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Hildegard Trutz: a perturbadora história da mulher que gerou um filho para Hitler

Durante o Terceiro Reich, os nazistas elaboraram um programa chamado Lebensborn, cujo objetivo era gerar crianças da 'raça superior'

Giovanna Gomes Publicado em 02/01/2021, às 10h00

Hitler com crianças
Hitler com crianças - Wikimedia Commons

No ano de 1936, Hildegard Trutz , uma mulher tipicamente ariana, loira de olhos azuis, foi escolhida para dar um filho ao estado da Alemanha Nazista.

Ela fazia parte do programa Lebensborn (fonte da vida), cujo objetivo consistia na geração de bebês da "raça superior" e, consequentemente, reduzir a queda nas taxas de natalidade no país.

Conforme relatado pelo History Extra, Hildegard foi, desde que Hitlerassumiu o poder, extremamente leal ao partido.

Assim, em 1933, a jovem entrou para o Bund Deutscher Mädel, Liga das Moças Alemãs, organização que englobou até o ano de 1936, quando tinha 18 anos. “Eu estava louca por Adolf Hitler e nossa nova Alemanha”, declarou ela tempos depois. Em sua visão, era essa nova nação a melhor para o povo.

E foi com esse pensamento que acabou caindo no papo dos nazistas.

Assim que terminou os estudos naquele ano, Trutz não sabia o que aconteceria com o seu futuro e qual seriam os próximos passos.

Foi o conselho de uma líder do BDM que a levou a tomar uma decisão crucial - e que teria efeitos eternos. "Se você não sabe o que fazer, por que não dá uma criança ao Führer? O que a Alemanha precisa mais do que tudo é um estoque racialmente valioso", disse a liderança. 

Moças da BDM e rapazes da Hitlerjugend/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Ela explicou que a menina escolheria um oficial da tropa do partido nazista para ser pai de seu filho e que ela teria de fazer uma série de exames médicos, junto com uma investigação de seu histórico - precisaria comprovar que não possuía sangue judeu. Hildegard, que não conhecia o programa Lebensborn, ficou encantada com a ideia de dar uma criança para o Estado.

Como apresentava cabelos loiros e olhos azuis, era o modelo perfeito de uma mulher ariana. "Além de minhas pernas serem longas e meu tronco comprido, tinha os quadris largos e a pélvis feitos para ter filhos'.

Castelo luxuoso 

O local onde viveria pelos próximos meses era um antigo castelo na Baviera, onde se escontravam outras quarenta jovens - como era de se esperar, todas com nomes falsos. O local era luxuoso, com empregados, salas de jogos, de cinema e uma biblioteca, por exemplo. 

"Todo o lugar estava sob a responsabilidade de um professor, um importante médico da SS, que examinou cada um de nós com muito cuidado assim que chegamos", disse Trutz, segundo o History Extra. "Tivemos que fazer uma declaração legal de que nunca houve nenhum caso de doenças hereditárias, dipsomania ou imbecilidade em nossa família".

Além disso, as meninas tinham que assinar termo que assegurava que o bebê gerado seria criado em instituições especiais do Estado e que elas não teriam qualquer direito sobre eles. 

A escolha 

O próximo passo era escolher um parceiro para ser pai da criança. Assim, Trutz foi apresentada aos homens da Schutzstaffel, ou SS, grupo ligado ao partido nazista. 'Eles eram todos muito altos e fortes, com olhos azuis e cabelos loiros.' 

“Nos deram cerca de uma semana para escolher o homem de quem gostávamos e nos disseram para cuidar para que seu cabelo e olhos correspondessem exatamente aos nossos”, declarou a mulher.  "Quando fizemos nossa escolha, tivemos que esperar até o décimo dia após o início do nosso último ciclo".

De acordo com a obra When Churchill Slaughtered Sheep: Fascinating Footnotes from History, de Giles Milton, ela foi submetida a um novo exame médico e, em seguida, instruída a receber o oficial escolhido em seu quarto naquela mesma noite.

O membro da SS passou três noites com Hildegard e depois teve de ficar com outras jovens. Nove meses depois, nasceu o filho de Trutz.

Uma das casas do Projeto Lebensborn com uma funcionária cuidando de bebês / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Ela teve de desmamar a criança duas semanas após seu nascimento para entregá-lo ao Estado e nunca mais teve notícias do bebê, nem mesmo do pai. Também confessou que teve vontade de gerar mais filhos para Hitler, mas acabou se apaixonando por um oficial com quem se casou. 

Aproximadamente 20.000 bebês foram gerados pelo programa Lebensborn durante o Terceiro Reich, sendo a maioria na Alemanha e na Noruega.

Com o fim da guerra, muitos foram adotados. Porém a maior parte dos registros de nascimento foi devastada, o que fez com que a maior parte dessas crianças nunca soubesse sua origem.

++ Projeto Lebensborn: A terrível fábrica de crianças nazistas.


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