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75 anos sem Anne Frank: a judia que relatou as barbáries dos nazistas morreu poucos dias antes dos judeus serem libertados

Pouco tempo depois, suas histórias seriam publicadas pela primeira vez e se tornaria uma das mais importantes obras sobre os horrores da Segunda Guerra

Fabio Previdelli Publicado em 29/02/2020, às 13h00

Foto de Anne Frank
Foto de Anne Frank - Getty Images

Em 1929, a Alemanha passava por uma grave crise: havia poucos empregos e muita pobreza. Totalmente quebrados por conta as punições sofridas com o fim da primeira grande guerra, os alemães se sentiam humilhados por serem considerados os principais responsáveis pelo confronto entre nações.

Eles precisavam de um líder que seria capaz de restaurar o orgulho dos tempos áureos do país e muitos viam Adolf Hitler como essa figura ideal. Neste mesmo cenário e ano, nascia uma menina que seria a porta-voz de toda a crueldade cometida contra os judeus pelo Führer e pelo exército nazista: ela era Anne Frank.

Foto de Anne Frank / Crédito: Reprodução

 

O ditador acreditava que os judeus eram os principais culpados pelo péssimo momento da Alemanha — que passaria a caçá-los. Neste cenário, os pais de Anne, Otto e Edith, decidem se mudar para Amsterdã, na Holanda. Além de Anne, Margot, sua irmã mais velha, também os acompanha na viagem.

Lá, Anne se sentia em casa desde cedo. Aprendendo uma nova língua, fez amigos e começou a frequentar uma escola em seu bairro. Em 1º de setembro de 1939, quando a jovem judia estava com 10 anos, o Exército de Hitler invadia a Polônia. Começava assim a Segunda Guerra Mundial.

10 meses depois, em maio de 1940, os nazistas chegam à Holanda e rendem o exército do país. Gradualmente, os alemães implementaram leis que tornam as vidas dos judeus mais difíceis — que são proibidos de frequentarem parques, cinemas e lojas não-judaicas.

Impedidos de terem seus próprios negócios, os judeus — o que inclui Otto — perderam suas fontes de renda. Já Anne foi obrigada a frequentar uma escola judaica separada. Tempos depois, a separação dos judeus do resto da sociedade aumenta. Obrigados a usarem uma estrela de Davi em suas roupas, eles já estavam apavorados com os boatos de que teriam que deixar a Holanda em breve.

Esconderijo de Anne Frank / Crédito: Anne Frank Stichting Fundation

 

Em 5 de julho de 1942, Margot recebeu um telefonema para se inscrever em trabalhos na Alemanha nazista. Desconfiados, seus pais decidem se esconder no dia seguinte. Assim, o pai de Anne inicia a construção de um esconderijo em seu estabelecimento. Lá, ele abrigou sua família e outras quatro pessoas.

Em seu décimo terceiro aniversário, pouco antes de viver no abrigo secreto, Anne recebeu um diário de presente. Durante os dois anos em que permaneceu escondida, a garota relatou tudo que passou por lá e também seus sentimentos e experiências. Além disso, ela também escrevia histórias curtas, começou um romance e anotou passagens de livros que lia no seu Livro de Belas Frases. Escrever ajudava a jovem a suportar os dias difíceis.

Em exílio na Inglaterra, o Ministro da Educação fez um apelo para todos os que ficaram na Holanda para manterem seus diários e documentos de guerras. Assim, Frank teve a ideia de reescrever tudo que relatou em uma única história, que ganhou o título de Het Achterhuis (ou, o Anexo Secreto em tradução livre).

Ela seguiu firme na tarefa, mas antes de finalizar seu novo diário, ela e outras pessoas foram descobertas e presas em 4 de agosto de 1944. Até hoje, ninguém sabe ao certo o que levou os policiais a vasculharem o local. Apesar da busca, uma parte dos escritos de Anne são preservados: os documentos são salvos por dois amigos da garota.

Diário de Anne Frank / Crédito: Getty Images

 

Pouco a pouco, os judeus foram enviados para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz. A viagem até lá durou três dias, durante os quais Anne — e milhares de outros judeus — viajaram em apertados vagões de gado.

Ao chegar em Auschwitz, os médicos nazistas avaliavam as condições dos judeus e determinavam quem poderia ou não ser submetido aos campos de trabalho forçado. Cerca de 350 pessoas que viajaram juntos de Anne morreram nas câmaras de gás, logo nos primeiros dias. Já Anne, sua irmã e sua mãe foram enviadas para campos de trabalhos de mulheres. Otto acaba em um campo para homens.

No início de novembro de 1944, Anne foi transportada de novo, desta vez junto de Margot, para o campo de Bergen-Belsen. Os seus pais ficaram em Auschwitz. As condições no novo espaço são críticas: quase não havia comida e o frio assolava os residentes de lá. As irmãs Frank não demoram a contrair tifo.

Em fevereiro de 1945, há 75 anos (não há uma data exata desse acontecimento), elas morreram por conta da doença contraída, com poucos dias de diferença uma da outra — e a apenas poucas semanas dos Aliados libertarem os judeus dos campos de concentração.

Túmulo de Anne e Margot Frank / Crédito: Getty Imagens

 

De todos os membros da família, apenas Otto sobreviveu à Guerra. Ele foi libertado de Auschwitz pelos russos e, durante uma longa viagem de volta para a Holanda, descobriu que sua esposa morreu. Já nos países baixos, ele se deparou com a nova vida, na qual nunca mais veria suas filhas outra vez.


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