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Propaganda nazista do “bebê ariano perfeito” mostrava criança judia

Fotógrafo fez nazistas caírem em uma das maiores pegadinhas do século

sexta 10 agosto, 2018
A imagem transformou os nazistas em uma verdadeira piada
A imagem transformou os nazistas em uma verdadeira piada Foto:Wikimedia Commons

Hessy tinha 6 meses quando sua mãe, Pauline Levinsons, a levou ao estúdio fotográfico de Hans Ballin, um notório fotógrafo de Berlim. A intenção era ter uma mera recordação.

Sete meses depois, a surpresa: uma empregada voltou para casa dizendo que havia visto Hessy numa banca de revistas. Pauline não acreditou e pediu para ela trazer um exemplar para casa. E eis que lá estava ela, na Sonne ins Haus (Sol em Casa).

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A capa da revista Reprodução

A publicação, editada por um amigo do líder da aviação nazista Hermann Goering,  propagava o modo de vida da família nazista. Havia sido selecionada como um perfeito exemplar da criança “ariana”.

“Essa revista foi uma das poucas permitidas a circular na Alemanha na época, porque era uma revista nazista. No interior, havia fotos do Exército com homens usando suásticas. Há uma foto do próprio Führer revendo as tropas... Era uma revista de família”, disse Hessy (que ainda está viva), em 1990, durante uma visita ao Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos.

A foto veio de um concurso promovido pelo Departamento de Propaganda Nazista, liderado por Joseph Goebbels. Procurava o "bebê perfeito". O vencedor estamparia materiais como revistas e cartões-postais. A reprodução humana dos “melhores exemplares”, a eugenia nazista, era uma das prioridades do partido. Mães alemãs de muitos filhos eram condecoradas com medalhas. O programa Lebensborn, lançado no mesmo 1935, sequestrava crianças estrangeiras e chegou a incentivar moças a terem filhos fora do casamento com oficiais da SS. 

Ballin viu o concurso como uma chance de ridicularizar os nazistas. Ele sabia que a família era judia e decidiu submeter a foto de Hessy ao Departamento de Propaganda. O objetivo foi alcançado: a imagem da bebê — com olhos e cabelos castanhos — foi a vencedora entre outros inúmeros candidatos.

Os pais de Hessy nasceram na Letônia se mudaram para Berlim em 1928. O objetivo era seguir carreira na música clássica. Em 1935, quando a foto foi tirada, a pior fase da perseguição não havia ainda começado, mas os judeus haviam sido banidos do serviço público, das artes e da mídia.

Por sorte, o partido nunca descobriu a verdadeira identidade da menina. Quando procurado pelos Levinsons, o fotógrafo apenas disse que ficassem quietos. "Foi-me pedido que submetesse as minhas dez melhores imagens para um concurso de beleza dirigido pelos nazis. Assim como a outros dez fotógrafos de destaque na Alemanha. Então dez fotógrafos enviaram suas dez melhores fotos. E eu enviei a da sua bebê", disse então à família.

Hessy posando com a capa Reprodução

Os Levinsons fugiram da Alemanha em 1938, após o pai de Hessy se envolver em problemas com a Gestapo. Foram para Paris, e em seguida para Cuba. A família só teve descanso em 1949, quando se mudou para os EUA, onde Hessy trabalha hoje como professora, em Nova York.

Thiago Lincolins


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