Matérias » Europa

A higiene de Isabel I de Castela através de registros de um funcionário

Livros escritos por um dos funcionários da realeza que foram conservados por cinco séculos falam da vida privada da monarca

Paola Orlovas, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 23/01/2022, às 09h00 - Atualizado em 25/03/2022, às 09h00

A rainha Isabel I de Castela
A rainha Isabel I de Castela - Wikimedia Commons

Sancho de Paredes Golfín, um dos funcionários da coroa espanhola durante o reinado de Isabel I de Castela, foi um camareiro do palácio de 1498 até o falecimento da rainha. Tendo liberdade para acompanhar a vida da monarca de perto e acesso às dependências dela, Sancho escreveu mais de 10 livros sobre as intimidades de Isabel I de Castela.

As anotações de Sancho de Paredes Golfín, que, segundo o El País Brasil, comandava uma equipe de outros dez funcionários, foram passadas de geração para geração durante séculos, até que chegaram às mãos de Tatiana Pérez de Guzmán el Bueno.

Apenas poucos momentos antes de morrer, durante o ano de 2012, Tatiana decidiu que as anotações, assim como outros itens dentro dos arquivos de seu patrimônio, passariam a fazer parte de uma fundação.  

A higiene

Agora, as anotações de Sancho estão no palácio dos Golfines de Abajo, em uma cidade do oeste da Espanha chamada Cáceres. No local, documentaristas catalogam os arquivos da fundação de Tatiana, incluindo os dez livros de contas de Sancho de Paredes. Um deles, o nono, fala sobre produtos de higiene usados por Isabel, a Católica.

Entre os produtos, estão perfumes, como o almíscar, o benjoim, utilizado como um hidratante para o rosto, óleo de rosa mosqueta, para eliminar manchas, e outros perfumes que foram considerados por Sancho como elaborados, entre eles: âmbar fino, água de murta (que serviu de desodorante) e óleo de azahar. 

Lendas urbanas

O uso de cosméticos demonstram que Isabel I de Castela era uma rainha que se preocupava com sua higiene pessoal, algo que se opõe, segundo o jornal El País Brasil, a imagem que era atribuída a ela, que já foi vista como uma monarca que não gostava de se lavar devido a lendas urbanas, como o boato de que ela teria feito uma promessa de não trocar de camisa até tomar o último bastião muçulmano na Espanha. 

Após a morte da monarca, Sancho de Paredes Golfín entregou os seus livros para a Controladoria de Contas. Antes disso, no entanto, o funcionário da coroa espanhola decidiu facilitar a busca entre as suas anotações, criando um índice dos conteúdos de todos os volumes, também adicionando um volume novo.

Proximidade

Os registros de Sancho também revelam a proximidade que ele, um camareiro, tinha com Isabel, a Católica e membros da família real.

O funcionário e sua esposa, que também trabalhava como camareira, recebiam “bom alojamento” e “a preços razoáveis” por onde iam. Com isso, um legado da família dele dentro da corte se estabeleceu: nove de seus 16 filhos trabalharam em outras funções, como as de escudeiro e pajem.

E o legado dos Golfines não parou por aí, porque a família passou a documentar as diferentes províncias espanholas por onde passaram com o decorrer do tempo.

Os registros vão além de Cáceres, chegando em Madri, Córdoba, Valencia, Ávila, Salamanca e Granada. Diversos arquivos foram mantidos, como testamentos, cartas, pleitos, acordos matrimoniais e heranças. Entre os documentos, que são do século 14 até 19, estão correspondências com diversos reis.