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6 personalidades históricas que morreram de forma misteriosa

De Amelia Earhart a Alexandre, o Grande: conheça figuras que tiveram mortes tão intrigantes quanto seus feitos

Vinícius Buono Publicado em 19/09/2019, às 13h58

Amelia Earhart
Amelia Earhart - Reprodução

1. Napoleão Bonaparte

Crédito: Reprodução

 

Exilado na Ilha de Santa Helena — o segundo exílio, mais longe, depois do primeiro não ser suficiente — Napoleão morreu, segundo o laudo oficial, de câncer no estômago em 5 de maio de 1821. Porém, um testamento escrito pelo próprio general três semanas antes, onde ele acusa a oligarquia inglesa de estar matando-o, gerou desconfiança.

19 anos depois, o cadáver foi exumado para ser enterrado em Paris e apresentava um excelente estado de conservação. Isso quer dizer que Napoleão era um santo incorrupto? Não, mas a exposição ao arsênico pode ter esse efeito colateral. 

Mais de um século mais tarde, em 1961, testes feitos no cabelo do ex-imperador francês detectaram elevados níveis do composto, o que acabou por gerar um frenesi: ele tinha mesmo sido envenenado!

Porém, naquela época, o arsênio ainda era utilizado em uma miríade de coisas que variavam desde produtos de beleza ao pigmento verde de roupas e papéis de parede. A esposa e o filho de Napoleão também foram analisados e eles também apresentaram altos níveis da substância.

Em 2004, outras análises chegaram à hipótese mais aceita: Napoleão morreu por complicações causadas pelos medicamentos ministrados por seus médicos em tratamentos bem questionáveis. Ele provavelmente tinha, de fato, câncer no estômago e por isso sua saúde já se encontrava debilitada. Esses remédios podem ter causado uma mudança fatal no ritmo cardíaco.

2. Amelia Earhart

Crédito: Reprodução

 

Uma pioneira da aviação, a morte de Amelia Earhart é motivo de especulação até hoje. A piloto, depois de ter sido a primeira mulher a fazer um voo transatlântico sem escalas em 1932, resolveu tentar, cinco anos depois, uma viagem ao redor do globo.

Ela e o navegador Fred Noonan partiram de Oakland, Califórnia, em 20 de maio de 1937. Complicações no plano original da viagem fizeram os dois iniciarem rumo ao leste. Passaram pelo Caribe, América do Sul, África, Ásia e Oceania. Quando rumavam para a Ilha Howland, no Pacífico Central, no dia 2 de julho, uma série de erros de comunicação com o navio Itasca, ancorado na ilha, deixou Earhart e Noonan voando cegos e a esmo sobre o oceano. Eventualmente, o avião perdeu contato.

A maior operação de busca da história dos EUA à época foi realizada, mas nada foi encontrado. A teoria mais aceita é a de que o avião ficou sem combustível e caiu no meio do oceano, mas nunca foi encontrado.

Há quem acredite, também, que os dois chegaram a sobreviver à queda e viveram um tempo em alguma das ilhas próximas como náufragos antes de morrer. Um esqueleto encontrado numa dessas ilhas foi dado como o de Amelia por algum tempo, mas a versão foi contestada e, ironicamente, o desaparecimento desse também dificultou as coisas.

Outras teorias mais bizarras também existem, como a de que ela seria uma espiã a serviço do Presidente Franklin D. Roosevelt e o voo era, na verdade, uma missão que deu errado quando o avião foi abatido pelos japoneses.

Por fim, existe também a absurda ideia de que ela teria sobrevivido e ido para Nova Jérsei recomeçar a vida como uma bancária.

3. Edgar Allan Poe

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Em 1849, Edgar Allan Poe desapareceu por seis dias nas ruas de Baltimore, nos EUA. Quando foi encontrado, estava delirando e usando roupas que não eram dele. Levado ao hospital, permaneceu nesse estado febril e alucinógeno por quatro dias até morrer. Nesse tempo, não deu respostas coerentes quando lhe perguntaram o que aconteceu e, ocasionalmente, dizia o nome “Reynolds”.

