pensou duas vezes quando viu que suas crianças estavam em perigo

Pamela Malva Publicado em 10/10/2020, às 08h00

Fotografia da professora Heley de Abreu Silva Batista
Fotografia da professora Heley de Abreu Silva Batista - Divulgação

Em meados de 2017, a creche Gente Inocente em Janaúba, Minas Gerais, tinha capacidade para receber de 82 crianças. Na manhã do dia 5 de outubro daquele ano, a instituição estava cheia de alunos quando uma tragédia aconteceu.

Com motivos que só foram descobertos mais tarde, durante as investigações do caso, o segurança noturno da escola fez o impensável. Munido de um galão de álcool, o homem de 50 anos entrou na escola e ateou fogo em si mesmo e em diversas crianças. Era um pesadelo.

Fotografia de Heley / Crédito: Wikimedia Commons

 

Gritos de socorro

Aquele fatídico dia 5 de outubro tinha começado como qualquer outro para os funcionários da creche. A rotina estava apenas começando e Heley, de 43 anos, guiava seus alunos para a sala de aula quando a trágica série de eventos começou.

Horas antes do começo de seu turno, o vigilante Damião Soares dos Santos, de 50 anos, entrou na instituição. Com o líquido inflamatório em mãos, o segurança noturno foi até a sala do segundo período e começou o incêndio.

Damião ateou fogo em si mesmo e logo partiu para cima dos pequenos, que tinham entre quatro e cinco anos. A sala de aula foi rapidamente tomada pelas chamas, enquanto Heley e outras duas professores tentavam impedir o ataque. 

Selfie do segurança noturno Damião Soares dos Santos / Crédito: Divulgação/Polícia Militar

 

Corpos queimados

Sem pensar duas vezes, a pedagoga partiu para cima do vigilante e, segundo diversas testemunhas, entrou em uma luta corporal com o homem. Dessa forma, antes de tentar salvar o maior número de crianças que conseguisse, Heley também teve o corpo incendiado.

Junto de outras duas funcionárias, Jéssica Morgana e Geni Oliveira, a professora conseguiu retirar vários alunos da sala de aula, mas teve de ser levada para o hospital. Mais de 90% do seu corpo estava coberto por queimaduras irreversíveis.

Desastre coletivo

Durante o incêndio, logo que a gritaria começou, diversos vizinhos da creche foram até a escola para socorrer as vítimas. Por sorte, muitas crianças foram salvas. No total, dez pequenos foram vítimas do ataque — todos tinham mais de 80% do corpo queimado. Além deles, segundo os bombeiros da região, outras 28 crianças e três adultos ficaram feridos e foram levados para o hospital às pressas. 

Heley chegou a ser levada para o Hospital Regional de Janaúba, mas, em estado grave, não resistiu aos ferimentos. Sob cuidado dos médicos, a professora chegou a ter duas paradas cardíacas. As outras duas funcionárias também não sobreviveram.

Damião, o único responsável pelo incêndio, morreu na tarde do ataque. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu, assim como a professora que tentou detê-lo. Segundo sua família, o segurança tinha problemas de saúde mental e recebia tratamento psiquiátrico, mas nunca deixou de afirmar que, mais cedo ou mais tarde, iria se matar.

O estado de uma das salas atingidas pelo fogo / Crédito: Divulgação/Polícia Militar

 

Condecorações de uma heroína

Conhecida na comunidade como membro da Pastoral Familiar, Heley era um exemplo de profissional. Por isso, não foi surpresa para ninguém quando revelaram que ela deu a própria vida para salvar a das crianças que lecionava.

Formada em pedagogia, ela era especializada na inclusão de Pessoas com deficiência e, segundo colegas, tinha um bebê de apenas um ano de idade. Muito gentil, Heley  dedicava grande parte de seu tempo a cursos para noivos e trabalhos voluntários.

Posteriormente, pelo "gesto de coragem e de heroísmo”, a professora foi condecorada com a Ordem Nacional do Mérito e com a Medalha da Inconfidência. Muito mais do que os títulos, contudo, Heley passou a fazer parte da história, como a corajosa professora que salvou a vida de 25 crianças na melancólica tragédia.


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