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Heliogábalo: o jovem imperador que fez de Roma seu harém

Apesar do pouco tempo de liderança, o político é tido como um dos mais infames imperadores de Roma

Caio Tortamano Publicado em 11/12/2019, às 23h00

Supostamente, o imperador teria quase sufocado seus convidados durante um jantar com inúmeras pétalas
Supostamente, o imperador teria quase sufocado seus convidados durante um jantar com inúmeras pétalas - Getty Images

Varius Avitus Bassianus nasceu em uma região antiga que hoje pode ser encontrada na Síria. Parente de Septímio Severo, era de uma família que um dia já fora influente dentro do Império Romano.

Septímio governou Roma num período de estabilidade, mas seu sucessor, Caracala, viveu sob constantes pressões políticas até ser assassinado, dando lugar ao General Macrinus, governando terrivelmente mal o império.

Como forma de retomar as glórias do Império Romano, Júlia Mesa, meia-irmã de Septímio, articulou a retirada do general do poder, colocando no lugar justamente Bassianus, seu neto, que tinha apenas 14 anos.

A escolha foi fortalecida por um rumor que Mesa teria espalhado de que Heliogábalo, como viria a ser chamado, era filho ilegítimo de Caracala, embora fossem apenas primos.

De cara, o seu reinado quebrou tradições dos antigos romanos. Em um dos episódio polêmicos, negou os deuses tradicionais do império e adotou os seus próprios. Em sua terra natal, Heliogábalo era sacerdote do rei sol Elah-Gabal, trazendo com ele uma estátua da divindade para a capital.

Mesmo sendo imperador, ele continuou realizando suas funções como sacerdote, sacrificando vacas, ovelhas e até mesmo mulheres para a divindade tão louvada pelo novo líder do império. É dito que os mais finos vinhos eram misturados com sangue para oferendas.

Uma de suas ações que mais demonstraram desdém por outras crenças foi a de ter tomado como esposa uma das virgens sagradas que desempenhavam a função de sacerdotisa na Casa das Vestais.

Além disso, ele conduzia simulações de batalhas navais com grandes quantidades de vinho, e também elaborou procissões com carros puxados por elefantes, tigres e leões andando em pleno Vaticano.

Heliogábalo sendo levado por escravos durante procissão / Crédito: Getty Images

 

Nos banquetes organizados pelo imperador, eram servidos diferentes tipos de pratos para a população. Um dia poderia ser um suclento pedaço de carne, no outro apenas um cachorro morto. Ele chegou até a servir comidas falsas apenas para aproveitar a surpresa das pessoas ao morder pedaços de madeira e cera ao invés de comida.

Também foi discutido que Heliogábalo nunca teve relações sexuais (sendo homem ou mulher) com uma mesma pessoa por mais de duas vezes. Só realizava o ato com a sua esposa (que foram cinco ao longo de sua curta vida). Sua obsessão por sexo o levou a criar verdadeiras orgias em casa, convidando amigos, parentes e até escravos.

Certa vez, ele reuniu todas as prostitutas da cidade no Fórum romano, aparecendo diante de todos usando roupas femininas. A partir daí as coisas começam a ficar estranhas, com o imperador dando ordens sexuais específicas para as pessoas em troca de generosos prêmios.

Também foi revelado que o jovem imperador mantinha relações com um amante, ao qual inclusive chamada de “marido”. Era Hierocles, um notório piloto durante as corridas biga.

É discutido, ainda, que Heliogábalo fazia questão de ser visto com outros amantes diversas vezes. Isso porque tinha a esperança de que o corredor aplicasse alguma punição física, como forma de masoquismo.

Não se sabe ao certo se atos violentos ocorreram entre eles, mas uma história peculiar ronda a vida de Hierocles. O imperador tinha o costume de trazer súditos para tomar banhos no palácio, assim Heliogábalo poderia observar as pessoas nuas em seu conforto.

Certa vez, um atleta foi trazido pela guarda real ao palácio para tomar banho. Aurélio Zótico possuía um belo corpo que chamou muito a atenção do imperador. Tomado pelo ciúmes, Hierocles fez com que dessem uma droga para o rapaz afetando seus dotes físicos e sabotando a beleza do novo xodó do imperador.

Seu poder chegou ao fim com um golpe militar. Aos 18 anos, ele foi esfaqueado até a morte por seus guardas, mas nada disso surpreendeu Júlia Mesa, que havia arquitetado o fim do império desde o começo.

Júlia, que era sua avó, sugeriu a Hielogábalo que adotasse seu primo de 12 anos, Alexandre, como seu sucessor. O garoto rapidamente ganhou popularidade no império, o que deixou o imperador desesperado e ordenou que o matassem, mas já era tarde demais.


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Declínio e queda do império romano, Edward Gibbon (2005)

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SPQR - Uma história da Roma antiga, Mary Beard (2017)

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