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Vlad, o Empalador: conheça o Drácula da vida real

Herói para uns, tirano para outros. Saiba mais sobre o príncipe que inspirou às brutais lendas de vampiros

Reinaldo José Lopes Publicado em 21/07/2020, às 08h00

Estátua de Vlad, o Empalador
Estátua de Vlad, o Empalador - Wikimedia Commons

Por trás das páginas tensas do clássico Drácula, escrito em 1897 pelo romancista irlandês Bram Stoker, existe a história real de um líder impiedoso que deteve o avanço do Império Otomano no século 15.

Ele era Vlad III da Valáquia, sul da atual Romênia – embora seus conterrâneos e inimigos tenham usado também o sinistro apelido de Tepes (o Empalador, em romeno), já que o príncipe tinha uma fascinação macabra por empalamentos.

Esse método de execução e tortura prolongada envolvia o uso de uma estaca de madeira. Uma das maneiras de usar o instrumento era enfiá-lo pelo ânus e fazê-lo sair pela boca, mas Vlad III gostava de variar: podia espetar a pessoa no abdome ou pregar bebês ao peito das próprias mães, por exemplo.

O brutal Vlad / Crédito - Wikimedia Commons

 

De um jeito ou de outro, o fato é que a coisa doía e demorava. Conta-se que Drácula também fazia isso com pássaros e ratos.

Por tamanha bizarrice e crueldade, e por uma série de acasos literários, esse príncipe virou sinônimo de vampiro sem ter ligação com as criaturas da noite. Porém, o verdadeiro caráter do Empalador é quase tão misterioso quanto o desses seres: herói nacional, tirano sanguinário ou uma mistura improvável das duas coisas?

Na história de Vlad Tepes, há capítulos que sustentam as duas imagens. Para a maior parte dos romenos, o líder foi um grande defensor do país, livrando a Romênia cristã das espadas turcas.

“Ele realmente conseguiu defender seu pequeno principado de um império poderoso por algum tempo. Não há dúvidas sobre sua crueldade, mas pode-se argumentar, como fazem muitos historiadores romenos, que ele não era pior que outros líderes de seu tempo”, afirma a pesquisadora canadense Elizabeth Miller, especialista em ambos os dráculas: o histórico e o personagem literário.

Transilvânia

Foi lá que o príncipe Vlad e seus irmãos Mircea e Radu nasceram, na cidade de Sighisoara.

Aliás, essa é a única verdadeira associação do futuro Empalador com a famigerada Transilvânia, já que ele nunca foi conde do lugar. Acredita-se que Vlad veio ao mundo em 1431, ano em que também surgia seu famoso apelido. O imperador germânico Sigismundo convocou seu pai, Vlad II, que governou a Valáquia antes dele, a Nuremberg e nomeou-o para a Ordem do Dragão – um grupo de cavaleiros dedicado à defesa do imperador e da cristandade contra a ameaça turca.

Vlad II parece ter gostado tanto da honraria que adotou o título de Dracul, o Dragão (drac é dragão em romeno, enquanto ul equivale ao o). Quando adulto, Vlad III também entrou para a Ordem do Dragão e se tornou Drácula, Filho do Dragão.

Há quem acredite que o termo também tem a conotação de demônio em romeno, mas o fato é que, pelo menos no nome, os dois Vlads (pai e filho) eram guerreiros de Cristo.

Em 1436, numa tentativa de apaziguar os turcos e conseguir um pouco de independência, Vlad Dracul foi obrigado a enviar Vlad (o filho) e Radu como reféns para as terras do sultão Mehmed II, o Conquistador. Os meninos passaram sete anos entre os turcos.

Quando o sultão finalmente liberou os dois, em 1448, só o mais velho, Vlad, voltou à Valáquia, descobrindo que seu pai e seu irmão mais velho estavam mortos. Foi aí que o jovem príncipe deu início a uma série de guerras e lutas que marcariam sua vida.

Em 1456, Vlad retomou o comando da Valáquia. “E, nessa época, realizou seus maiores feitos militares e cometeu as maiores atrocidades”, diz Elizabeth. Porém, sua política tolerância zero durou só até 1461, quando 60 mil homens comandados pelo próprio Mehmed II realizaram um ataque maciço contra Vlad, que iniciou uma lenta retirada.

Até que fugiu para a Transilvânia e foi preso pelo rei húngaro Matias Corvino, que, aos poucos, caiu nas graças de Drácula, apoiando sua volta ao poder. Em 1476, Vlad III, mais uma vez, assumiu o trono. No entanto, o grosso das suas tropas logo voltou às regiões de origem e Vlad teve de enfrentar sozinho mais um ataque turco. Era o fim da linha: numa batalha ao norte de Bucareste, Drácula foi derrotado e decapitado. Tornando-se imortal apenas na fantasia.


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