As diversas teorias variam de complicações relacionadas ao álcool (Poe era alcoólatra) a raiva, cólera, sífilis… Porém, a mais aceita é, por incrível que pareça, a mais bizarra: Nos EUA do século 19, existia uma forma de fraude eleitoral chamada cooping:

Ela consistia em gangues que pegavam pessoas aleatórias na rua e as forçavam, através do álcool e da violência física, a votar várias vezes no mesmo candidato, trocando suas roupas para parecer que eram outras pessoas. Especula-se que Poe tenha sido vítima dessa prática, mas não é comprovado. Uma morte pertinente a um dos maiores autores de mistério da literatura.

4. Alexandre, o Grande

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Um dos maiores conquistadores da história, Alexandre, segundo conta a história, caiu doente após um banquete no antigo palácio de Nabucodonosor II. Com febre e severas dores abdominais, ele foi perdendo as forças gradativamente até ficar completamente paralisado na cama, morrendo doze dias depois.

As causas para essa mazela variam e a resposta talvez tenha se perdido no tempo, já que os poucos relatos que sobraram vêm de fontes posteriores. Causas naturais como malária, salmonella e febre tifóide foram levadas em conta e, se misturadas ao desgaste físico e psicólogico sofrido pelo conquistador ao longo de sua vida, tanto pelas batalhas quanto pela perda de seu grande amigo (muitas vezes especulado como amante) Heféstio.

Envenenamento, algo comum na alta sociedade macedônica, foi considerado por muito tempo e sobrou até para Aristóteles, o tutor de Alexandre, mas os historiadores nunca conseguiram achar uma substância que causasse todos os efeitos sofridos pelo governante.

Deixando tudo ainda mais esquisito, acredita-se que Alexandre ainda estava vivo quando foi embalsamado, porém completamente paralisado.

5. Wolfgang Mozart

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Poucos meses antes de sua morte aos 35 anos, o famoso compositor teria dito a sua esposa que havia sido envenenado com acqua toffana, um famoso veneno da época que matava a vítima lentamente. Por isso, Requiem, uma música fúnebre, havia sido encomendada por um benfeitor anônimo: era para o funeral do próprio Mozart.

Ele estava trabalhando na obra quando caiu doente com dores insuportáveis no estômago e nas juntas. Seu corpo começou a inchar e emitir um cheiro horrível e isso foi antes dele começar a delirar. Permaneceu acamado por alguns dias até morrer.

A teoria do envenenamento ganhou força no século 20 com a peça Amadeus, transformada em filme. Nela, o responsável pela morte é Antonio Saleri, um rival de Mozart. Ele teria envenenado o compositor e encomendado Requiem para depois vendê-la como sua. No entanto, o próprio Saleri jurou, em seu leito de morte, que jamais tinha feito mal ao compositor.

Outra teoria acusa a maçonaria, pois Mozart teria revelado os símbolos da organização em sua ópera chamada A Flauta Mágica. Contra essa estão o fato de que outros envolvidos na obra sobreviveram e os maçons apoiaram a família do músico após sua morte.

As causas naturais também são consideradas, com a sífilis sendo a principal. Apesar de, considerando os relatos, ser improvável que ele ou a esposa tenham tido relações extraconjugais, os sintomas são plausíveis.

A morte de Mozart fica ainda mais estranha quando se leva em consideração que existiram outras vítimas em Viena, onde ele morava, no mesmo período. Envenenamento em massa ou epidemia?

6. Christopher Marlowe

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Marlowe foi um dramaturgo, poeta e espião inglês do século 16. Sua obra serviu de inspiração para Shakespeare, nascido no mesmo ano.

A circunstância de sua morte é banal, mas os motivos são intrigantes. Aparentemente, o poeta estava com amigos numa taverna e, na hora de pagar, uma briga eclodiu entre os homens bêbados até que um deles, Ingram Frizer, feriu-o no olho com uma adaga, matando-o na hora.

A trivialidade do ocorrido já levantaria suspeitas. O fato de Marlowe ser um espião, além de acusado de ser ateu e homossexual, torna tudo mais obscuro. Aparentemente, a rainha Elizabeth I teria encomendado a sua morte por causa do ateísmo, tanto que Frizer foi perdoado apenas um mês depois.

Outros suspeitos incluem o conselho da rainha, homens poderosos que teriam sido expostos por ele como ateus na peça Edward II, além de Audrey Walsingham, a esposa do mecenas de Marlowe. Ela teria ciúme da relação entre os dois.

De qualquer forma, cinco séculos depois, a morte de um dos maiores escritores da língua inglesa ainda permanece um mistério.