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De foguetes a satélites: 5 inovações que só foram possíveis com a corrida espacial

Nos 50 anos da Apollo 11, entenda como o desenvolvimento tecnológico do período gerou inovações nunca antes vistas

Joseane Pereira Publicado em 16/07/2019, às 13h00

Chegada do homem à Lua
Chegada do homem à Lua - Reprodução

Grande parte da tecnologia que temos hoje se originou do empenho em enviar o homem à lua. Esse esforço, que atingiu o auge quando Neil Armstrong pisou na superfície de nosso satélite, gerou reverberações que ninguém poderia imaginar.

Confira abaixo algumas delas.

1. Foguetes

O primeiro satélite feito pelo homem, Sputnik 1, marcou o alvorecer da era espacial. Lançado em outubro de 1957, ele foi idealizado pelos soviéticos a partir da adaptação dos mísseis de longo alcance da Segunda Guerra Mundial, especialmente o alemão V-2.

Após esse primeiro impulso, as tecnologias foram mudando rapidamente: em abril de 1961, Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a sair da Terra. E em julho de 1962, o primeiro satélite comercial enviava sinais de TV através do Oceano Atlântico.

Hoje em dia, os foguetes são muito mais baratos de se lançar. Enquanto o veículo de lançamento do programa Apollo, Saturno V, custou o equivalente a 1 bilhão de dólares, o lançamento do atual foguete Falcon Heavy custou apenas 90 milhões. Saindo da superfície da Terra, esses foguetes continuam a nos trazer novidades inimagináveis.

2. Satélites

A busca por uma força que levasse o ser humano à lua culminou com a construção de veículos que lançavam cargas às inimagináveis alturas de 34 a 36 mil quilômetros acima da superfície terrestre.

Posteriormente, esse impulso possibilitou que muitos satélites se alinhassem com a velocidade de rotação da Terra, permanecendo no ponto denominado órbita geossincrônica. Esses satélites são responsáveis pela comunicação ao redor do mundo, incluindo conexão à Internet e canais de televisão.

Somente no ano de 2018, mais de 380 satélites foram lançados, existindo hoje em dia um total de 4.987 em órbita. Dos satélites que operam atualmente, 40% permitem comunicações, 36% observam a Terra, 11% demonstram tecnologias, 7% melhoram navegação e posicionamento e 6% auxiliam pesquisas cientificas sobre a Terra e o Espaço.

3. Miniaturização e agilidade

Como a energia dispendida para que um objeto decole e alcance órbita é imensa, as missões espaciais têm limites restritos sobre quão grande e pesado seu equipamento pode ser. Esses limites fizeram com que a indústria espacial criasse versões menores e mais leves: até as paredes do módulo de pouso lunar foram reduzidas à espessura de duas folhas de papel.

Missões tripuladas exigiam sistemas mais complexos do que os anteriores. A tendência para construir aparelhos mais ágeis, leves e que consumissem menos energia gerou a tecnologia que conhecemos hoje.

Os dispositivos portáteis modernos executam instruções 120 milhões de vezes mais rápido que o sistema de orientação que permitia a decolagem da Apollo 11, afetando todos os aspectos da vida atual, da fabricação de automóveis ao uso de objetos domésticos, passando pela saúde e pelo iPhone que você carrega no bolso.

4. Rede global de estações terrenas

Associado ao pouso lunar de 1969, um passo importante foi dado na comunicação com veículos e pessoas fora da terra: a construção de uma rede global de estações terrestres, chamada Deep Space Network. A rede, que se compunha por grandes antenas que simulavam ouvidos, permitia que os controladores na Terra se comunicassem a qualquer instante com missões em órbitas terrestres ou além. 

Crucial para comunicação com os aventureiros da Apollo 11, a Deep Space Network também recebeu as primeiras imagens da TV de Neil Armstrong entrando na Lua. Essa rede, muito usada até os dias atuais, permite a comunicação com satélites muito distantes e monitora locais de exploração por sinais de rádio.

5. Olhar a Terra de longe

Uma das imagens recebidas pela Deep Space Network foi a de um pálido ponto azul a pender na escuridão do espaço. Essa simples imagem impulsionou movimentos em prol do meio ambiente, pela percepção de nosso planeta como único e compartilhado por todos. Pesquisas voltadas para a atmosfera superior de nosso planeta também foram possíveis, a partir das imagens tiradas pelo satélite não tripulado Explorer VI em 1959.

Desde então, temos tirado muitas fotos da Terra. Imagens de satélites são usadas para identificar a proliferação de algas e depósitos de petróleo. Reconhecemos também mudanças globais, como coberturas de geleiras e a proliferação de grandes metrópoles.

À medida que observa e aprende mais sobre o planeta Terra, a humanidade ganha mais consciência sobre o quão precioso e necessário ele é para a continuidade de nossa espécie – e das missões espaciais que podem nos levar muito mais além.